Entenda a comunicação direta entre o sistema nervoso e o trato gastrointestinal, e saiba por que muitas pessoas tratam gastrites e refluxos por anos sem perceber que a raiz do problema está nas emoções não digeridas.
Dor no estômago antes de uma prova, intestino desregulado em
períodos de estresse, sensação de aperto abdominal diante de preocupações e
crises de refluxo que pioram em momentos difíceis. Embora muita gente trate
esses sintomas como problemas exclusivamente digestivos, a ciência já reconhece
que cérebro e intestino mantêm uma comunicação constante. Quando a ansiedade se
torna crônica, o sistema digestivo costuma ser um dos primeiros a sentir os
efeitos.
Essa relação é tão intensa que o intestino passou a ser
chamado por muitos pesquisadores de “segundo cérebro”. O órgão possui milhões
de neurônios e se comunica continuamente com o sistema nervoso central por meio
do chamado eixo cérebro-intestino. Estudos publicados pela Harvard Medical
School mostram que fatores emocionais podem influenciar diretamente o funcionamento
gastrointestinal, aumentando sintomas como dor abdominal, refluxo, náuseas,
diarreia e constipação.
Segundo a psicóloga especialista em ansiedade Eliane Alves,
muitas pessoas passam anos investigando apenas o lado físico do problema e não
percebem que o organismo está reagindo ao excesso de tensão emocional. “O corpo
fala aquilo que a mente nem sempre consegue expressar. Quando a ansiedade
permanece elevada por muito tempo, o sistema digestivo entra em estado de
alerta constante, alterando movimentos intestinais, produção de ácido e até a
percepção da dor”, explica.
Isso não significa que gastrite, refluxo ou outros
transtornos digestivos sejam “coisa da cabeça”. A especialista ressalta que os
sintomas são reais e merecem avaliação médica adequada. O ponto é que, em
muitos casos, existe um componente emocional importante agravando ou mantendo o
quadro.
“A pessoa trata a gastrite, melhora por um período, mas o
sintoma volta. Troca a alimentação, toma medicação e continua sofrendo. Quando
investigamos a rotina, encontramos níveis elevados de ansiedade, preocupação
constante, dificuldade para descansar e emoções acumuladas há anos”, afirma
Eliane.
O estresse crônico aumenta a liberação de hormônios como
cortisol e adrenalina, substâncias que preparam o organismo para situações de
ameaça. Quando esse estado se prolonga, o corpo passa a funcionar como se
estivesse permanentemente em perigo, afetando diretamente o trato
gastrointestinal.
Além das queixas digestivas, sinais como tensão muscular,
insônia, irritabilidade, dificuldade de concentração, sensação de fadiga e
pensamentos acelerados costumam aparecer junto com os desconfortos no estômago
e no intestino. Por isso, olhar apenas para o sintoma físico pode levar a um
tratamento incompleto.
Outro aspecto importante é que a ansiedade frequentemente
altera a relação com a alimentação. Algumas pessoas perdem o apetite, enquanto
outras recorrem à comida como forma de aliviar emoções difíceis, criando um
ciclo que também impacta a saúde digestiva.
Para Eliane, o cuidado precisa ser integrado. “Quando existe
sofrimento emocional persistente, o organismo inteiro participa desse processo.
Cuidar da saúde mental não substitui o acompanhamento médico, mas pode ser uma
peça fundamental para que o tratamento funcione de maneira mais efetiva.”
A especialista destaca que reconhecer a influência das
emoções sobre o corpo não significa imaginar doenças, e sim compreender que
mente e organismo fazem parte do mesmo sistema. “Muitas vezes, o estômago
começa a pedir ajuda antes mesmo de a pessoa perceber o quanto está
sobrecarregada emocionalmente. Escutar esses sinais é uma forma de prevenção,
não de fraqueza”, conclui.
Fonte: Eliane Alves – Psicóloga, especialista em
ansiedade.
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