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sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Setembro Amarelo: práticas integrativas ganham espaço na saúde mental, saiba como funcionam

Com evidências científicas no alívio da tensão e na melhora do sono, práticas integrativas ganham espaço como suporte à saúde mental, sem dispensar o acompanhamento profissional 

 

O setembro amarelo traz ao debate a importância de olhar para a saúde mental de forma contínua, acessível e humana. Em busca de estratégias para enfrentar a rotina de estresse, ansiedade e fadiga emocional, um número crescente de brasileiros tem recorrido às Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS). 

Balanços do Ministério da Saúde mostram a consolidação dessa tendência: em 2024, o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou cerca de 7,1 milhões de procedimentos em PICS, um crescimento de 70% em relação a 2022, sendo a Atenção Primária responsável por quase 80% dessa demanda. 

Reconhecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e regulamentadas no Brasil desde 2006, as PICS atuam no equilíbrio entre corpo e mente, ajudando a regular o ritmo biológico, melhorar a qualidade do sono e aliviar sintomas leves de ansiedade.

Entretanto, cada modalidade possui níveis distintos de comprovação científica. A meditação de atenção plena (mindfulness) e o yoga figuram entre as mais respaldadas por revisões sistemáticas para a redução dos níveis de cortisol (hormônio do estresse) e auxílio na prevenção de recaídas depressivas. Já a acupuntura destaca-se como terapia complementar relevante para o manejo de dores crônicas associadas ao estresse e distúrbios do sono.

“As práticas integrativas oferecem recursos terapêuticos que auxiliam a pessoa a desenvolver uma presença maior de si e com essa percepção possa se autorregular, promovendo assim o equilíbrio emocional. Contudo, elas precisam ser encaradas em alguns casos como recursos de apoio e prevenção, sendo ajustadas às necessidades específicas de cada indivíduo”, explica Adriana Fabozzi, psicóloga do Polo de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde Parque Maria Helena, serviço da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo e gerenciado pelo CEJAM.

 

Terapia complementar não substitui tratamento convencional

Um dos pontos de atenção destacados pelos médicos é a necessidade de entender os limites de cada intervenção. Embora contribuam na promoção da qualidade de vida, as PICS não substituem a avaliação médica psiquiátrica, a psicoterapia regular ou o uso de medicamentos psicotrópicos quando há indicação clínica.

Abandonar ou adiar tratamentos convencionais em quadros de depressão moderada a grave ou transtornos de ansiedade estruturados pode levar ao agravamento dos sintomas. Por isso, a recomendação é que as práticas integrativas sejam somadas ao plano de cuidado, com a devida orientação da equipe de saúde.

“Em quadros psiquiátricos estruturados, a psicoterapia e o acompanhamento médico são insubstituíveis. O paciente jamais deve interromper medicações prescritas ou prescindir do tratamento psicológico para se dedicar exclusivamente a terapias complementares. O segredo está na integração consciente e acompanhada de ambos os caminhos”, adverte a especialista.

 

Setembro Amarelo e a prevenção responsável do suicídio

No âmbito do setembro amarelo, falar sobre saúde mental exige responsabilidade e clareza. As práticas integrativas auxiliam no bem-estar, mas não constituem, isoladamente, uma medida de prevenção do suicídio ou de controle de crises agudas. 

A prevenção efetiva baseia-se na escuta qualificada, no suporte familiar, na redução do estigma e no acesso rápido a serviços especializados de saúde. Diante de uma desesperança profunda ou isolamento severo, a busca por atendimento profissional imediato é indispensável.

 

Principais benefícios relatados e acompanhados pelas PICS:

  • Alívio da tensão e ansiedade leve: regulação do sistema nervoso autônomo por meio do controle respiratório e relaxamento corporal;
  • Melhora da qualidade do sono: redução da agitação mental antes de dormir, favorecendo um sono mais reparador;
  • Desenvolvimento do autocuidado: maior percepção dos sinais de estresse do corpo, facilitando a busca preventiva por pausa e cuidado;
  • Suporte somático: alívio de dores musculares e tensões físicas decorrentes de sobrecarga emocional.

 

Onde buscar acolhimento e avaliação no SUS

Pessoas que percebem dificuldades para lidar com emoções intensas, tristeza persistente ou sintomas de ansiedade devem procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) ou o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) mais próximo. Na rede pública, os profissionais de saúde realizam a avaliação inicial, podendo indicar o encaminhamento para outros serviços especializados ou sugerir a inclusão em grupos de PICS.

Em situações de crise emocional e emergência, o atendimento gratuito e confidencial pode ser feito pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), pelo telefone 188, além dos serviços de pronto atendimento (SAMU 192 e Prontos-Socorros).


