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terça-feira, 25 de agosto de 2026

Agosto Dourado chama atenção para benefícios da amamentação e importância da rede de apoio

Além de contribuir para o desenvolvimento e a proteção do bebê, aleitamento materno traz benefícios à saúde da mulher; orientação profissional pode ajudar a superar dificuldades

 

Símbolo do padrão ouro de qualidade do leite materno, o Agosto Dourado amplia a discussão sobre a importância da amamentação e também sobre os desafios enfrentados pelas mulheres durante esse processo. Apesar dos benefícios já conhecidos, dúvidas sobre dor, pega do bebê e quantidade de leite estão entre as dificuldades que podem surgir principalmente nas primeiras semanas.

De acordo com Bruna Tamboril, enfermeira obstetra, mestre em Saúde Coletiva e professora da Universidade Christus, o leite materno é um alimento completo, especialmente nos primeiros seis meses de vida, período em que fornece nutrientes importantes para o crescimento e o desenvolvimento da criança.

“Além de nutrir, o leite materno oferece proteção imunológica, ajudando a reduzir a ocorrência de infecções, principalmente diarréias e infecções respiratórias. A amamentação também favorece o desenvolvimento da musculatura da face e da cavidade oral e fortalece o vínculo entre mãe e bebê”, explica.

Os benefícios também se estendem à saúde materna. Segundo a especialista, a amamentação contribui para a recuperação no período pós-parto e está associada à redução do risco de doenças como câncer de mama e de ovário.


Dor e fissuras não devem ser naturalizadas

Entre as queixas mais frequentes no início da amamentação estão dor durante as mamadas, fissuras nos mamilos, dificuldades na pega e no posicionamento do bebê e a percepção de baixa produção de leite. Bruna alerta que alguns desses sinais não devem ser encarados como uma etapa inevitável do processo.

“A dor persistente e as fissuras não devem ser consideradas normais na amamentação. Muitas vezes, esses problemas estão associados à pega ou ao posicionamento inadequado e podem ser corrigidos com orientação profissional”, afirma.

Outro receio comum é a sensação de que o leite produzido não é suficiente. Segundo a enfermeira obstetra, essa percepção nem sempre corresponde a uma baixa produção de fato. A produção do leite é estimulada principalmente pela sucção do bebê e pelo esvaziamento frequente das mamas.

Por isso, diante da dúvida, a recomendação é buscar avaliação antes de recorrer, por conta própria, à introdução de fórmulas ou outros complementos. A observação da mamada por um profissional pode ajudar a identificar se há alguma dificuldade e indicar a conduta mais adequada para cada situação.


Quando procurar ajuda?

A orientação profissional pode ser buscada sempre que surgirem dúvidas, mas alguns sinais exigem atenção especial. Dor intensa ou persistente, fissuras que não melhoram, mamas muito endurecidas, vermelhas ou dolorosas, dificuldade do bebê para pegar ou permanecer na mama e preocupação com ganho de peso ou ingestão adequada de leite estão entre eles.

O acompanhamento, no entanto, não precisa acontecer somente depois que um problema aparece. “Uma avaliação da pega, do posicionamento e da dinâmica da mamada pode evitar que pequenas dificuldades evoluam. O acompanhamento profissional também tem um papel preventivo”, destaca Bruna.

Para a especialista, o Agosto Dourado também é uma oportunidade para ampliar a discussão sobre a responsabilidade compartilhada em torno da amamentação. Mais do que informar sobre as vantagens do leite materno, é necessário criar condições para que a mulher se sinta amparada durante o processo.

“Amamentar é um aprendizado para a mãe e para o bebê. Informação, acolhimento e uma rede de apoio fazem toda a diferença. Amamentar não deve ser uma responsabilidade solitária. Proteger a amamentação também significa cuidar da mãe, do bebê e de toda a família”, conclui.

 

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