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quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Criança ronca? O problema pode estar muito além de uma noite mal dormida

Apneia do sono na infância pode afetar o desenvolvimento, o comportamento e a qualidade de vida; especialista explica como a identificação precoce das obstruções respiratórias e o tratamento adequado podem transformar o sono e a rotina da criança.


O som de um ronco vindo do quarto dos pais é algo comum na maioria dos lares, mas quando o barulho parte do berço ou da cama infantil, o sinal de alerta deve ser ligado. Ao contrário do que muitos pensam, o roncado noturno nas crianças não é sinal de sono profundo ou descansado. Na verdade, costuma ser o primeiro sintoma de que a respiração não está fluindo como deveria durante a noite.

A causa mais frequente dessa dificuldade respiratória na infância é o aumento das amígdalas e da adenoide, popularmente conhecida como "carne no nariz". Quando essas estruturas crescem além do normal, elas bloqueiam a passagem do ar, gerando quadros de respiração bucal e, nos casos mais graves, a Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS).

"Muitos pais chegam ao consultório achando fofo o filho roncar ou acreditando que é apenas um cansaço passageiro. O problema é que a criança que respira pela boca e ronca passa a noite fazendo um esforço enorme para conseguir colocar o ar para dentro. Isso fragmenta o sono e impede que ela atinja as fases mais profundas do descanso, essenciais para a liberação do hormônio do crescimento", explica a médica Loyane Bronzon, otorrinolaringologista com atuação voltada para o público infantil e distúrbios do sono.

As consequências de noites mal dormidas na infância costumam dar sinais claros durante o dia. É comum que crianças com apneia apresentem irritabilidade, hiperatividade, déficit de atenção, sonolência diurna e até queda no rendimento escolar. Além disso, a respiração bucal crônica pode alterar a estrutura da face, o posicionamento dos dentes e prejudicar a mastigação e a fala.

O diagnóstico precoce faz toda a diferença para evitar complicações no desenvolvimento físico e cognitivo. A avaliação clínica no consultório otorrinolaringológico identifica exatamente o ponto e o grau da obstrução.

"O tratamento não significa necessariamente cirurgia. Dependendo do caso, conseguimos resolver o quadro com medicação, lavagem nasal adequada e acompanhamento multidisciplinar, envolvendo fonoaudiólogos e ortodontistas. Nos casos em que a remoção das amígdalas e da adenoide é indicada, a cirurgia é simples, traz uma recuperação rápida e muda completamente a qualidade de vida da criança e da família já nas primeiras semanas", destaca a especialista.

Pais e responsáveis devem ficar atentos a sinais como ronco frequente, pausas na respiração enquanto a criança dorme, sono agitado, xixi na cama após a fase do desfralde e boca aberta durante o dia. Ao notar esses sintomas, a recomendação é buscar avaliação médica especializada.

 


Fonte: Dra. Loyane Bronzon — Médica Otorrinolaringologista | Especialista em ronco, apneia do sono e otorrinolaringologia infantil
https://acesse.one/wkibdmw
@draloyane.otorrino

 

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