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A transição da Educação Infantil para o Ensino Fundamental tem se
consolidado como um dos momentos mais sensíveis da jornada escolar, exigindo um
olhar mais estruturado de escolas e famílias para o acolhimento das crianças.
Dados da UNESCO apontam que cerca de 90% do desenvolvimento cerebral ocorre até
os 5 anos, sendo fundamental o ensino na primeira infância e, consequentemente,
no momento do letramento no ensino fundamental.
Dados recentes do levantamento “Retrato da Educação Infantil
2025”, do MEC, mostram que o país alcançou cerca de 5,3 milhões de matrículas
na pré-escola em 2024, crescimento de 8% na última década. Apesar disso, o
acesso ainda não é universal: 94,6% das crianças de 4 a 5 anos estão na escola,
o que significa que mais de 329 mil seguem fora dessa etapa obrigatória.
Esse contexto reforça a importância de olhar com atenção para o
momento de transição entre etapas. Segundo Adriana Gobbo, diretora da unidade
Jabaquara do Colégio Anglo Leonardo da Vinci, essa passagem envolve mudanças profundas — pedagógicas,
sociais e emocionais — e não deve ser tratada como uma ruptura, mas como um
processo contínuo de desenvolvimento.
“A transição da Educação Infantil para o Ensino Fundamental
precisa ser planejada como uma continuidade. Estamos falando de crianças que
ainda estão em um processo intenso de desenvolvimento emocional e social, e
qualquer mudança brusca pode impactar diretamente sua relação com o
aprendizado. Por isso, o acolhimento deve ser intencional, estruturado e sensível
às necessidades individuais de cada aluno”, explica Adriana.
Além da adaptação da criança ao novo ambiente, a especialista
aponta que o acolhimento precisa envolver toda a comunidade escolar,
especialmente as famílias. Para ela, quanto maior o sentimento de pertencimento
da criança ao novo grupo, mais fluida tende a ser sua adaptação.
Na prática, isso exige que as escolas adotem estratégias
estruturadas para esse período, como aponta Fernanda Ferrari, diretora da
unidade Alphaville: “É fundamental que haja integração entre os professores da
Educação Infantil e do Ensino Fundamental, para garantir continuidade
pedagógica. A criação de momentos de transição, como visitas às novas salas,
adaptação gradual e projetos interdisciplinares, também contribui para reduzir
a ansiedade e tornar esse processo mais natural”.
Já a comunicação ativa com as famílias ajuda a entender o que vai
mudar na rotina e no desenvolvimento da criança, além de se tornarem aliados no
processo. Para isso, é necessário reuniões de alinhamento, orientações claras e
acompanhamento próximo, que faz a diferença.
“Valorizar as conquistas da criança e manter uma rotina previsível
ajudam a fortalecer o sentimento de segurança. Também é importante escutar o
pequeno e acolher suas emoções, sem minimizar medos ou expectativas. Quando há
coerência entre o que a escola propõe e o que a família reforça em casa, a
criança se sente mais segura para enfrentar o novo. O acolhimento não acontece
apenas na sala de aula, ele é construído em rede”, conclui Ferrari.
Inspira Rede de Educadores

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