 
Linha de Cuidados em Saúde Mental

O CEJAM possui uma Linha de Cuidados em Saúde Mental que integra diferentes etapas da assistência para promover um cuidado contínuo, qualificado e alinhado às necessidades de cada pessoa. Estruturada para atuar na prevenção, no diagnóstico precoce e no acompanhamento de quadros leves a complexos, a iniciativa conecta as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e as equipes de Saúde da Família aos serviços especializados, como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).

Além do atendimento nas unidades, a diretriz contempla ações extramuros na comunidade, como a Terapia Comunitária Integrativa (TCI) e grupos educativos em parques e praças públicas. Essa atuação no território busca ampliar o acesso à escuta acolhedora e integrar a rede socioassistencial, alinhado às diretrizes da atenção psicossocial.



CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”
@cejamoficial


Algoritmo que prevê a parada cardíaca: como a Inteligência Artificial está desenhando o hospital do futuro

 

A parada cardiorrespiratória em ambiente hospitalar costuma ser associada a uma ocorrência súbita, imprevisível e fulminante. No entanto, a prática médica nos mostra o oposto: na imensa maioria das vezes, ela não acontece de uma hora para outra. Trata-se, do ponto culminante de um processo progressivo e sutil de deterioração fisiológica do paciente. Horas antes do colapso, o corpo humano emite sinais. A frequência respiratória oscila, a saturação de oxigênio cai ligeiramente, a pressão arterial e os batimentos cardíacos começam a oscilar, e a função renal dá os primeiros sinais de sofrimento. 

O grande desafio da medicina intensiva e da cardiologia moderna nunca foi a falta desses sinais, mas sim a capacidade de identificá-los a tempo, em meio ao oceano de dados gerados continuamente em um hospital de alta complexidade. É nesse cenário que a IA se consolida como uma revolução presente, desenhando a arquitetura do hospital do futuro. 

Na medicina contemporânea, o tempo é o recurso mais valioso. Há um ditado clássico que lembra: “tempo é músculo cardíaco e cérebro”. A interrupção ou redução do fluxo sanguíneo, mesmo que por poucos minutos, pode provocar danos neurológicos irreversíveis e falência múltipla de órgãos. Portanto, antecipar-se à parada cardíaca não significa apenas salvar vidas, mas preservar a funcionalidade e a qualidade de vida do paciente pós-alta.
 

A ciência dos padrões: como a tecnologia enxerga o invisível

A IA médica não é uma "bola de cristal" nem se resume a chatbots. Os algoritmos de machine learning atuam como analistas de padrões fisiológicos. Enquanto o profissional analisa o paciente em momentos pontuais, a IA monitora continuamente sinais vitais, exames laboratoriais e o prontuário eletrônico. 

A virada de chave está na análise de tendência. Uma pressão arterial "normal" pode não chamar a atenção isoladamente, mas, se o algoritmo identifica uma queda progressiva cruzada com alteração respiratória, ele reconhece a deterioração que olhos humanos poderiam não captar precocemente. 

Diretrizes da American Heart Association (AHA) já destacam o benefício dos Early Warning Systems (Sistemas de Alerta Precoce). No Hcor, a automação de escores de risco à beira do leito e o uso de IA para triagem e priorização de eletrocardiogramas críticos (como o infarto agudo do miocárdio) otimizam a fila assistencial e aceleram decisões.
 

O papel do humano: a IA como segundo leitor

Embora os avanços sejam extraordinários, é fundamental delimitar as fronteiras do uso da IA na saúde. A tecnologia deve atuar como uma ferramenta de suporte à decisão clínica, um autêntico “segundo leitor”. Nenhum algoritmo substitui o olhar empático, a intuição fundamentada e o raciocínio clínico da equipe médica e de enfermagem. A tecnologia é capaz de correlacionar milhares de dados estatísticos, mas não compreende a totalidade do contexto humano e clínico do paciente. Além disso, como qualquer sistema, os algoritmos estão sujeitos a falsos positivos e falsos negativos. 

Por isso, o modelo mais seguro, amparado pela Resolução nº 2.454/2026 do CFM, exige supervisão humana. A IA emite o alerta; a equipe assistencial e o time de resposta rápida reavaliam o paciente, investigam a causa (infecção, distúrbio eletrolítico ou arritmia) e intervêm. Investir em IA sem capacitação limita o resultado; a equipe treinada é quem transforma o alerta digital em um salvamento real.
 

O hospital do futuro e a prática médica

O avanço de wearables, marcapassos inteligentes e centrais integradas projeta hospitais preditivos e preventivos. Diante disso, surge a questão: a IA vai substituir o médico? 

A resposta é categórica: não. Em mãos não capacitadas, a IA pode ser perigosa; em mãos experientes, torna-se um instrumento de precisão. A palavra final continuará sendo do humano. Contudo, a medicina do futuro não substituirá o médico pela IA, mas o médico que utiliza a tecnologia substituirá aquele que se recusar a adotá-la. 

