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quinta-feira, 2 de abril de 2026

US$ 540 bilhões: o desperdício global de alimentos pode atingir esse valor em 2026

  • No Brasil, o custo do desperdício de alimentos ao longo da cadeia de suprimentos — do campo ao varejo — equivale, em média, a 32% da receita total das empresas no país.
     
  • A falta de visibilidade agrava o problema: 61% dos líderes do varejo e da cadeia de suprimentos afirmam não ter uma visão completa de onde ocorre o desperdício ao longo da cadeia.
     
  • Logística e distribuição continuam sendo os principais pontos críticos: 56% dos entrevistados dizem não compreender onde ocorre o desperdício durante o transporte dos alimentos.
     
  • O mercado de carnes é a categoria mais desafiadora e deve gerar um custo de US$94 bilhões em 2026, quase um quinto do impacto econômico total do desperdício de alimentos (US$540 bilhões).
     
  • 67% dos entrevistados indicam que a gestão de estoques de alimentos é realizada majoritariamente por meio de contagens manuais — um processo intensivo em mão de obra e suscetível a imprecisões.

 

O novo estudo da Avery Dennison traz novos dados que revelam que o desperdício de alimentos continua corroendo margens e se consolida como um dos desafios mais caros — e ainda pouco visíveis — da cadeia global de suprimentos do varejo. 

As informações fazem parte do relatório "Tornando o invisível visível: liberando o valor oculto do desperdício de alimentos para impulsionar crescimento e rentabilidade”, publicado pela Avery Dennison, empresa global de ciência de materiais e soluções de identificação digital. 

Projeções econômicas independentes indicam que o custo do desperdício de alimentos ao longo da cadeia global de suprimentos pode alcançar US$540 bilhões em 2026, um crescimento frente aos US$526 bilhões do ano anterior. Além disso, os resultados do estudo mostram que, em média, no Brasil, os custos associados ao desperdício de alimentos equivalem a 32% da receita anual total na cadeia de suprimentos do varejo alimentício, desde a colheita até o ponto de venda. 

A pesquisa, que ouviu 3.500 varejistas de alimentos e líderes da cadeia de suprimentos em todo o mundo, revela que, apesar do aumento da conscientização, 61% das empresas afirmam ainda não ter visibilidade total sobre onde ocorre o desperdício em suas operações. A limitada capacidade de influenciar os pontos da cadeia com maiores níveis de perda é um desafio recorrente, o que reforça a necessidade urgente de inovação direcionada e colaboração entre os diferentes elos da cadeia. 

Os dados mostram que os líderes enfrentam desafios constantes em diferentes pontos da cadeia, especialmente no segmento de produtos perecíveis. Quando questionados sobre as três categorias mais difíceis de gerenciar em termos de desperdício, 50% apontaram as carnes, 45% frutas e verduras e 28% produtos de panificação. Mais da metade (51%) dos líderes empresariais indicou que a gestão de estoque e o excesso de inventário contribuem significativamente para o desperdício dentro de suas operações. 

O transporte surge como um fator comum entre as diferentes categorias de perecíveis; 56% das empresas afirmam não ter uma compreensão clara de quanto desperdício ocorre durante o deslocamento dos produtos. Enfrentar esse desafio exige uma combinação de soluções que inclui visibilidade de inventário em nível de item, previsão de demanda e gestão de vida útil em tempo real. 

Se as tendências atuais se mantiverem, o custo acumulado do desperdício de alimentos entre 2025 e 2030 pode atingir US$3,4 trilhões, coincidindo com o prazo de 2030 do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 12.3 da ONU, que busca reduzir pela metade o desperdício global de alimentos. Apesar desse objetivo, o relatório revela que 27% dos líderes acreditam que não conseguirão atingir a meta dentro do prazo estabelecido. 

Para Flavio Marqués, Diretor de Marketing, Vendas e Comunicação para a América Latina da Avery Dennison, o desperdício de alimentos já não deveria ser tratado como um custo inevitável do varejo. Segundo Flavio, a combinação entre falta de visibilidade ao longo da cadeia de suprimentos e baixa adoção de inovações tem contribuído para perdas significativas — muitas vezes invisíveis — que impactam diretamente as margens das empresas. 

“Para conseguir superar um desafio, especialmente tão impactante como esse, o primeiro passo é ter compreensão do problema. E essa se mostra a primeira dificuldade, uma vez que 61% dos líderes do varejo sequer têm conhecimento das adversidades, o que os impede de trabalhar para superá-las. Com a inovação adequada, é possível transformar essa perda em valor mensurável e reposicionar o desperdício de alimentos: de um tema exclusivamente ligado à sustentabilidade para uma questão crítica de negócios, capaz de gerar eficiência e crescimento em toda a cadeia No Brasil, por exemplo, o custo do desperdício de alimentos ao longo da cadeia de suprimentos impacta, em média, 32% da receita total das empresas no país, o que demonstra uma possibilidade relevante de crescimento de receita.”
 

Um desafio de alto custo intensificado pelas oscilações do mercado

As carnes se destacam como uma das categorias mais difíceis de gerenciar. No Brasil, cerca de 72% dos líderes da cadeia de suprimentos apontam essa categoria como o principal desafio. Devido ao alto custo unitário no varejo alimentício, mesmo pequenas reduções no desperdício podem gerar ganhos financeiros relevantes. 

Projeções econômicas independentes indicam que o desperdício de carnes pode representar US$94 bilhões em perdas na cadeia global em 2026, quase um quinto do impacto econômico total do ano, seguido por frutas, verduras e hortaliças, com US$88 bilhões.

Para os varejistas, a volatilidade econômica, a dificuldade de adaptação ágil às mudanças de mercado e o desafio de acompanhar as oscilações no comportamento do consumidor intensificam os problemas relacionados ao desperdício de alimentos. Nesse cenário, 74% dos entrevistados afirmam que a inflação tornou mais difícil prever a demanda por carnes, enquanto 73% apontam um aumento na procura por porções menores ou alternativas à proteína animal. Em outras palavras, o contexto atual vem redesenhando o perfil de consumo: os consumidores passaram a optar por quantidades reduzidas e/ou por fontes de proteína mais acessíveis ao orçamento familiar, movimento que impacta diretamente tanto a rentabilidade quanto os níveis de desperdício no varejo. 

“Durante muito tempo, o desperdício de alimentos foi tratado quase exclusivamente como uma questão ambiental e social. Ele também envolve negócios e representa uma grande oportunidade, tanto globalmente como no Brasil. Os US$540 bilhões em valor perdido devem servir como um claro chamado à ação para que a cadeia de suprimentos do varejo alimentício reduza perdas e aumente a eficiência, explica Flavio Marqués. 

Para saber mais sobre as ações que podem ser adotadas por líderes da cadeia de suprimentos, varejo alimentício e indústria para enfrentar o desperdício de alimentos, baixe o relatório completo: Link


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