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O interesse de brasileiros em viver, estudar
ou trabalhar nos Estados Unidos segue em alta. No entanto, erros considerados
básicos ainda comprometem pedidos logo no início do processo — muitas vezes com
impactos que vão além de uma simples negativa.
Dados do Departamento de Estado indicam que
a taxa de recusa para vistos de turismo B1/B2 para brasileiros subiu de 11,94%
em 2023 para 15,48% em 2024. O aumento reflete um ambiente mais criterioso,
especialmente na análise de consistência das informações apresentadas.
Apesar da percepção comum de lentidão, o
sistema não está paralisado. Em março de 2026, o tempo médio de espera para
entrevistas em São Paulo gira em torno de um mês para vistos de turismo, sendo
ainda menor para categorias como estudo e intercâmbio. Na prática, o principal
obstáculo tem sido o preparo do solicitante.
Segundo o advogado de imigração Murtaz
Navsariwala, o problema mais recorrente começa antes mesmo do agendamento.
“Grande parte das negativas não ocorre por falta de elegibilidade, mas por
desalinhamento entre o objetivo do candidato e o tipo de visto escolhido. O
sistema é técnico e previsível — quando há preparo adequado, os riscos diminuem
consideravelmente.”
O uso indevido do visto de turismo é um
exemplo frequente. Essa categoria não permite estudo formal, trabalho ou
permanência prolongada. Ainda assim, é comum que seja utilizada como tentativa
de entrada para finalidades que não correspondem às regras, o que tende a ser
identificado durante a entrevista consular.
Quando há inconsistência, o pedido pode ser
negado — e, em situações mais sensíveis, o impacto pode se estender para
futuras tentativas.
“Informações inconsistentes ou imprecisas
podem gerar questionamentos adicionais e, dependendo do caso, afetar o
histórico migratório. Por isso, a transparência e a coerência são fundamentais
em todo o processo”, explica Murtaz.
Outro ponto crítico está na documentação.
Desde julho de 2025, candidatos a vistos de imigrante que comparecem ao
consulado sem todos os documentos obrigatórios não são entrevistados e precisam
reagendar, retornando ao fim da fila.
Além disso, o avanço das ferramentas de
verificação ampliou o nível de análise. Desde 2026, a presença digital dos
candidatos passou a integrar a triagem consular, incluindo a avaliação de redes
sociais.
Nesse contexto, a consistência entre o que
é declarado e o que é publicamente exposto ganha ainda mais relevância. “Hoje,
o processo não é apenas documental. Existe uma análise de narrativa. O que o
candidato apresenta precisa ser coerente em todos os aspectos”, afirma o
advogado.
A pressa também tem contribuído para
decisões equivocadas. Casos de pedidos de asilo sem base consistente ou
estratégias improvisadas de permanência tendem a enfrentar maior resistência em
um cenário mais rigoroso.
Ainda assim, o Murtaz reforça que o sistema
migratório dos Estados Unidos não sofreu mudanças estruturais recentes — o que
houve foi um aumento no nível de exigência.
“As regras continuam essencialmente as
mesmas. O que mudou foi a forma como elas são verificadas. Com planejamento,
informação confiável e orientação adequada, o processo se torna muito mais
seguro e previsível.”
Murtaz Navsariwala e o Murtaz Law
Advogado especializado em imigração para os Estados Unidos, Murtaz Navsariwala combina formação em Economia e História pela Northwestern University com doutorado em Direito pela Indiana University Bloomington. Com 18 anos de atuação na área, e uma taxa de aprovação de 99,5%, Murtaz lidera o Murtaz Law, escritório sediado em Illinois (EUA) e reconhecido por sua excelência em vistos de trabalho, com destaque para o EB-2 NIW. Sua formação multidisciplinar, que combina Direito, Economia e História, contribui para uma abordagem sistêmica e estratégica dos temas migratórios, oferecendo interpretações claras e fundamentadas mesmo diante de assuntos complexos ou controversos.

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