O algoritmo nos dá o bem mais precioso na luta pela vida: tempo. E, com tempo, a medicina cumpre sua missão primordial: cuidar do ser humano com máxima precisão, segurança e sensibilidade. 

 

Dra. Camila Rocon - cardiologista do Hcor


Fila por transplante de córnea cresce 24% em seis meses no Brasil

Imagem de wavebreakmedia_micro no Magnific
No Dia Nacional da Doação de Órgãos, especialista explica quem pode doar, como é realizado o procedimento e quais avanços da oftalmologia podem evitar a necessidade da cirurgia em alguns casos 

 

No Dia Nacional da Doação de Órgãos, celebrado em 27 de setembro, o Brasil tem atualmente 37.719 pessoas aguardando um transplante de córnea, segundo levantamento do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). O número representa um crescimento de 24% em relação a dezembro de 2025, quando 32.639 pacientes estavam na fila. Esses números evidenciam a importância da doação de tecidos oculares, que pode devolver a visão ou melhorar significativamente a qualidade de vida de pessoas com doenças que comprometem a transparência ou a estrutura da córnea. 

Entre as condições que podem levar à necessidade do transplante estão o ceratocone em estágios avançados, a ceratopatia bolhosa, a distrofia de Fuchs e opacidades causadas por infecções, traumas ou alterações congênitas. Em situações de maior gravidade, como perfurações ou infecções que não respondem ao tratamento, o paciente pode ter prioridade na fila. Crianças menores de sete anos com opacidade bilateral também estão entre os casos que podem receber preferência. 

“O transplante é indicado quando a córnea perde sua transparência ou sua estrutura a ponto de comprometer a visão e não existem outras alternativas capazes de recuperar sua função. Em alguns casos mais urgentes, porém, o objetivo inicial é preservar o próprio olho e controlar uma situação de risco, como uma perfuração ou uma infecção grave”, explica o Dr. Luiz Brito, oftalmologista e chefe do Setor de Córnea do H.Olhos. 

A doação é feita após o falecimento e depende da autorização da família. O uso de óculos, lentes de contato ou a presença de problemas comuns de visão, como miopia, hipermetropia e astigmatismo, não impedem a doação. Após a identificação de um potencial doador, a equipe responsável verifica o histórico clínico e as possíveis contraindicações. Também são realizados exames laboratoriais para descartar doenças infecciosas antes que o tecido seja disponibilizado para transplante. 

“A córnea pode ser retirada tanto de doadores em morte encefálica quanto de pessoas que tiveram parada cardíaca. No segundo caso, a retirada deve ser feita, preferencialmente, até seis horas após o óbito, podendo chegar a 12 horas quando o corpo é mantido refrigerado. Depois da captação, o tecido passa por uma avaliação criteriosa antes de ser disponibilizado”, comenta o especialista. 

Após a avaliação, a córnea é preservada em um meio específico e pode ser classificada de acordo com sua qualidade e com a finalidade do transplante. Isso permite que o tecido seja destinado ao paciente cuja necessidade seja compatível com suas características. 

O transplante pode substituir toda a córnea ou apenas a camada que apresenta alteração. Essa possibilidade representa um dos avanços da área, já que permite preservar as partes saudáveis do tecido. Em alguns casos, é possível substituir somente a camada mais interna da córnea, responsável por mantê-la transparente, sem retirar as demais estruturas saudáveis. Nessa técnica, o novo tecido é colocado dentro do olho e fixado sem a necessidade de pontos na córnea. 

“A evolução das técnicas permitiu que o transplante deixasse de ser, em muitos casos, uma substituição completa da córnea. Hoje conseguimos tratar determinadas doenças trocando apenas a camada que está comprometida. Isso torna o procedimento mais preciso e pode favorecer a recuperação visual e a reabilitação do paciente”, afirma o Dr. Luiz Brito. 

A recuperação varia conforme a técnica utilizada e exige acompanhamento oftalmológico regular. Nas primeiras semanas, as consultas são mais frequentes para avaliar a cicatrização e a adaptação do tecido. Em procedimentos que utilizam pontos, a retirada pode ocorrer meses depois, conforme a evolução de cada paciente. Mesmo após a recuperação inicial, o acompanhamento com um especialista em córnea deve ser mantido. 

Embora pesquisas estudem alternativas como próteses e terapias celulares, essas tecnologias ainda não substituem de forma ampla a córnea humana nos casos em que o transplante é realmente necessário. A ceratoprótese de Boston, por exemplo, é uma espécie de córnea artificial implantada cirurgicamente no olho e pode ser utilizada em situações muito específicas, principalmente quando houve falência de transplantes anteriores. No entanto, não é uma alternativa de rotina e apresenta riscos que fazem com que sua indicação seja restrita a determinados pacientes. 

