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quinta-feira, 2 de abril de 2026

Fake news preocupam especialistas e podem prejudicar o tratamento de crianças

Especialistas do Sabará Hospital Infantil tiram dúvidas sobre alergias e doenças respiratórias

 

A circulação de informações falsas ou distorcidas sobre cuidados respiratórios tem impacto direto na saúde infantil. Procedimentos simples, como a lavagem nasal, o uso correto da bombinha para asma ou o manejo adequado da tosse, ainda são cercados de temor e desinformação. Para esclarecer os principais mitos, especialistas reuniram evidências científicas e recomendações atualizadas. 

A Dra. Alessandra Miramontes, alergologista e imunologista do Sabará Hospital Infantil, explica que “mitos sobre lavagem nasal, asma e tosse continuam gerando dúvidas entre pais e cuidadores e podem comprometer o controle adequado de doenças respiratórias comuns na infância, dificultando as práticas seguras, eficazes e respaldadas pela ciência”. 

Para esclarecer algumas fake news sobre o tema, a especialista respondeu algumas dúvidas importantes.

 

Lavagem nasal causa otite em crianças?

Não há evidência científica de que a lavagem nasal cause ou piore a otite média; quando feita corretamente, ela pode ser benéfica, especialmente em crianças com rinite alérgica, ao ajudar a remover secreções, alérgenos e agentes infecciosos e melhorar a função mucociliar. Eventuais desconfortos ou sensação de ouvido tampado são raros e geralmente relacionados ao uso inadequado da técnica ou de dispositivos.

 

Existe uma técnica segura para a lavagem nasal?

A segurança da lavagem nasal depende da técnica correta, do dispositivo adequado e do volume compatível com a idade da criança, sendo recomendado o uso de solução salina isotônica, sem pressão excessiva. Crianças menores devem receber volumes baixos a moderados, enquanto escolares e adolescentes toleram maiores volumes, sempre respeitando o conforto e, nos mais pequenos, utilizando uma abordagem lúdica.

 

Lavagem nasal previne infecções respiratórias?

A lavagem nasal ajuda a limpar as vias aéreas e reduzir vírus, bactérias e alérgenos, mas não há evidência científica suficiente para indicá‑la como método de prevenção de infecções bacterianas, como a otite média. Ela é considerada uma terapia adjuvante, especialmente em quadros de rinite e rinossinusite viral, podendo, em casos específicos, haver indicação médica de soluções com xilitol, sempre com orientação profissional.

 

Bombinha para asma causa vício ou dependência?

Não. O uso de bombinhas para asma não causa dependência: os dispositivos atuais são seguros e não prejudicam o coração, inclusive em crianças. O mito surgiu quando, no passado, apenas broncodilatadores de alívio eram usados repetidamente nas crises; hoje sabe‑se que a asma é uma doença inflamatória crônica e que o tratamento de manutenção com corticoides inalados é essencial para controlar a inflamação e prevenir crises. O uso frequente da bombinha de alívio (mais de quatro vezes ao dia) indica falta de controle da doença e necessidade de reavaliação médica.

 

Quem tem asma deve evitar atividade física?

Mito. A prática de atividades físicas é recomendada e benéfica para pessoas com asma, desde que a doença esteja bem controlada. O exercício melhora a capacidade respiratória, o condicionamento físico e a qualidade de vida. Medidas simples, como aquecimento antes da atividade, relaxamento após o exercício e, em alguns casos, o uso de broncodilatador antes do esforço, ajudam a prevenir sintomas. A asma não é uma barreira para o esporte há, inclusive, atletas de alto rendimento asmáticos.

 

Qual é o melhor remédio para tosse em crianças?

A tosse não é uma doença, mas um mecanismo de defesa do organismo. Na maioria dos casos, especialmente nas infecções virais, xaropes vendidos sem prescrição médica não trazem benefício comprovado e podem causar efeitos adversos.

O mais importante é investigar a causa da tosse. Medidas simples, como hidratação, lavagem nasal, inalação com soro fisiológico e controle do ambiente (evitar fumaça e poluição), costumam ser suficientes.

 

Mel e fitoterápicos são seguros para tratar tosse?

Alguns fitoterápicos têm evidência científica moderada. O mel, por exemplo, demonstrou redução da frequência da tosse em crianças maiores de 1 ano e é considerado seguro quando usado corretamente. Extratos de folhas de hera também apresentam bons resultados, desde que respeitada a idade mínima indicada.

Por outro lado, medicamentos homeopáticos não demonstraram eficácia comprovada no tratamento da tosse.

 

Prednisolona é um xarope para tosse?

Não. A prednisolona é um corticoide oral indicado principalmente para exacerbações de asma. Seu uso indiscriminado para tosse deve ser desencorajado, devido ao risco de efeitos colaterais importantes, especialmente quando utilizado sem indicação médica. 

“Combat­er fake news em saúde é fundamental para garantir tratamentos seguros e eficazes. Procure sempre por orientação médica qualificada e informação baseada em evidência científica, pois elas são as principais aliadas das famílias no cuidado com a saúde respiratória das crianças mantendo a infância saudável durante todo seu desenvolvimento”, afirma a Dra. Alessandra.

 

Sabará Hospital Infantil


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