Doações de leite
materno começam a ser incentivadas para suprir a necessidade da UTI - Unidade
de Terapia Intensiva - Neonatal (recém-nascidos), que normalmente opera em sua
capacidade máxima no outono e no inverno. O clima seco desta época contribui
para aumentar a frequência dos casos de infecções virais respiratórias,
principalmente em bebês, considerando que eles não têm, ainda, as defesas do
organismo desenvolvidas. Doadoras não precisam ir ao hospital para a coleta,
pois o hospital retira os frascos de leite nas residências.
O Hospital Maternidade de Campinas já começa a
intensificar a campanha de doação de leite materno para garantir o estoque
necessário para o atendimento dos 62 leitos de sua UTI - Unidade de Terapia
Intensiva - e UCI - Unidade de Cuidados Intermediários - Neonatal (recém-nascidos).
Essa sazonalidade, caracterizada pelo clima mais seco e frio do outono e do
inverno (de abril a setembro), aumenta a ocorrência de patologias
respiratórias, principalmente nos bebês, pois ainda não desenvolveram as
defesas do organismo para combatê-las.
O Banco de Leite Humano do Hospital Maternidade de
Campinas registra hoje em estoque 183 litros de leite materno, enquanto o ideal
é chegar aos 200 litros mensais, em média, para suprir os bebês internados na
UTI e na UCI. Cada litro de leite materno doado pode alimentar até 10
recém-nascidos por dia. “É importante estarmos preparados para esse crescimento
da demanda na UTI e na UCI, como ocorre todos os anos. Antecipando a campanha,
corremos menores riscos e garantimos a alimentação dos nossos bebês”, explica o
Dr. Carlos Ferraz, presidente do Hospital.
As doadoras só precisam ir ao hospital uma única
vez para realizar o exame de sangue para a verificação de sorologias de
Sífilis, Hepatites B e C, doença de Chagas, HTLV (Vírus Linfotrópico da Célula
Humana) e HIV (Aids). A coleta é feita nas residências, uma vez por semana. São
atendidas também doadoras que moram em municípios vizinhos. No entanto, como o
Banco de Leite utiliza o único veículo disponível para todos os demais setores
e serviços do hospital, é priorizada a coleta em municípios onde haja mais de
uma doadora.
Para doar
Para ser doadora é necessário que a mulher seja
saudável, que esteja amamentando o próprio filho e que tenha uma produção
excedente de leite após a mamada. O primeiro passo é fazer o agendamento prévio
para o cadastramento e realização do exame pelo telefone (19) 3306-6039. Tudo é
gratuito.
A realização do exame é rápida, pois se trata
apenas de uma coleta de sangue. O atendimento é feito apenas às segundas-feiras,
das 13h às 15h, no ambulatório da Rua José Paulino, n° 1774, na lateral do
acesso principal da Maternidade (entrada pelo estacionamento em frente à Igreja
do Nazareno). Esse ambulatório está sendo utilizado exclusivamente para o
atendimento às lactantes, a fim de que elas não tenham qualquer contato ou
acesso ao hospital. Os agendamentos respeitam períodos de meia hora para,
inclusive, não haver mais do que uma ou, no máximo, duas mães no local no mesmo
momento.
Cuidados redobrados
Sempre houve cuidado extremo na coleta do leite
materno. Agora, no entanto, os cuidados estão redobrados diante da pandemia da
Covid-19. As doadoras estão sendo orientadas a reforçarem os cuidados com a
higiene das mãos e dos frascos, a usarem as toucas e máscaras fornecidas
semanalmente pelo próprio hospital e a não coletarem o leite caso tenham
qualquer sintoma de gripe, resfriado ou mesmo tosse, assim como ninguém da
residência pode apresentar esses sintomas. “A doadora tem que ser e estar
saudável para a realização da coleta”, informa a coordenadora do Banco de Leite
Humano do Hospital Maternidade de Campinas, Olívia Favaro.
“As doadoras são orientadas a nos comunicar
imediatamente caso apresentem algum sintoma respiratório, tosse, resfriado ou
gripe para a interrupção imediata da coleta. Todas as semanas, antes de
coletarmos os frascos nas residências, telefonamos para a doadora para saber se
ela, o bebê e todos na residência estão saudáveis. Somente então a coleta é
efetivada e entregue o novo kit com o frasco de armazenamento, touca e máscara,
para a maior segurança de todos. Todo o leite coletado passa pelos mais
rigorosos processos de pasteurização e análise da qualidade antes de servir
como alimento para os bebês internados”, esclarece Olivia.
A coleta na residência é feita de segunda a
sexta-feira pelo motorista da Maternidade, acompanhado por uma técnica de
enfermagem exclusiva do Banco de Leite (que não atua em qualquer outro setor do
hospital). O leite doado é transportado em caixas isotérmicas com gelo (geloc)
e com controle de temperatura feito por termômetro digital. A visita às residências
é feita com todos os equipamentos de segurança recomendados.
O aleitamento materno é a forma mais natural e
segura de alimentar a criança no início da vida. No leite materno são
encontrados diversos componentes imunológicos, tornando esta prática essencial
para alcançar o crescimento e o desenvolvimento infantil adequados, além de
promover benefícios para a saúde física e psíquica da mãe e do bebê. A criança
amamentada pela mãe apresenta menor incidência de infecções, menor tempo de
hospitalização e menor incidência de reinternações.
Coronavírus
Até o momento da publicação da Nota Técnica Nº
5/2020 pela Secretaria de Atenção Primária à Saúde, do Ministério da Saúde, não
havia evidências sobre a transmissão do coronavírus através da amamentação, e
considera-se prudente manter as doações. E, por segurança, o Ministério da
Saúde determina ser “contraindicada a doação de leite humano por mulheres com
sintomas compatíveis com síndrome gripal, infecção respiratória ou confirmação
de caso de SARS-Cov-2 e também as que tenham contatos domiciliares de casos com
síndrome gripal ou caso confirmado de SARS-Cov-2”.


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