Crescimento acompanha avanço da fertilização in vitro e mudanças no comportamento reprodutivo da população
O número de embriões congelados no Brasil cresceu 37%
entre 2022 e 2025, segundo dados do Sistema Nacional de Produção de Embriões
(SisEmbrio), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O total
passou de 104.693 embriões em 2022 para 144.080 em 2025, evidenciando uma
expansão contínua da reprodução assistida no país.
O aumento acompanha o crescimento dos ciclos de fertilização in
vitro (FIV), principal técnica utilizada no tratamento da infertilidade, e
também reflete mudanças no comportamento reprodutivo da população, como o
adiamento da maternidade.
De acordo com a ginecologista e presidente da Associação Mulher,
Ciência e Reprodução Humana do Brasil (AMCR), Profª Dra. Marise Samama, o
avanço está diretamente ligado ao aumento da procura pelos tratamentos.
“O aumento do número de ciclos de fertilização in vitro vem
trazendo, consequentemente, um crescimento no número de embriões congelados.
Muitos casais conseguem constituir família por meio da FIV, mas acabam ficando
com embriões excedentes”, explica.
Segundo a especialista, o maior acesso aos tratamentos também
contribui para esse cenário, especialmente em um contexto de maternidade mais
tardia.
“Sem dúvida há mais ciclos de FIV, mas o maior acesso ao tratamento
também favoreceu esse aumento. Hoje, os casais deixam para engravidar mais
tarde, o que aumenta as dificuldades e a necessidade de recorrer à reprodução
assistida”, afirma.
O congelamento de embriões tem se consolidado como parte do
planejamento reprodutivo de casais que passam por tratamentos de fertilidade. A
prática permite novas tentativas de gestação no futuro sem a necessidade de
repetir todo o processo.
Esse movimento também foi impulsionado por avanços tecnológicos
importantes nos últimos anos. A partir de 2012, a introdução da vitrificação aumentou
significativamente a taxa de sobrevivência dos óvulos e embriões após o
descongelamento, tornando o procedimento mais seguro e eficiente.
“Já começamos a ver casais que pensam na reprodução assistida como
uma forma mais segura de engravidar, especialmente quando há riscos genéticos
envolvidos”, diz.
Apesar dos avanços, o aumento no número de embriões armazenados
nas clínicas brasileiras levanta discussões sobre o destino desses materiais.
“É uma realidade, mas também um problema. Temos milhares de
embriões estocados nos laboratórios de reprodução, e muitos casais optam pelo
descarte. Isso acaba gerando questionamentos ético-religiosos”, destaca.
Outro fator que impacta esse cenário são as exigências
regulatórias para a doação de embriões, que incluem exames que nem sempre foram
realizados no momento da criopreservação.
A expectativa é de que a reprodução assistida continue em expansão
no Brasil, acompanhando mudanças sociais, como o adiamento da maternidade, e o
maior acesso às tecnologias reprodutivas.
AMCR – Associação Mulher, Ciência e Reprodução Humana do Brasil

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