Especialistas apontam importância de intervenção precoce para promover autonomia e reduzir barreiras de aprendizagem
Mais de 2,4 milhões de brasileiros declararam apresentar
transtorno do espectro autista (TEA), segundo o Censo Demográfico de 2022 do
IBGE, o equivalente a cerca de 1,2% da população. Especialistas, no entanto,
avaliam que o número pode estar subestimado, já que muitos casos ainda não são
diagnosticados, em um cenário de acesso desigual à avaliação no país.
Da
suspeita à confirmação, o caminho até o diagnóstico ainda é longo e, muitas
vezes, desafiador para as famílias. Os primeiros sinais do autismo podem surgir
antes dos dois anos de idade, mas nem sempre são facilmente reconhecidos. Por
isso, o olhar atento de cuidadores e profissionais da educação é fundamental
para indicar o momento de buscar avaliação especializada.
Confira
abaixo alguns dos principais sinais a serem observados no caso de suspeita de
autismo:
Sinais em
bebês (0 a 12 meses)
·
Pouco ou nenhum contato visual;
·
Falta de expressões faciais, como sorrisos sociais;
·
Resposta limitada ou ausente ao próprio nome;
·
Baixo interesse em interações sociais, como brincadeiras de
imitação.
Sinais
entre 1 e 2 anos
·
Ausência ou atraso significativo na fala e no balbucio;
·
Dificuldade em apontar objetos de interesse;
·
Pouca ou nenhuma resposta emocional a outras pessoas;
·
Movimentos repetitivos, como balançar o corpo ou agitar as mãos.
Entre 2 e
4 anos
·
Preferência por brincar sozinho em vez de interagir com outras
crianças;
·
Hipersensibilidade ou falta de reação a estímulos sensoriais
(sons, texturas, luzes intensas);
·
Dificuldade em compreender expressões faciais e emoções de outras
pessoas;
·
Fixação em interesses específicos e rotina rigidamente
estabelecida.
Sem ter
conhecimento das características do TEA, Simone Pereira Silva, mãe de José
Arthur, hoje com 7 anos, associou o atraso na fala do menino, nascido durante a
pandemia de Covid, ao isolamento social. A suspeita de TEA só aconteceu quando
o menino completou 3 anos e meio, após a entrada na creche.
“Na
creche me recomendaram investigar, pois ele seguia não falando e pouco
socializava com as outras crianças. Começamos com atendimento em um posto de saúde
e também agendei terapias com profissionais particulares, através do convênio.
Foi um período intenso. Estávamos sempre em busca de informações e
esclarecimentos", relembra.
Ela conta
que também se sentiu pressionada pela escola, que cobrava avanços do menino e
exigia um diagnóstico com laudo. “Eu ainda estava nessa caminhada de buscar
ajuda e investigar exatamente o que meu filho tinha. Foram muitos atritos”,
acrescenta.
A pressão
por respostas crescia enquanto a família ainda buscava compreender o que estava
acontecendo. O cenário começou a mudar em 2023, quando Simone passou por
consultas com especialistas no Hospital e Maternidade Sepaco, especializado no
atendimento materno-infantil. Durante o acompanhamento, foi informada de que a
instituição estava prestes a inaugurar um Centro de Terapia ABA, em Mogi das
Cruzes, voltado ao atendimento de pessoas com transtorno do espectro
autista.
Diante da
perspectiva de um cuidado mais estruturado e integrado, ela decidiu aguardar.
E, quando o espaço abriu as portas, em junho de 2023, ela e o filho estavam lá,
já no primeiro dia de funcionamento.
Desde
então, José Arthur passou a frequentar o Centro, onde hoje vai três vezes na
semana, o que possibilitou avanço na investigação e a confirmação do
diagnóstico com emissão do laudo.
“Quando
recebi o diagnóstico senti até um alívio, pois sabia que ele seria acompanhado
e teria todo o suporte necessário para se desenvolver”, conta.
Com o
início de intervenções mais direcionadas, Simone percebeu mudanças importantes
no desenvolvimento do filho.
“Ele
melhorou muito. A mudança foi nítida. É um processo de degrau a degrau, mas
quando se olha para trás, em um ano, o quanto ele evoluiu…é gratificante”, comemora
Simone.
A
coordenadora do Centro de Terapia ABA, Adriana Faria Pereira, faz coro aco
comemorar os avanços notados em Arthur após o início das terapias:
“Foi
possível observar evolução na interação social e na comunicação, assim como em
pré-requisitos básicos como sentar e permanecer sentado, fazer e manter contato
visual, pedir itens e ações a terceiros, nomear ações, engajar-se
espontaneamente em brincadeiras de faz de conta, além de melhora na coordenação
motora grossa e fina”, avalia ela.
De acordo
com a profissional, a intervenção precoce pode fazer diferença significativa no
desenvolvimento da criança, mesmo antes da confirmação do diagnóstico.
“Monitorar
o desenvolvimento favorece a adoção de estratégias para prevenir atrasos e
possibilita intervenções mais eficazes. Especialmente em casos de TEA, não é
necessário aguardar um diagnóstico formal para iniciar o acompanhamento”,
explica a profissional, ressaltando que o acompanhamento multidisciplinar, com
participação de psicólogos, fonoaudiólogos, psicopedagogos, terapeutas
ocupacionais, psicomotricistas e especialistas em ABA, é fundamental, assim
como a participação da família.
Centro de
Terapia ABA

Nenhum comentário:
Postar um comentário