Confiar só no remédio, beliscar o dia inteiro e trocar açúcar por versões "naturais" estão entre os hábitos que mais sabotam o tratamento, segundo nutricionista
Controlar
a glicemia vai muito além de evitar sobremesas. No diabetes tipo 2, hábitos
tratados como inofensivos podem manter a glicemia oscilando, dificultar o
controle metabólico e dar a falsa impressão de que o tratamento deixou de
funcionar. Dados do Ministério da Saúde mostram que, entre 2006 e 2024, a
prevalência de diagnóstico médico de diabetes entre adultos das capitais dos 26
estados e do Distrito Federal passou de 5,5% para 12,9%, alta de 135%. No mesmo
período, o excesso de peso passou de 42,6% para 62,6%, e a obesidade, de 11,8%
para 25,7%.
Segundo
a nutricionista Bela
Clerot (@bela_nutricao no Instagram), parte da dificuldade
está justamente na repetição de condutas que parecem corretas, mas não atacam a
base do problema. Para a especialista, um dos maiores erros é acreditar que o
diabetes tipo 2 só piora com o tempo e que o paciente está condenado a depender
de cada vez mais remédios. Bela afirma que a doença não tem cura, mas pode
entrar em remissão em parte dos casos, especialmente quando há mudança
consistente no estilo de vida.
Outro
erro frequente é apostar todas as fichas na medicação. “A gente controla o diabetes
pela boca”, resume Bela ao defender que o remédio pode ser
importante, mas não substitui mudanças na alimentação e na rotina. Na avaliação
dela, usar a medicação como único eixo do tratamento costuma manter o paciente
preso a um ciclo de aumento de dose sem revisão real dos hábitos.
A
nutricionista ressalta que controlar o diabetes tipo 2 exige menos aposta em
atalhos e mais consistência. Isso inclui rever a frequência das refeições e a
qualidade do que se consome. “Antes
de mudar dieta ou medicação por conta própria, o ideal é alinhar a estratégia
com um profissional que acompanhe sintomas, exames e histórico clínico",
alerta.
Entenda
os erros mais comuns
1
- Achar que o diabetes tipo 2 é uma sentença irreversível
Bela
observa que, quando o diagnóstico é tratado apenas como uma escalada inevitável
de medicação e complicações, o paciente tende a se desmotivar logo no começo do
tratamento.
2
- Confiar apenas no remédio
A
nutricionista afirma que os medicamentos ajudam no controle glicêmico, mas não
ensinam o paciente a mudar o que sustenta o problema no dia a dia, que são os
hábitos e o estilo de vida.
3
- Olhar só para a glicose
Na
leitura da especialista, a glicose alta é um sinal importante, mas não resume o
quadro. Ela destaca que a investigação de resistência à insulina e do diabetes
não se resume à glicose e pode incluir exames como insulina, hemoglobina
glicada, triglicerídeos, HDL e HOMA-IR.
4
- Comer de três em três horas sem necessidade
Bela
diz que o hábito de beliscar o dia inteiro pode virar mais uma sobrecarga para
quem já tem alteração metabólica, afinal, pode manter a glicemia mais instável
ao longo do dia. Ela também chama atenção para a individualização do caso,
sobretudo em pessoas que usam medicamentos e podem ter episódios de
hipoglicemia.
5
- Cair no apelo de produtos diet, zero e adoçantes culinários
Nem
todo produto vendido como alternativa para diabéticos é inofensivo. Ela alerta
que adoçantes culinários e alguns industrializados podem ter maltodextrina ou
outros carboidratos de impacto relevante na glicemia.
6
- Trocar açúcar por versões “naturais” e achar que está tudo resolvido
Mel,
tâmara, banana madura e sucos costumam passar uma imagem de escolha mais
saudável, mas Bela afirma que isso não muda o peso metabólico para quem já tem
resistência à insulina. O erro de focar apenas no número da glicose costuma
aparecer quando o paciente comemora um exame isolado, mas segue sem rever o
restante da rotina. Para a nutricionista, o problema não está só no açúcar de
mesa, mas no padrão alimentar como um todo. Ela também chama atenção para as
armadilhas que passam despercebidas, como substituir doces por receitas com
frutas muito maduras ou confiar demais em rótulos que vendem sensação de
segurança sem olhar com atenção a composição dos ingredientes do produto.

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