Terapias administradas em casa podem reduzir
deslocamentos ao hospital e contribuir para uma jornada de tratamento mais
confortável, sempre com acompanhamento médico
A
jornada do paciente com câncer de pulmão vem ganhando novos contornos de
praticidade, conforto e qualidade de vida com a utilização de terapias por via
oral. Em uma rotina frequentemente marcada por consultas, deslocamentos e
períodos de permanência no hospital, a possibilidade de realizar parte do
tratamento em casa pode representar um importante benefício para o paciente,
preservando sua rotina e reduzindo o impacto logístico do tratamento.
Como
explica a Dra. Claudia Regina Figueiredo, consultora médica da Blanver,
farmacêutica e farmoquímica brasileira, a administração oral pode trazer
benefícios tanto para o paciente quanto para o sistema de saúde. “A
possibilidade de realizar parte do tratamento no ambiente familiar proporciona
mais conforto e praticidade ao paciente, além de reduzir a necessidade de
deslocamentos e de permanência no hospital. Para os serviços de saúde, quando
clinicamente apropriado, a utilização de medicamentos orais também pode
contribuir para otimizar a utilização da estrutura assistencial, liberando
cadeiras e outros recursos destinados à administração de terapias intravenosas
e permitindo que sejam direcionados a pacientes que realmente necessitam desse
tipo de atendimento.”
A
escolha da via de administração, entretanto, deve ser individualizada e
considerar evidências de eficácia, segurança, perfil do paciente e
características do tratamento. A possibilidade de realizar o tratamento em casa
não significa abrir mão do acompanhamento médico, que continua sendo
fundamental para avaliar a resposta à terapia, a adesão e eventuais efeitos
adversos.
Esse
potencial impacto na utilização dos recursos hospitalares ganha relevância
diante da crescente demanda por atendimento oncológico. Quando clinicamente
adequada, a administração oral pode reduzir visitas e períodos de permanência
hospitalar relacionados à aplicação do tratamento, além de oferecer maior
autonomia e praticidade ao paciente.
Agosto Branco reforça a importância da prevenção e do diagnóstico
A
discussão sobre novas possibilidades de tratamento ganha ainda mais relevância
durante o Agosto Branco, campanha dedicada à conscientização sobre o câncer de
pulmão e à importância da prevenção, especialmente em relação ao tabagismo.
De
acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), são esperados
35.380 novos casos de câncer de traqueia, brônquio e pulmão no Brasil para cada
ano do triênio 2026 a 2028. Desse total, 18.730 casos devem ocorrer entre os
homens e 16.650 entre as mulheres. Sem considerar os tumores de pele não
melanoma, esses cânceres ocupam a quarta posição entre os tipos mais incidentes
no país.
O
tabagismo continua sendo o principal fator de risco para o desenvolvimento do
câncer de pulmão. A fumaça do cigarro contém milhares de substâncias químicas,
incluindo compostos tóxicos e carcinogênicos que aumentam de forma importante o
risco de desenvolvimento da doença. O alerta também se estende aos Dispositivos
Eletrônicos para Fumar (DEFs), como vapes, pods e cigarros eletrônicos, cuja
fabricação, importação, comercialização, distribuição, armazenamento,
transporte e propaganda permanecem proibidos no Brasil.
Outro
grande desafio é o diagnóstico tardio. O câncer de pulmão frequentemente não
provoca sintomas nas fases iniciais e, por isso, muitos pacientes chegam ao
diagnóstico quando o tumor já se encontra em estágio avançado. Tosse
persistente, presença de sangue no escarro, falta de ar, dor no peito,
rouquidão e perda de peso inexplicada são alguns dos sinais que devem ser
avaliados por um médico, especialmente em pessoas com fatores de risco.
A
identificação da doença em fases mais precoces pode ampliar as possibilidades
de tratamento e contribuir para melhores resultados clínicos. Diante do
diagnóstico, os avanços no tratamento do câncer de pulmão têm ampliado as
possibilidades terapêuticas e permitido considerar, além da eficácia, aspectos
relacionados à qualidade de vida e à conveniência do tratamento.
No
câncer de pulmão de não pequenas células (CPNPC), a vinorelbina é uma das
opções quimioterápicas disponíveis e pode ser administrada por via oral em
determinados contextos clínicos. A administração oral pode permitir que parte
do tratamento seja realizada no ambiente domiciliar, sempre com prescrição,
orientação e acompanhamento da equipe de saúde.
Além
de proporcionar maior praticidade ao paciente, essa modalidade pode contribuir
para reduzir a necessidade de permanência no hospital para administração
intravenosa e, quando clinicamente apropriada, otimizar a utilização da
estrutura dos serviços de saúde.
“Hoje,
quando falamos em tratamento oncológico, precisamos olhar não apenas para o
controle da doença, mas também para a experiência do paciente. Quando existe
uma alternativa oral adequada para aquele perfil de paciente, ela pode oferecer
mais praticidade, reduzir deslocamentos e, ao mesmo tempo, contribuir para uma
utilização mais eficiente dos recursos hospitalares”, explica a Dra. Claudia
Regina Figueiredo, consultora médica da Blanver.
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