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sexta-feira, 24 de julho de 2026

Dia dos Avós: tendência do TikTok resgata hábitos da terceira idade e reforça lições sobre longevidade

Especialista em longevidade Natália Dornellas explica por que a geração Z está olhando para os avós em busca de uma vida mais saudável e equilibrada

 

À primeira vista, parece apenas mais um movimento das redes sociais. Batizado de nonna maxxing, o fenômeno que viralizou no TikTok incentiva jovens a adotarem hábitos inspirados nas tradicionais avós italianas: cozinhar em casa, caminhar diariamente, cultivar plantas, reduzir o tempo de tela, reunir a família para as refeições e viver com menos pressa. 

Mas, por trás da estética das redes sociais, existe uma discussão muito maior. Às vésperas do Dia dos Avós, celebrado em 26 de julho, a onda chama atenção justamente por valorizar comportamentos que as pessoas mais velhas cultivam há décadas e que hoje encontram respaldo na ciência quando o assunto é envelhecimento saudável. 

Para a especialista em longevidade Natália Dornellas, o fenômeno revela uma mudança importante na forma como as novas gerações enxergam o envelhecimento. 

"Talvez a maior inovação da geração Z seja redescobrir hábitos que as pessoas mais velhas praticam há décadas. O que hoje ganha um nome em inglês e viraliza nas redes sociais sempre fez parte da rotina de muitas avós e avôs: cozinhar com alimentos frescos, caminhar, cultivar vínculos, viver em comunidade e desacelerar." 

Segundo Natália, o sucesso do movimento não está relacionado apenas ao interesse pela cultura italiana, mas ao desejo de encontrar um estilo de vida mais equilibrado em um cenário marcado pelo excesso de estímulos, hiperconectividade e esgotamento emocional. 

"O nonna maxxing fala muito mais sobre o cansaço de uma geração que cresceu conectada do que sobre receitas italianas. Existe uma busca crescente por relações mais presenciais, por tempo de qualidade e por hábitos que tragam mais significado para o cotidiano."

 

A ciência já conhecia esses hábitos 

Embora tenha surgido nas redes sociais, a especialista destaca que os comportamentos incentivados pelo movimento fazem parte das principais pesquisas sobre longevidade. 

"Dieta baseada em alimentos naturais, movimento incorporado à rotina, convivência familiar, participação na comunidade e redução do estresse aparecem há décadas nos estudos sobre envelhecimento saudável. Não existe fórmula mágica para viver mais, mas sabemos que o estilo de vida exerce um papel determinante na qualidade dessa longevidade." 

Esses fatores também são observados nas chamadas Blue Zones, regiões do mundo com alta concentração de pessoas centenárias, como a Sardenha, na Itália.

 

Valorizar quem envelheceu também combate o idadismo 

Para Natália, a popularização do movimento também convida a uma reflexão sobre o preconceito contra o envelhecimento. 

"É curioso perceber que muitos desses hábitos só passaram a despertar interesse depois que ganharam um nome em inglês e viralizaram nas redes sociais. Isso mostra o quanto ainda desvalorizamos os conhecimentos das pessoas mais velhas." 

No Brasil, onde a população envelhece rapidamente, ela acredita que o debate é ainda mais necessário. 

"O Dia dos Avós é uma oportunidade para lembrar que envelhecer não significa perder relevância. Pelo contrário. As pessoas mais velhas acumulam experiências e modos de viver que podem inspirar todas as gerações. Talvez o maior aprendizado dessa tendência seja justamente perceber que inovação e tradição podem caminhar juntas quando o objetivo é viver melhor."

 

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