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quarta-feira, 1 de abril de 2026

Acolhimento na transição da Educação Infantil exige alinhamento entre escolas e famílias

 

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Especialista reforça que a adaptação entre etapas deve ser planejada e centrada no vínculo com a criança; Veja as orientações

 

A transição da Educação Infantil para o Ensino Fundamental tem se consolidado como um dos momentos mais sensíveis da jornada escolar, exigindo um olhar mais estruturado de escolas e famílias para o acolhimento das crianças. Dados da UNESCO apontam que cerca de 90% do desenvolvimento cerebral ocorre até os 5 anos, sendo fundamental o ensino na primeira infância e, consequentemente, no momento do letramento no ensino fundamental. 

Dados recentes do levantamento “Retrato da Educação Infantil 2025”, do MEC, mostram que o país alcançou cerca de 5,3 milhões de matrículas na pré-escola em 2024, crescimento de 8% na última década. Apesar disso, o acesso ainda não é universal: 94,6% das crianças de 4 a 5 anos estão na escola, o que significa que mais de 329 mil seguem fora dessa etapa obrigatória. 

Esse contexto reforça a importância de olhar com atenção para o momento de transição entre etapas. Segundo Adriana Gobbo, diretora da unidade Jabaquara do Colégio Anglo Leonardo da Vinci, essa passagem envolve mudanças profundas — pedagógicas, sociais e emocionais — e não deve ser tratada como uma ruptura, mas como um processo contínuo de desenvolvimento. 

“A transição da Educação Infantil para o Ensino Fundamental precisa ser planejada como uma continuidade. Estamos falando de crianças que ainda estão em um processo intenso de desenvolvimento emocional e social, e qualquer mudança brusca pode impactar diretamente sua relação com o aprendizado. Por isso, o acolhimento deve ser intencional, estruturado e sensível às necessidades individuais de cada aluno”, explica Adriana. 

Além da adaptação da criança ao novo ambiente, a especialista aponta que o acolhimento precisa envolver toda a comunidade escolar, especialmente as famílias. Para ela, quanto maior o sentimento de pertencimento da criança ao novo grupo, mais fluida tende a ser sua adaptação. 

Na prática, isso exige que as escolas adotem estratégias estruturadas para esse período, como aponta Fernanda Ferrari, diretora da unidade Alphaville: “É fundamental que haja integração entre os professores da Educação Infantil e do Ensino Fundamental, para garantir continuidade pedagógica. A criação de momentos de transição, como visitas às novas salas, adaptação gradual e projetos interdisciplinares, também contribui para reduzir a ansiedade e tornar esse processo mais natural”. 

Já a comunicação ativa com as famílias ajuda a entender o que vai mudar na rotina e no desenvolvimento da criança, além de se tornarem aliados no processo. Para isso, é necessário reuniões de alinhamento, orientações claras e acompanhamento próximo, que faz a diferença. 

“Valorizar as conquistas da criança e manter uma rotina previsível ajudam a fortalecer o sentimento de segurança. Também é importante escutar o pequeno e acolher suas emoções, sem minimizar medos ou expectativas. Quando há coerência entre o que a escola propõe e o que a família reforça em casa, a criança se sente mais segura para enfrentar o novo. O acolhimento não acontece apenas na sala de aula, ele é construído em rede”, conclui Ferrari.

 

Colégio Anglo Leonardo da Vinci

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