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sexta-feira, 24 de julho de 2026

Oncofertilidade: uma forma de acolhimento e cuidado integral para pacientes com câncer


Um diagnóstico de câncer vem acompanhado de inúmeras dúvidas e emoções, dando início a uma jornada complexa de etapas de tratamento, mudanças na rotina e escolhas importantes a serem feitas. Em meio a esse cenário desafiador, uma dimensão importante do cuidado ainda costuma receber atenção insuficiente: a preservação da fertilidade. 

O tema, entretanto, ainda é pouco conhecido pela população. Uma pesquisa do IPEC1 indica que 86% das mulheres desconhecem os métodos de preservação da fertilidade durante o tratamento oncológico, o que alerta para a necessidade de que profissionais de saúde da oncologia sejam preparados para abordar a oncofertilidade com pacientes. 

Isso porque essa discussão deve acontecer logo nos primeiros dias após o diagnóstico, já que terapias como quimioterapia, radioterapia e algumas cirurgias podem comprometer de forma relevante o potencial reprodutivo de mulheres e homens2-3. Para se ter uma ideia, uma mulher que realiza um ciclo quimioterápico por 12 a 16 semanas pode diminuir o potencial reprodutivo em até 10 anos. Isso significa que essa mesma paciente, aos 30 anos, terá o equivalente a uma idade ovariana de 40 anos ao término do tratamento4. É importante lembrar que as chances de uma mulher engravidar naturalmente aos 30 anos são de 20% por ciclo menstrual; aos 40 anos, elas ficam menores - 5%5. No caso dos homens, a espermatogênese (produção de espermatozoides) é a grande prejudicada3

Com o avanço da conscientização sobre o câncer, do aumento de diagnósticos precoces e da eficácia dos tratamentos, cresce também o número de sobreviventes que passam a olhar para a vida após o câncer com mais perspectiva de longo prazo. No caso do câncer de mama, por exemplo, as taxas de sobrevida em cinco anos, gerando uma população crescente de sobreviventes de diversas faixas etárias4

Esses resultados promissores abrem espaço para que os pacientes olhem para o futuro com otimismo, incluindo o planejamento familiar. Estima-se, por exemplo, que entre 40% e 50% das mulheres que tiveram câncer mamário manifestam o desejo de vivenciar a maternidade após superarem a doença4.

Foi a vontade de Evelin Scarelli, fisioterapeuta e vice-presidente do Instituto Oncoguia. Diagnosticada aos 23 anos com câncer de mama, Evelin deu à luz Bento em 2021, pós-cura do câncer, por meio da técnica de Fertilização In Vitro (FIV)

"Receber o diagnóstico de câncer é um momento de extrema vulnerabilidade. No meu caso, não pude realizar o congelamento de óvulos na época do meu diagnóstico. Mas a ciência permitiu que eu fizesse a FIV anos depois. Com isso, pude adentrar no mundo da maternidade com todos os seus desafios, em particular os desafios de uma mulher mastectomizada e o aleitamento. Mas isso não foi um problema para nossa família. Por isso, se você, paciente oncológico deseja uma família, não encare a doença como uma sentença. É possível continuar sonhando. Converse com o(a) seu(sua) médico(a)", diz Evelin. 

O planejamento reprodutivo de pacientes oncológicos inicia-se com as estratégias de preservação da fertilidade, que variam de acordo com o sexo biológico do paciente. As opções incluem:

  • o congelamento de óvulos (oócitos), de embriões ou de tecido ovariano3;
  • transposição ovariana e cirurgias ginecológicas conservadoras3;
  • congelamento de espermatozoides (coletados via ejaculação) ou a Extração de Espermatozoides Testiculares (TESE), que consiste na coleta cirúrgica para pacientes que não conseguem fornecer a amostra espontaneamente3.

Após a fase de preservação (ou mesmo de forma independente, dependendo do histórico clínico do paciente), utilizam-se os tratamentos de reprodução assistida para viabilizar a gestação, como a FIV e a Inseminação Intrauterina (IIU / IUI). 

“Quando trazemos a orientação sobre oncopreservação logo nos primeiros momentos do diagnóstico, criamos uma janela de oportunidade para que o paciente possa considerar a preservação do potencial reprodutivo antes do início do tratamento, e o tempo é essencial para essa tomada de decisão. Além do benefício clínico, essa conversa oferece um respiro emocional importante: a jornada deixa de ser focada apenas na doença e passa a incluir também perspectivas de futuro, continuidade de planos e realização de sonhos” complementa o oncoginecologista pélvico e mastologista Dr. José Carlos Sadalla (CRM: CRM 97419-SP | RQE Ginecologia e Obstetrícia: 42473 | RQE Mastologia: 63088).
 



Dr. José Carlos Sadalla (Oncoginecologista pélvico e mastologista) - Pode detalhar os impactos dos tratamentos no sistema reprodutivo e explicar como a orientação precoce traz um "respiro emocional" à paciente, transferindo o foco exclusivo da doença para uma perspectiva real de futuro.

Evelin Scarelli (VP do Instituto Oncoguia e paciente) - Diagnosticada com câncer de mama aos 23 anos, ela viveu os desafios de planejamento na pele. Anos após a cura, engravidou via Fertilização In Vitro (FIV) e hoje é mãe do Bento, trazendo o relato vivo de que a doença não precisa ser uma sentença sobre a formação de uma família.


Merck
www.merck.com.br
Instagram (@merckbrasil) e LinkedIn (Merck Healthcare).

Referências

  1. IPEC. Infertilidade e Ferramentas de Preservação da Fertilidade. 2024. Pesquisa realizada entre 26 de agosto e 4 de setembro de 2024. Amostra: 550 entrevistas com mulheres internautas brasileiras de 25 a 45 anos, pertencentes às classes ABC, distribuídas nas 5 regiões do Brasil. A margem de erro máxima estimada é de 4 pontos percentuais para mais ou para menos sobre os resultados encontrados no total da amostra.
  2. Di Tucci C, Galati G, Mattei G, Chinè A, Fracassi A, Muzii L. Fertility after Cancer: Risks and Successes. Cancers. 2022; 14(10):2500. https://doi.org/10.3390/cancers14102500 .
  3. Su HI, Lacchetti C, Letourneau J, et al. Fertility Preservation in People With Cancer: ASCO Guideline Update. J Clin Oncol. 2025. DOI: Link
  4. Zylbersztejn DS, Chuery ACS. Preservação da fertilidade em pacientes com câncer de mama. Femina. 2021;49(10):611-3
  5. American Society for Reproductive Medicine. Age and Fertility – A guide for patients [Internet]. Birmingham (AL): ASRM; 2012. Disponível em: https://www.reproductivefacts.org/globalassets/_rf/news-and-publications/bookletsfact-sheets/english-pdf/Age_and_Fertility.pdf

 

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