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No mês de conscientização do autismo, especialistas explicam a condição e destacam os principais direitos das pessoas autistas no país O aumento dos diagnósticos de
Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem colocado o tema no centro das
discussões entre famílias, educadores e profissionais de saúde. Dados
recentes do Centers for Disease Control and Prevention(CDC) indicam que 1 em
cada 31 crianças é diagnosticada com o transtorno, enquanto a Organização
Mundial da Saúde (OMS) estima cerca de 70 milhões de pessoas com TEA no
mundo, sendo aproximadamente 2 milhões no Brasil. Outro levantamento, desta
vez do GetNinjas, aponta que, entre janeiro e fevereiro de 2026, a busca por
suporte pedagógico especializado cresceu 41%, impulsionada por demandas
relacionadas ao autismo e outros transtornos do neurodesenvolvimento. Apesar dos avanços na
conscientização, ainda há desafios importantes no acesso ao diagnóstico
precoce, tratamento adequado e inclusão social. Dr. Rodrigo Eustáquio, médico
e professor da pós-graduação em Psiquiatria da Afya Vitória, explica que o
TEA é um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta principalmente a
comunicação, a interação social e o comportamento, podendo envolver rigidez
cognitiva e padrões repetitivos. Ele ressalta que o diagnóstico não deve ser
visto como um rótulo. “O diagnóstico deve ser entendido como uma porta de
entrada para o cuidado, para a construção de um plano terapêutico e para o
acesso a direitos fundamentais, como saúde, educação e inclusão”, afirma. O especialista também destaca
que o autismo “não é uma doença, mas uma característica da pessoa”, e que não
há um padrão único, já que cada indivíduo apresenta diferentes níveis de
suporte, habilidades e desafios. Nesse contexto, ele alerta para a
importância de evitar comparações e combater estigmas, lembrando que
dificuldades de interação social não significam falta de interesse, mas sim
barreiras que precisam ser compreendidas e trabalhadas. Dr. Rodrigo também chama
atenção para aspectos como a sensibilidade sensorial, comum em pessoas com
TEA, que pode impactar a adaptação a ambientes com excesso de estímulos, como
barulho, luz ou determinadas texturas. Segundo ele, essas características
devem ser respeitadas e consideradas no processo de inclusão. “Intervenções
precoces ajudam a desenvolver habilidades, melhorar a comunicação e promover
autonomia”, explica o profissional, destacando que o foco deve estar no
desenvolvimento progressivo da independência, com respeito às
individualidades. Na saúde mental, o tratamento
do TEA deve ser individualizado, considerando idade, nível de suporte e
principais desafios de cada pessoa. Segundo a Dra. Mariana Ramos, professora
de psicologia da Afya Centro Universitário Itaperuna, as principais abordagens
são a Análise do Comportamento Aplicada (ABA); terapias de comunicação,
incluindo fonoaudiologia e o uso de sistemas como o PECS, e, em adolescentes
e adultos, a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). A professora enfatiza
que a escolha das estratégias deve respeitar a singularidade de cada
indivíduo.“Não é o paciente que se adapta à ferramenta, mas a ferramenta que
deve ser ajustada às necessidades da pessoa”, destaca. A especialista também reforça a
importância da inclusão escolar com suporte adequado e da participação ativa
da família no processo terapêutico. “Quando a escola e a família compreendem
o autismo e participam ativamente, os ganhos são mais consistentes e refletem
diretamente na qualidade de vida”, afirma. Segundo ela, o tratamento não se restringe
ao consultório, mas acontece no cotidiano, o que exige alinhamento entre
profissionais, familiares e educadores. Do ponto de vista jurídico,
embora o Brasil tenha avançado na criação de leis de proteção, o principal
desafio ainda está na aplicação prática desses direitos. Dra. Bruna Santos,
advogada e professora do curso de Direito da Afya Centro Universitário
Itaperuna, ressalta que é fundamental que as pessoas com autismo e suas
famílias tenham acesso à informação e compreendam, de forma clara, quais são
seus direitos e como exigi-los no dia a dia. “Não há inclusão real sem o
conhecimento dos próprios direitos. Mais do que garantir acesso à escola,
terapias ou mediadores, é fundamental que a pessoa autista se sinta
pertencente e ativamente inserida na sociedade. Isso significa participar de
todas as vivências, como interações sociais, brincadeiras e momentos
coletivos, e não apenas estar presente de forma passiva. Sem esse senso de
pertencimento e participação efetiva, a inclusão perde seu sentido”, explica
a especialista. Principais direitos da pessoa
com autismo no Brasil, segundo a especialista: 1.
Diagnóstico precoce e atendimento multiprofissional A pessoa com autismo tem
direito ao diagnóstico precoce e ao acompanhamento por uma equipe de saúde
completa pelo sistema público, favorecendo intervenções mais eficazes. 2.
Inclusão escolar sem custo adicional Deve estudar em escola regular,
com adaptações e apoio necessários, sendo proibida qualquer cobrança extra
por esses recursos. 3.
Direito ao trabalho e inclusão profissional A lei garante não só o acesso
ao emprego, mas também inclusão real no ambiente de trabalho, com respeito,
igualdade, adaptações e oportunidades de desenvolvimento. 4.
Atendimento prioritário Tem direito à prioridade em filas
e atendimentos em serviços públicos e privados, reduzindo o tempo de espera. 5.
Acompanhante especializado Quando necessário, pode contar
com um profissional de apoio, como mediador escolar, para auxiliar na
aprendizagem e interação. 6.
Proteção contra discriminação e acessibilidade É protegida contra qualquer
forma de preconceito e tem direito a acessibilidade e participação plena na
sociedade. 7.
Direito ao transporte Tem acesso a transporte com
condições adequadas, podendo incluir gratuidade ou descontos, além de
benefícios como isenção de impostos na compra de veículos. Afya www.afya.com.br ir.afya.com.br |
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terça-feira, 14 de abril de 2026
Abril azul e Autismo: avanço no diagnóstico amplia debate sobre direitos e acesso a tratamento no Brasil
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