Pesquisa mostra que mais de 88% dos profissionais aplicam no trabalho conhecimentos adquiridos em programas corporativos; para especialista, capacidade de transformar aprendizado em resultado será cada vez mais decisiva
Uma pesquisa realizada pela FGV com 1.361
ex-alunos de programas corporativos mostra que a capacidade de
levar o conhecimento para a rotina profissional está diretamente relacionada à
percepção de valor da educação corporativa. Entre os entrevistados, 88,1% dos
egressos de MBA e 90,6% dos participantes de programas de Curta e Média Duração
afirmaram aplicar os conhecimentos adquiridos no trabalho de forma ocasional ou
frequente. O levantamento também aponta que a aplicabilidade
prática está entre os atributos mais valorizados nesses programas.
O estudo revela ainda que 89,9% dos
egressos de MBA e 92% dos participantes de programas de Curta e Média Duração
afirmaram que a formação contribuiu parcial ou totalmente para sua trajetória
profissional. A melhoria de performance foi o principal impacto percebido na
carreira, citada por 54,7% dos participantes de MBA e 63,9% dos profissionais
de Curta e Média Duração.
Para Douglas Domingues,
especialista em educação corporativa, gestão de relacionamento com clientes e
CEO da DomEduc, os dados refletem uma mudança na própria lógica de
desenvolvimento profissional. À frente de uma empresa com mais de
oito anos de mercado, mais de 1.000 empresas atendidas, 16 mil profissionais
formados e índice de 98% de satisfação, o executivo defende uma
formação que conecte conhecimento e realidade profissional.
“Não basta mais saber. É preciso saber
aplicar, adaptar e transformar aquele conhecimento em uma decisão ou solução
concreta. O profissional que consegue aprender diante de um problema real e
imediatamente transformar esse aprendizado em ação passa a ter uma vantagem
importante no mercado”, afirma.
Nesse cenário, Douglas aponta fatores
que devem ganhar cada vez mais espaço na formação profissional:
1. Aprender fazendo acelera o
desenvolvimento
“Quando o profissional trabalha com um
caso real, precisa tomar uma decisão, analisar consequências e buscar uma
solução, o aprendizado ganha outro significado. Ele deixa de ser apenas
conteúdo e passa a fazer parte do repertório que aquela pessoa poderá utilizar
novamente”, explica.
Na própria metodologia da DomEduc, a
aplicação prática aparece como um dos pilares das formações. A empresa utiliza Business
Cases baseados nas dores do mercado e das empresas, além de
workshops e treinamentos personalizados para aproximar o conteúdo da realidade
dos profissionais.
2. O profissional precisa aprender
diante de problemas novos
Em um mercado marcado por inteligência
artificial, automação e mudanças constantes, nem sempre será possível encontrar
uma formação pronta para cada desafio que surgir.
“O conhecimento técnico continua sendo
importante, mas ele envelhece mais rápido. Por isso, uma das competências mais
importantes passa a ser a capacidade de aprender diante de uma situação nova. O
profissional precisa saber fazer perguntas, buscar informações, testar
possibilidades e ajustar sua estratégia”, afirma Douglas.
3. Certificado comprova formação, mas
não necessariamente competência
A quantidade de cursos realizados pode
ajudar a construir um currículo, mas não representa, sozinha, a capacidade de
entregar resultados.
“Um certificado mostra que houve uma
formação, mas não necessariamente mostra o que aquele profissional consegue
fazer com o conhecimento. A experiência prática, os projetos realizados e a
capacidade de resolver problemas ajudam a revelar competências que não aparecem
apenas no currículo”, explica.
4. Empresas também precisam criar
ambientes para o aprendizado acontecer
A responsabilidade pelo desenvolvimento
não está apenas no profissional. Para Douglas, as empresas precisam criar
condições para que o conhecimento adquirido seja colocado em prática.
“Não adianta oferecer um treinamento e
esperar que a mudança aconteça automaticamente. É preciso criar espaço para
aplicação, acompanhar os resultados e permitir que o profissional teste novas
formas de fazer. A aprendizagem precisa entrar na rotina da empresa”, diz.
5. O aprendizado contínuo será parte da
própria carreira
Se antes a formação era concentrada em
momentos específicos, como faculdade, pós-graduação ou cursos de
especialização, a tendência é que o desenvolvimento se torne permanente.
“O profissional não pode mais pensar
que terminou de estudar quando concluiu a graduação ou uma pós. A carreira vai
exigir ciclos constantes de atualização. E isso não significa necessariamente
fazer um curso atrás do outro, mas desenvolver a capacidade de aprender
continuamente com projetos, experiências, pessoas, tecnologia e problemas
reais”, afirma Douglas.
6. O diferencial será transformar
conhecimento em resultado
Mais do que prever quais profissões existirão
no futuro, a discussão passa a ser sobre quais profissionais estarão preparados
para acompanhar as mudanças.
“Estamos saindo de uma lógica em que o
diferencial era saber mais para uma lógica em que o diferencial é conseguir
fazer melhor. O conhecimento continua sendo a base, mas a capacidade de
transformar esse conhecimento em resultado é o que gera valor para a empresa e
para a carreira”, conclui.
DomEduc
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