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sexta-feira, 10 de abril de 2026

Doenças respiratórias em crianças: como identificar casos graves no outono

Com aumento de casos, pediatras do Hospital Santa Catarina - Paulista explicam como identificar quadros graves, como bronquiolite e pneumonia, e destacam a importância da vacinação

 

Com a chegada do outono, cresce o número de casos de doenças respiratórias em crianças. Dados recentes já apontam aumento nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), impulsionados principalmente por vírus como rinovírus, influenza e o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), principal causador da bronquiolite. 

“As condições típicas do outono, como o ar mais seco e a maior permanência em ambientes fechados, favorecem a transmissão de vírus. Nas crianças, esse impacto tende a ser mais significativo, o sistema imunológico ainda está em desenvolvimento e as vias respiratórias possuem características anatômicas e funcionais que favorecem o aparecimento de infecções”, explica a pediatra do Hospital Santa Catarina - Paulista, Dra. Patrícia Rolli. 

Historicamente, entre 64% e 70% das internações por bronquiolite no Brasil ocorrem entre outono e inverno. Bebês menores de 1 ano concentram a maior parte dos casos e são também os mais vulneráveis às formas graves. Diante desse cenário, a orientação é clara: observar a evolução dos sintomas e buscar atendimento ao notar sinais de piora. 

“Doenças respiratórias são esperadas, mas não devem ser subestimadas. A maioria dos casos pode ser cuidada em casa com atenção e hidratação, mas é preciso reconhecer os sinais de alerta, especialmente em bebês. Vacine, higienize as mãos, amamente sempre que possível e, diante de dúvidas sobre a respiração, procure ajuda”, recomenda a especialista.

 

De resfriado a bronquiolite

A bronquiolite é uma condição típica da primeira infância (especialmente bebês abaixo de 2 anos). Pode ser causada por vários vírus, sendo o principal agente o VSR. Na maioria dos casos, as infecções começam de forma leve, com sintomas semelhantes aos de um resfriado comum, como coriza, espirros e febre baixa. No entanto, em bebês e crianças pequenas, esse quadro pode evoluir rapidamente. 

Geralmente começa como um resfriado, mas entre o terceiro e o quinto dia pode surgir dificuldade respiratória. O pico costuma ocorrer entre o quinto e o sétimo dia e pode exigir internação. Identificar sinais de agravamento é essencial. “Se a respiração parece diferente do habitual, mais acelerada ou com esforço, é preciso buscar atendimento”, orienta Dra. Patrícia. Bebês menores de 3 meses, prematuros e crianças com doenças crônicas fazem parte do grupo de risco e exigem atenção redobrada. Sinais de alerta:

  • Respiração rápida ou com esforço
  • Chiado no peito
  • Dificuldade para mamar ou se alimentar
  • Sonolência excessiva ou pouca reação
  • Lábios ou unhas arroxeados


Pneumonia: atenção aos sinais

A pneumonia é uma das principais complicações das infecções respiratórias e pode surgir após quadros virais, comprometendo diretamente os pulmões. “Ela costuma se manifestar com febre persistente, prostração e aumento da frequência respiratória, mesmo quando a criança não está com febre”, explica a Dra. Simone Aguiar, pediatra Hospital Santa Catarina - Paulista. Entre os sinais de alerta estão:

  • Esforço respiratório, com “afundamento” das costelas
  • Batimento das asas do nariz
  • Gemido ao respirar
  • Coloração arroxeada nos lábios ou extremidades

“A vacinação é a estratégia mais eficaz para reduzir a incidência de pneumonias bacterianas graves. O cumprimento das doses da Vacina Pneumocócica Conjugada, além da vacinação anual contra a Influenza, que também previne complicações virais que evoluem para pneumonias bacterianas secundárias, devem estar sempre atualizadas”, reforça a médica.

 

O que realmente ajuda a proteger

Uma das novidades deste ano é a ampliação das estratégias de prevenção contra o VSR no Sistema Único de Saúde (SUS). Em 2025, gestantes passaram a ter acesso à vacina que protege o bebê durante a gestação. “É uma mudança com potencial de reduzir cerca de 28 mil internações e casos graves”, afirma a Dra. Patrícia. Já em 2026 crianças prematuras e com comorbidades passam a contam com um anticorpo específico contra o VSR. 

Além da vacinação, medidas simples continuam sendo fundamentais, como: higienizar as mãos com frequência, fazer lavagem nasal com soro fisiológico, manter a criança bem hidratada, evitar contato com pessoas doentes, manter ambientes ventilados e não expor crianças à fumaça de cigarro. Dra. Simone enfatiza que esses são cuidados básicos, mas que fazem diferença na prevenção e na recuperação das crianças. 

Quanto ao que não se deve fazer, as médicas pontuam que um dos erros mais comuns é medicar a criança sem avaliação e indicação médica. Bronquiolite e resfriados são doenças virais. Para estes casos, os antibióticos não funcionam e ainda podem causar resistência bacteriana. Outra conduta comum, e inadequada, é o uso de corticoides ou “bombinhas” por conta própria, os quais não têm benefício comprovado e podem gerar efeitos colaterais.  


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