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quarta-feira, 1 de abril de 2026

Mais de 2,4 milhões de brasileiros apresentam autismo: saiba quais sinais observar nos primeiros anos da infância

Especialistas apontam importância de intervenção precoce para promover autonomia e reduzir barreiras de aprendizagem


 

Mais de 2,4 milhões de brasileiros declararam apresentar transtorno do espectro autista (TEA), segundo o Censo Demográfico de 2022 do IBGE, o equivalente a cerca de 1,2% da população. Especialistas, no entanto, avaliam que o número pode estar subestimado, já que muitos casos ainda não são diagnosticados, em um cenário de acesso desigual à avaliação no país.

Da suspeita à confirmação, o caminho até o diagnóstico ainda é longo e, muitas vezes, desafiador para as famílias. Os primeiros sinais do autismo podem surgir antes dos dois anos de idade, mas nem sempre são facilmente reconhecidos. Por isso, o olhar atento de cuidadores e profissionais da educação é fundamental para indicar o momento de buscar avaliação especializada.


Confira abaixo alguns dos principais sinais a serem observados no caso de suspeita de autismo:


Sinais em bebês (0 a 12 meses)

·  Pouco ou nenhum contato visual;

·  Falta de expressões faciais, como sorrisos sociais;

·  Resposta limitada ou ausente ao próprio nome;

·  Baixo interesse em interações sociais, como brincadeiras de imitação.


Sinais entre 1 e 2 anos

·  Ausência ou atraso significativo na fala e no balbucio;

·  Dificuldade em apontar objetos de interesse;

·  Pouca ou nenhuma resposta emocional a outras pessoas;

·  Movimentos repetitivos, como balançar o corpo ou agitar as mãos.


Entre 2 e 4 anos

·  Preferência por brincar sozinho em vez de interagir com outras crianças;

·  Hipersensibilidade ou falta de reação a estímulos sensoriais (sons, texturas, luzes intensas);

·  Dificuldade em compreender expressões faciais e emoções de outras pessoas;

·  Fixação em interesses específicos e rotina rigidamente estabelecida.

 

Sem ter conhecimento das características do TEA, Simone Pereira Silva, mãe de José Arthur, hoje com 7 anos, associou o atraso na fala do menino, nascido durante a pandemia de Covid, ao isolamento social. A suspeita de TEA só aconteceu quando o menino completou 3 anos e meio, após a entrada na creche.

“Na creche me recomendaram investigar, pois ele seguia não falando e pouco socializava com as outras crianças. Começamos com atendimento em um posto de saúde e também agendei terapias com profissionais particulares, através do convênio. Foi um período intenso. Estávamos sempre em busca de informações e esclarecimentos", relembra.

Ela conta que também se sentiu pressionada pela escola, que cobrava avanços do menino e exigia um diagnóstico com laudo. “Eu ainda estava nessa caminhada de buscar ajuda e investigar exatamente o que meu filho tinha. Foram muitos atritos”, acrescenta.

A pressão por respostas crescia enquanto a família ainda buscava compreender o que estava acontecendo. O cenário começou a mudar em 2023, quando Simone passou por consultas com especialistas no Hospital e Maternidade Sepaco, especializado no atendimento materno-infantil. Durante o acompanhamento, foi informada de que a instituição estava prestes a inaugurar um Centro de Terapia ABA, em Mogi das Cruzes, voltado ao atendimento de pessoas com transtorno do espectro autista. 

Diante da perspectiva de um cuidado mais estruturado e integrado, ela decidiu aguardar. E, quando o espaço abriu as portas, em junho de 2023, ela e o filho estavam lá, já no primeiro dia de funcionamento.

Desde então, José Arthur passou a frequentar o Centro, onde hoje vai três vezes na semana, o que possibilitou avanço na investigação e a confirmação do diagnóstico com emissão do laudo.

“Quando recebi o diagnóstico senti até um alívio, pois sabia que ele seria acompanhado e teria todo o suporte necessário para se desenvolver”, conta. 

Com o início de intervenções mais direcionadas, Simone percebeu mudanças importantes no desenvolvimento do filho. 

“Ele melhorou muito. A mudança foi nítida. É um processo de degrau a degrau, mas quando se olha para trás, em um ano, o quanto ele evoluiu…é gratificante”, comemora Simone. 

A coordenadora do Centro de Terapia ABA, Adriana Faria Pereira, faz coro aco comemorar os avanços notados em Arthur após o início das terapias:

“Foi possível observar evolução na interação social e na comunicação, assim como em pré-requisitos básicos como sentar e permanecer sentado, fazer e manter contato visual, pedir itens e ações a terceiros, nomear ações, engajar-se espontaneamente em brincadeiras de faz de conta, além de melhora na coordenação motora grossa e fina”, avalia ela.

De acordo com a profissional, a intervenção precoce pode fazer diferença significativa no desenvolvimento da criança, mesmo antes da confirmação do diagnóstico.

“Monitorar o desenvolvimento favorece a adoção de estratégias para prevenir atrasos e possibilita intervenções mais eficazes. Especialmente em casos de TEA, não é necessário aguardar um diagnóstico formal para iniciar o acompanhamento”, explica a profissional, ressaltando que o acompanhamento multidisciplinar, com participação de psicólogos, fonoaudiólogos, psicopedagogos, terapeutas ocupacionais, psicomotricistas e especialistas em ABA, é fundamental, assim como a participação da família. 

 

Centro de Terapia ABA


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