Pesquisar no Blog

terça-feira, 14 de abril de 2026

Agro digital exige novo perfil profissional e desafia estratégias de RH

 Setor que pode representar cerca de 29% do PIB brasileiro amplia demanda por talentos híbridos, movimento que já impacta as estratégias de recrutamento e desenvolvimento da Serasa Experian


O avanço da digitalização no campo está redesenhando o perfil profissional demandado pelo agronegócio brasileiro. Em um setor que pode representar cerca de 29,4% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional em 2025, segundo levantamento do Cepea/Esalq-USP em parceria com a CNA, cresce a busca por profissionais capazes de integrar conhecimento técnico em Ciências Agrárias com análise de dados, de ESG ou Conformidade Socioambiental, geotecnologias e leitura estratégica de mercado.

 

Embora o Brasil tenha ultrapassado a marca de 10 milhões de estudantes matriculados no ensino superior, segundo o Censo da Educação Superior 2024 (Inep/MEC), as graduações em Ciências Agrárias seguem atrás de cursos tradicionais em volume de matrículas. Ainda assim, o setor passa por uma transformação estrutural que amplia a relevância dessa formação, especialmente quando combinada a competências digitais.

 

Para a Gerente de Recursos Humanos da Serasa Experian, primeira e maior datatech do Brasil, Fernanda Guglielmi, o desafio para o RH vai além da contratação tradicional. “O agro digital está exigindo um perfil que combina formação técnica sólida com domínio de dados e visão estratégica. O mercado ainda forma esses profissionais de maneira mais segmentada, então parte do nosso trabalho é complementar essa formação internamente”, afirma.

 

Segundo Fernanda, a companhia intensificou o recrutamento em universidades com foco em Ciências Agrárias e Engenharia. “Nem sempre encontramos o perfil completo pronto. Por isso, investimos na capacitação contínua e no desenvolvimento de competências analíticas e digitais dentro das equipes”, explica.

 

O profissional híbrido ganha espaço

Esse movimento se reflete na própria estrutura da empresa. A incorporação da Agrosatélite ampliou a atuação da companhia em geoprocessamento aplicado ao agronegócio, tecnologia que utiliza imagens de satélite e análise espacial para mapear culturas, propriedades e uso da terra. Essas informações apoiam decisões de crédito, planejamento e avaliação de riscos, além de contribuir para o monitoramento de critérios socioambientais exigidos pelo mercado.

 

É nesse contexto que profissionais formados em Agronomia vêm ampliando seu espaço em áreas que combinam conhecimento técnico e inteligência de dados. Um exemplo dessa convergência é a trajetória de Gabriel Ferro, Analista de Geoprocessamento Júnior na equipe de Maps Generation da vertical de Agrobusiness da Serasa Experian. Formado em Agronomia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), ele atua na interpretação, no mapeamento e na geração de dados primários sobre as principais culturas agrícolas no Brasil e em outros países.

 

Durante o Ensino Médio, Gabriel pesquisou diferentes possibilidades antes de definir a carreira. “Primeiro entendi quais áreas eu não seguiria. Depois busquei aquelas que tinham mercado consolidado e que se alinhavam ao meu interesse por aprender e evoluir continuamente”, conta. A multidisciplinaridade da Agronomia foi determinante. “Sempre me chamou atenção como solo, clima, planta e manejo estão conectados e influenciam diretamente a produtividade. Essa visão sistêmica fez sentido para mim.”

 

Hoje, sua atuação conecta vivência de campo e análise técnica à geração de bases territoriais estruturadas. Gabriel interpreta imagens, cruza informações agronômicas e organiza dados que apoiam análises estratégicas do setor. “O conhecimento prático das culturas, do calendário agrícola e das características regionais melhora a qualidade da interpretação. Entender o campo contribui diretamente para a consistência dos dados finais”, explica.

 

Mercado em transformação e novas demandas de talento

A integração entre produção, tecnologia e inteligência analítica já impacta diretamente as estratégias de recrutamento no setor. Na própria Serasa Experian, a ampliação da vertical de Agronegócio tem reforçado a necessidade de profissionais com domínio de geoprocessamento, análise de dados e leitura territorial aplicada ao mercado. Esse movimento acompanha uma tendência mais ampla observada no mercado de trabalho. O relatório “Empregos em Alta 2026”, divulgado pelo LinkedIn, aponta cargos ligados à ciência agrária e análise de dados entre os que mais cresceram no Brasil nos últimos três anos.

 

Para Fernanda, isso significa repensar continuamente recrutamento e desenvolvimento. “Estamos falando de um profissional que transita entre campo, tecnologia e estratégia. Essa combinação amplia a capacidade das empresas de tomar decisões mais precisas e sustentáveis.”

 

Além disso, diretrizes da Embrapa para agricultura digital indicam que tecnologias como sensores conectados, drones e imagens de satélite vêm se consolidando na rotina produtiva. No contexto do crédito rural, essas ferramentas também apoiam análises de risco territorial e critérios socioambientais.

 

Para Gabriel, a atualização constante é parte do processo. “Buscar cursos complementares e acompanhar as diferentes frentes do agro é fundamental. O conhecimento técnico e prático se soma ao longo da carreira”, afirma.

 

Com mais de 5,2 mil colaboradores no Brasil, a Serasa Experian atua em soluções de inteligência para análise de riscos e oportunidades em diversos setores da economia. Em 2025, foi novamente certificada pelo Great Place to Work (GPTW) e reconhecida em rankings voltados à experiência de jovens profissionais, como o Best Internship Experiences (BIE) e o Employers For Youth (EFY).

 

No cenário internacional, a Experian integra listas globais de melhores ambientes de trabalho e mantém operações em mais de 30 países, sendo nomeada uma das “World’sx’ Best Workplaces™”, em reconhecimento concedido pela Great Place To Work® em parceria com a revista Fortune. Em inovação, a companhia foi premiada pelo terceiro ano consecutivo no “Prêmio Valor Inovação”, como a mais inovadora na categoria “Serviços”, além de integrar a lista das “100 Empresas Mais Inovadoras no Uso de TI”, do IT Forum.

 

Experian
experianplc.com



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados