Especialista explica as diferenças entre miomas, adenomiose e endometriose e destaca que a normalização das dores menstruais intensas é um tabu a ser combatido
O
inchaço abdominal recorrente, muitas vezes tratado como algo pontual ou
alimentar, pode esconder condições ginecológicas importantes que impactam diretamente
a saúde e a qualidade de vida da mulher. Miomas, adenomiose e endometriose
estão entre as principais causas e, embora distintas, podem coexistir e
apresentar sintomas semelhantes, o que dificulta o diagnóstico.
Para
o ginecologista e diretor de comunicação da Sociedade Brasileira de
Endometriose, Dr. Marcos Tcherniakovsky, o principal desafio ainda é cultural.
“Muitas mulheres convivem com dor por anos e normalizam cólicas intensas, o que
atrasa o diagnóstico e o início do tratamento. Dor incapacitante não é normal e
precisa ser investigada”, afirma.
Segundo
o especialista, é possível que uma mesma paciente desenvolva mais de uma dessas
condições ao mesmo tempo, mas o diagnóstico precoce faz toda a diferença no
controle dos sintomas e na qualidade de vida. “Apesar de diferentes, miomas,
adenomiose e endometriose têm tratamento eficaz, especialmente quando
identificados cedo”, destaca.
Os
miomas uterinos, tumores benignos que atingem até 80% das mulheres ao longo da
vida, podem causar aumento abdominal, sangramento intenso e dor, embora, em
muitos casos, sejam assintomáticos. Já a adenomiose ocorre quando o tecido do
endométrio se infiltra no músculo do útero, levando a menstruação volumosa e
dolorosa. A endometriose, por sua vez, é caracterizada pela presença desse
tecido fora do útero, podendo atingir órgãos pélvicos e causar dor crônica,
infertilidade e sintomas intestinais e urinários.
Outro
termo que tem ganhado popularidade entre pacientes é o “endo belly”, associado
ao inchaço abdominal típico da endometriose. “Esse quadro está ligado à
inflamação e pode variar ao longo do ciclo menstrual. Quando recorrente, é um
sinal de alerta que merece avaliação especializada”, explica o médico.
Dados apontam que até 80% das mulheres podem desenvolver miomas ao longo da vida, enquanto a endometriose e a adenomiose afetam cerca de 1 em cada 10 mulheres em idade reprodutiva, muitas ainda sem diagnóstico. “A mensagem principal é clara: sintomas persistentes como dor pélvica, cólicas intensas e inchaço não devem ser ignorados”, reforça Dr. Marcos.
Dr. Marcos Tcherniakovsky – Ginecologista e Obstetra – Especialista em Endometriose e Vídeo-endoscopia Ginecológica (Histeroscopia e Laparoscopia). É Diretor de Comunicação da Sociedade Brasileira de Endometriose. Médico Responsável pelo Setor de Vídeo-endoscopia Ginecológica e Endometriose da Faculdade de Medicina da Fundação do ABC. Membro da comissão de especialidades na área de Endometriose pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Médico Responsável da Clínica Ginelife. Instagram: dr.marcostcher
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