Campanha reforça a importância
do apoio à amamentação e especialistas destacam que o organismo materno é capaz
de produzir leite suficiente para alimentar dois bebês
Agosto Dourado, campanha dedicada ao incentivo, à promoção, à
proteção e ao apoio ao aleitamento materno, reforça a importância da
amamentação para a saúde da mãe e do bebê. Quando a gestação é de gêmeos,
porém, ainda persistem dúvidas e inseguranças que fazem muitas mulheres
acreditarem que não conseguirão produzir leite suficiente para alimentar os
dois filhos.
Segundo a enfermeira obstetra Natalia Baldi, responsável
pela Linha de Cuidado Materno-Infantil do Meu Doutor Novamed, esse é um dos
principais mitos sobre a amamentação gemelar. "Na maioria dos casos, o
organismo materno é plenamente capaz de produzir leite suficiente para
alimentar os dois bebês. A produção de leite funciona pelo princípio da oferta
e da demanda: quanto maior o estímulo das mamadas, maior tende a ser a
produção", explica.
O tema ganha relevância em um cenário de crescimento das gestações
gemelares, impulsionado principalmente pelo adiamento da maternidade e pelo
maior acesso às técnicas de reprodução assistida. Ao mesmo tempo, essas
gestações apresentam maior risco de prematuridade e baixo peso ao nascer,
tornando o acompanhamento especializado ainda mais importante desde os
primeiros dias de vida.
Apesar de ser possível amamentar exclusivamente os gêmeos, o
processo exige planejamento e uma rede de apoio. Entre os principais desafios
estão o cansaço físico, a privação de sono, a dificuldade para sincronizar as
mamadas e a insegurança quanto à produção de leite.
"A mãe de gêmeos tem um gasto energético maior e precisa
cuidar da própria saúde para conseguir amamentar com conforto e qualidade. Além
de uma alimentação equilibrada e boa hidratação, é fundamental contar com uma
rede de apoio para as tarefas domésticas e os cuidados com os recém-nascidos.
Esse suporte faz toda a diferença para que ela consiga manter a amamentação com
mais tranquilidade", afirma Natalia.
A especialista explica que tanto a amamentação simultânea quanto a
alternada são estratégias válidas. Quando os dois bebês já apresentam boa
sucção, amamentá-los ao mesmo tempo ajuda a otimizar a rotina e permite mais
momentos de descanso para a mãe. Já em situações em que um dos bebês apresenta
dificuldade na pega, diferença importante de peso ou necessidade de maior
atenção, as mamadas alternadas podem ser mais indicadas.
Nos casos em que os gêmeos nascem prematuros ou ainda não
conseguem sugar adequadamente, pode ser necessário iniciar precocemente a
retirada do leite materno para manter a produção até que os bebês estejam aptos
para a amamentação direta.
A enfermeira também alerta para sinais que indicam a necessidade
de procurar ajuda profissional, como dor intensa durante as mamadas, fissuras
importantes nos mamilos, ingurgitamento persistente, sinais de mastite,
dificuldade dos bebês para manter a pega ou sugar, ganho de peso insuficiente e
insegurança persistente quanto à produção de leite.
"Quanto mais cedo a mãe recebe orientação especializada,
maiores são as chances de superar as dificuldades e manter uma amamentação
bem-sucedida. O leite materno continua sendo o alimento mais completo para os
bebês, inclusive quando são gêmeos, e o Agosto Dourado é uma oportunidade para
reforçar a importância de informar, acolher e apoiar as famílias durante esse
processo", conclui Natalia Baldi.
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