Novas
tecnologias ampliam o conhecimento e permitem abordagens mais personalizadas,
mas especialistas reforçam: condição é multifatorial
No contexto do
Dia Mundial de Conscientização do Autismo, especialistas destacam como a
genética vem transformando a compreensão do Transtorno do Espectro Autista
(TEA). Embora não seja determinante, o fator genético tem papel relevante, com
concordância entre gêmeos de cerca de 80%. Hoje, exames já conseguem
identificar alterações em aproximadamente 40% desses casos, contribuindo para
uma compreensão maior do Transtorno, melhor acompanhamento clínico e orientação
às famílias.
Celebrado em 2
de abril, o Dia Mundial de Conscientização do Autismo coloca em pauta os
avanços científicos na compreensão do TEA, especialmente no campo da genética —
área que, nos últimos 20 anos, tem ampliado de forma significativa o
conhecimento sobre a condição, sem perder de vista seu caráter multifatorial do
transtorno.
Com o avanço
das tecnologias de análise do material genético, como o sequenciamento do Exoma
e do Genoma, pesquisadores passaram a investigar com mais profundidade quais
alterações estão presentes em pessoas com autismo e não são observadas em
indivíduos neurotípicos. Esse movimento consolidou uma nova fase da pesquisa,
marcada pela identificação de variantes genéticas associadas ao espectro.
Hoje, estima-se
que seja possível identificar, por meio de testes genéticos, alterações em
cerca de 40% desses casos — um avanço expressivo frente ao cenário de duas
décadas atrás. A identificação destas variantes têm impacto direto na prática
clínica e na condução dos casos.
Segundo o
Médico Geneticista Dr. Salmo Raskin, Diretor Científico da Sociedade Brasileira
de Genética Médica e Genômica, esse avanço permite uma nova abordagem no
entendimento do transtorno:
“Nos últimos 20
anos, a genética tem contribuído muito para o entendimento do autismo. Sabemos
que ele é uma condição multifatorial — ou seja, envolve múltiplos fatores, e a
genética é um deles. O componente genético é importante e está presente em
cerca de 80% dos casso, porém não é determinante. Nem toda pessoa com uma
determinada característica genética vai desenvolver autismo. Com o avanço das
tecnologias nas duas
últimas décadas, passamos a identificar quais alterações
genéticas estão presentes em pessoas com autismo e não em pessoas sem o
transtorno. Hoje, após cerca de 20 anos de pesquisa, conseguimos identificar,
por meio de exames genéticos, pelo menos 40% desses casos com base genética. E
isso é muito útil, porque permite comparar indivíduos com a mesma alteração
genética — não que estes terão trajetórias idênticas, mas podem apresentar um
autismo com características semelhantes.”
A partir dessas
descobertas, a genética passa a desempenhar papel estratégico na estratificação
dos casos e na personalização do acompanhamento clínico. A possibilidade de
agrupar indivíduos com alterações semelhantes abre caminho para uma medicina
mais precisa, baseada em perfis biológicos específicos.
Apesar dos
avanços, especialistas destacam que ainda há desafios importantes, como a
ampliação do acesso aos testes genéticos e a integração dessas informações na
rede de atenção à saúde. O conhecimento genético, quando aliado à avaliação
clínica e ao acompanhamento multidisciplinar, se consolida como uma ferramenta
essencial para promover diagnóstico mais precoce, intervenções mais eficazes e
melhor qualidade de vida para pessoas com TEA e suas famílias.
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