Apresentamos
na última quinta-feira (02/04) o
real impacto da crise do Coronavírus nas operadoras de saúde, discorrendo
sobre alguns pontos que podem impactar econômica e financeiramente as
Operadoras de Saúde. Hoje iremos aprofundar em um desses pontos, o aumento do
desemprego e a redução das receitas.
Pelo
último Boletim Focus
(06/04), divulgado pelo Banco Central do Brasil (BCB), o mercado revisou sua
expectativa de variação do PIB para 2020, estimando uma redução de 1,18% no
ano, dessa forma, fica evidente a seriedade do momento que vivemos. Agora
devemos nos perguntar: como a recessão afeta especialmente as Operadoras
de Saúde? Para entender essa questão, devemos analisar dois efeitos da
redução do PIB: a redução da renda e a redução do emprego.
O
primeiro efeito se refere à redução da renda disponível pela redução da
atividade econômica e aumento do desemprego. É razoável projetar que esse
efeito cause um aumento de inadimplência no setor da saúde suplementar.
Este fato, somado às iniciativas já existentes de impedir o reajuste dos planos
de saúde e o aumento do prazo para suspensão dos usuários inadimplentes, aponta
para a possibilidade de comprometimento da liquidez das operadoras.
O
segundo efeito pode ser sintetizado pelo conceito econômico da Lei de Okun,
que relaciona emprego e o PIB. Assim, com uma redução do PIB, espera-se
um crescimento do nível de desemprego e, sabendo que 81% dos planos
de saúde são coletivos por adesão e empresariais, espera-se também uma
redução das carteiras das operadoras e consequente diminuição das receitas.
Vale
apontar que existem restrições à aplicabilidade da Lei de Okun no curto prazo,
como o de um ano e em casos de altos índices de desemprego, no entanto
utilizamos a lei como referência teórica para simulação do modelo de
sensibilidade dos planos de saúde em relação às variações do PIB.
O
impacto do PIB no emprego está relacionado com a diferença entre o PIB
potencial do Brasil e o PIB obtido pelo país. Como estamos realizando uma
projeção, consideraremos a expectativa do PIB brasileiro para 2020 como o PIB
realizado, e a estimativa do Ipea
de 2,3% como o PIB potencial. Essa diferença é chamada de hiato, e
consideraremos -3,48% (a diferença entre -1,18% estimado pelo BCB e o potencial
de 2,3% estimado pelo Ipea).
Essa
diferença será sujeita ao coeficiente de 1,2, que é a relação entre desemprego
e PIB estimado
pelo Bradesco e publicado pelo Valor Econômico, isso significa que, se o
PIB aumentar 1%, a taxa de desemprego reduz em 1,2 pontos percentuais. Estimado
o número de empregados, reduzimos o número de beneficiários de planos coletivos
empresariais e em seguida, na mesma proporção, os demais planos. Ao fim,
encontramos uma projeção de redução de 896.719 beneficiários, para um
desemprego estimado de 15,2%.
No
entanto, a expectativa de redução do PIB pode ser menor do que os -1,18%
divulgados pelo BCB, devido ao aumento da extensão dos regimes de quarentena e
conforme as novas informações de recuperação de mercado vão surgindo e um
consenso em relação ao produto brasileiro. Para verificar a sensibilidade
estimada das carteiras de planos de saúde à variação do PIB, avaliamos o
impacto com um PIB mais negativo ou mais positivo.
Se o
PIB cair 4%, estimamos uma taxa de desemprego de 18,6% e uma redução de
2.736.296 vidas, sendo grande parte delas de beneficiários jovens e saudáveis,
o que aumenta a sinistralidade das operadoras. As operadoras terão que usar de
medidas de austeridade e aumentar a eficiência para que possam superar esse
período de crise
Prof.
Dr. Adriel Branco - Diretor de
Negócios da XVI Finance - Doutor, Mestre e Graduado em Administração e em
Ciências Contábeis pela FEA-RP/USP, Professor nos MBA da USP de Ribeirão Preto,
especialista em finanças e consultor de Operadoras de Saúde em Gestão,
Estruturação Financeira e desenvolvimento de Projetos de Investimentos.
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