Durante décadas, a gestão de shopping
centers no Brasil foi orientada por um eixo central: contratos, ocupação e
inadimplência. Esse modelo funcionou bem em um ambiente de demanda crescente,
pouca transparência de dados e menor pressão competitiva.
Mas esse cenário mudou.
Hoje, o diferencial de um shopping não está
apenas no mix ou na localização, mas na sua capacidade de extrair performance
dos lojistas de forma estruturada, contínua e baseada em dados. Estamos
entrando na era da gestão orientada à performance operacional.
O shopping deixa de ser apenas um gestor de
contratos e passa a atuar como uma plataforma ativa de geração de resultado.
Os
4 pilares da nova gestão de performance
Esse novo modelo se sustenta em quatro
pilares que permitem entender, de ponta a ponta, a eficiência de cada loja.
Monitoramento
de fluxo: da vitrine à conversão
Não basta medir o fluxo do shopping. É necessário acompanhar o fluxo em frente à loja, a taxa de entrada e a conversão em vendas. Isso permite identificar problemas de atratividade, abordagem comercial e eficiência de venda, transformando a percepção em diagnóstico objetivo.
Monitoramento
de abastecimento
O controle de docas passa a ser uma
ferramenta estratégica. A análise da frequência de entregas, dos volumes e da
regularidade de abastecimento permite identificar lojas desabastecidas, falhas
logísticas e desalinhamento com a demanda. Muitas vezes, o problema de vendas
não está no fluxo, mas na falta de produto.
Monitoramento
de pricing
O posicionamento de preço precisa ser
acompanhado de forma ativa. É fundamental validar se os produtos estão
alinhados ao público do shopping e se estão competitivos em relação ao mercado.
O uso de dados permite corrigir distorções rapidamente e evitar perda de vendas
por desalinhamento de preço.
Visual
merchandising e execução de loja
A qualidade da vitrine, organização
interna, padrão das instalações e atendimento continuam sendo determinantes. A
diferença é que agora esses fatores passam a ser monitorados de forma
estruturada e conectados aos indicadores de fluxo e conversão.
O
papel da Inteligência Artificial
Coletar dados deixou de ser o desafio. O
novo desafio é saber como agir. A Inteligência Artificial permite cruzar
informações de fluxo, estoque, pricing e execução, identificar padrões de baixa
performance e gerar alertas automáticos sobre quais lojistas precisam de
atenção imediata. Sai o modelo generalista. Entra a gestão por exceção
inteligente.
Contratos
são importantes, mas não suficientes
A gestão contratual segue sendo relevante,
mas deixa de ser o centro da operação. O foco passa a ser produtividade,
vendas, conversão e geração de valor por metro quadrado. O contrato passa a ser
um instrumento — não o objetivo.
Do
conflito à construção conjunta de resultado
A maior transformação é cultural. A relação
entre shopping e lojista deixa de ser baseada em justificativas e passa a ser
orientada por dados. As discussões evoluem para diagnósticos objetivos, planos
de ação claros e metas acompanhadas de forma contínua. Sai o “empurra-empurra”.
Entra a gestão colaborativa de performance.
Conclusão
Os shoppings que continuarem operando
apenas como gestores de contratos tendem a perder relevância. Já aqueles que
evoluírem para plataformas de performance terão lojistas mais saudáveis, maior
geração de resultados e melhor experiência para o consumidor.
Essa transformação exige investimento em
tecnologia, ferramentas de monitoramento e, principalmente, capacitação das
equipes.
O futuro do setor não será definido por
quem tem o melhor ativo, mas por quem consegue extrair o melhor desempenho de
cada lojista.
Francisco José Ritondaro - sócio-diretor da Gouvêa Malls, divisão da Gouvêa Ecosystem, economista, pós-graduado em Administração, ex-CEO da General Shopping & Outlets do Brasil e especialista em estratégia, governança e performance de shopping centers e outlets. Com mais de 30 anos de experiência executiva, hoje atua como mentor de CEOs, consultor e conselheiro, acompanhando transformações na indústria de shopping centers, no varejo, no consumo e na gestão de negócios.
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