Além de contribuir para o desenvolvimento e a proteção do bebê, aleitamento materno traz benefícios à saúde da mulher; orientação profissional pode ajudar a superar dificuldades
Símbolo do padrão ouro de qualidade do
leite materno, o Agosto Dourado amplia a discussão sobre a importância da
amamentação e também sobre os desafios enfrentados pelas mulheres durante esse
processo. Apesar dos benefícios já conhecidos, dúvidas sobre dor, pega do bebê
e quantidade de leite estão entre as dificuldades que podem surgir
principalmente nas primeiras semanas.
De acordo com Bruna Tamboril,
enfermeira obstetra, mestre em Saúde Coletiva e professora da Universidade
Christus, o leite materno é um alimento completo, especialmente nos primeiros
seis meses de vida, período em que fornece nutrientes importantes para o crescimento
e o desenvolvimento da criança.
“Além de nutrir, o leite materno
oferece proteção imunológica, ajudando a reduzir a ocorrência de infecções,
principalmente diarréias e infecções respiratórias. A amamentação também
favorece o desenvolvimento da musculatura da face e da cavidade oral e
fortalece o vínculo entre mãe e bebê”, explica.
Os benefícios também se estendem à
saúde materna. Segundo a especialista, a amamentação contribui para a
recuperação no período pós-parto e está associada à redução do risco de doenças
como câncer de mama e de ovário.
Dor e fissuras não
devem ser naturalizadas
Entre as queixas mais frequentes no
início da amamentação estão dor durante as mamadas, fissuras nos mamilos,
dificuldades na pega e no posicionamento do bebê e a percepção de baixa
produção de leite. Bruna alerta que alguns desses sinais não devem ser
encarados como uma etapa inevitável do processo.
“A dor persistente e as fissuras não
devem ser consideradas normais na amamentação. Muitas vezes, esses problemas
estão associados à pega ou ao posicionamento inadequado e podem ser corrigidos
com orientação profissional”, afirma.
Outro receio comum é a sensação de que
o leite produzido não é suficiente. Segundo a enfermeira obstetra, essa
percepção nem sempre corresponde a uma baixa produção de fato. A produção do
leite é estimulada principalmente pela sucção do bebê e pelo esvaziamento
frequente das mamas.
Por isso, diante da dúvida, a
recomendação é buscar avaliação antes de recorrer, por conta própria, à
introdução de fórmulas ou outros complementos. A observação da mamada por um
profissional pode ajudar a identificar se há alguma dificuldade e indicar a
conduta mais adequada para cada situação.
Quando procurar
ajuda?
A orientação profissional pode ser
buscada sempre que surgirem dúvidas, mas alguns sinais exigem atenção especial.
Dor intensa ou persistente, fissuras que não melhoram, mamas muito endurecidas,
vermelhas ou dolorosas, dificuldade do bebê para pegar ou permanecer na mama e
preocupação com ganho de peso ou ingestão adequada de leite estão entre eles.
O acompanhamento, no entanto, não
precisa acontecer somente depois que um problema aparece. “Uma avaliação da
pega, do posicionamento e da dinâmica da mamada pode evitar que pequenas
dificuldades evoluam. O acompanhamento profissional também tem um papel
preventivo”, destaca Bruna.
Para a especialista, o Agosto Dourado
também é uma oportunidade para ampliar a discussão sobre a responsabilidade
compartilhada em torno da amamentação. Mais do que informar sobre as vantagens
do leite materno, é necessário criar condições para que a mulher se sinta
amparada durante o processo.
“Amamentar é um aprendizado para a mãe
e para o bebê. Informação, acolhimento e uma rede de apoio fazem toda a
diferença. Amamentar não deve ser uma responsabilidade solitária. Proteger a
amamentação também significa cuidar da mãe, do bebê e de toda a família”,
conclui.

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