“Quando a medicina chega ao limite das alternativas disponíveis, a existência de um tecido doado pode representar a oportunidade de recuperar a visão e retomar atividades que foram prejudicadas pela doença. Por isso, a doação de córnea tem um impacto que vai muito além da cirurgia”, ressalta o especialista. 

O Dia Nacional de Doação de Órgãos, celebrado em 27 de setembro, é uma oportunidade para ampliar essa conversa dentro das famílias. A manifestação da vontade de doar é importante, mas a autorização familiar é fundamental para que a doação possa ocorrer. 

“Doar é um ato de solidariedade que pode transformar a vida de outra pessoa. Conversar sobre essa decisão dentro de casa ajuda a família a conhecer a vontade de cada um e contribui para desmistificar o processo. Quando uma pessoa decide doar, ela pode deixar como legado a possibilidade de melhorar a saúde e a qualidade de vida de outras pessoas”, finaliza o Dr. Luiz Brito.


Pedra nos rins não depende apenas de beber pouca água

 Excesso de sódio, alimentação desequilibrada, obesidade e histórico familiar também favorecem os cálculos; especialista explica como a prevenção deve ser individualizada.


Por muito tempo, a recomendação de beber mais água foi tratada como resposta única para quem enfrenta cálculos renais. Essa crença simplificada, porém, ignora um conjunto de fatores que médicos especializados apontam como determinantes tão importantes quanto a hidratação  e que raramente aparecem nas conversas sobre o tema.

O excesso de sódio no cardápio brasileiro, por exemplo, tem relação direta com a formação das pedras. "O sal em excesso obriga os rins a eliminar mais cálcio pela urina, e esse cálcio extra pode se cristalizar e dar origem aos cálculos", explica o urologista Maxmillian Dutra, que também atua na área de Nutrologia. Embutidos, temperos prontos e alimentos ultraprocessados costumam concentrar quantidades de sódio muito acima do que a maioria das pessoas percebe ao montar o prato.

A obesidade entra nessa equação de forma menos óbvia, mas igualmente relevante. Alterações metabólicas associadas ao peso corporal elevado modificam a composição da urina, tornando-a mais propensa à cristalização. "Pacientes com resistência à insulina apresentam urina mais ácida, e esse ambiente favorece a formação de determinados tipos de cálculo", detalha o especialista. Isso explica por que duas pessoas com hábitos alimentares parecidos podem ter riscos completamente diferentes.

O histórico familiar completa o quadro de variáveis que fogem do controle direto do paciente. Quem já teve parentes próximos com cálculos renais carrega uma predisposição que nenhuma quantidade de água resolve sozinha. Segundo o médico, "a genética define parte do terreno, mas o estilo de vida ainda tem grande peso na hora de a doença se manifestar ou não".

Diante dessa complexidade, a mensagem central defendida por Dutra é a individualização do tratamento preventivo. Um exame de urina de 24 horas, avaliação da composição do cálculo já eliminado e histórico alimentar detalhado permitem traçar um plano específico para cada paciente, em vez de recomendações genéricas. "Cada pessoa tem uma combinação única de fatores de risco, e é essa combinação que deve guiar a prevenção, não uma fórmula pronta para todo mundo", afirma.

Com o diagnóstico adequado, ajustes que parecem pequenos, reduzir determinado tipo de proteína, controlar o consumo de sal, tratar questões metabólicas de base, tendem a ter impacto muito maior do que simplesmente aumentar a ingestão de líquidos, reforçando que prevenir cálculos renais exige olhar além do óbvio.

 

Fonte: Dr. Maxmillian Dutra – Urologista com atuação em Nutrologia.
instagram: @doutormax


Até onde vai a responsabilidade dos pais diante da obesidade dos filhos?

Créditos: @fialho._ | CO ASSESSORIA
Com avanço do excesso de peso entre crianças e adolescentes, discussão sobre o papel da família ganha força e chega ao debate político

  

Cerca de 16,6 milhões de crianças e adolescentes brasileiros entre 5 e 19 anos viviam com sobrepeso ou obesidade em 2025, segundo estimativas do Atlas Mundial da Obesidade 2026. São 6,6 milhões entre 5 e 9 anos e outros 9,9 milhões entre 10 e 19. O levantamento estima ainda 1,4 milhão de casos de hipertensão e 4 milhões de doença hepática metabólica associada ao IMC elevado nessa população. Os números colocam em evidência um problema que começa cedo e levantam uma questão delicada: quando a saúde de uma criança já está em risco, até onde vai a responsabilidade de quem cuida dela?


 

A resposta não passa simplesmente por culpar os pais. A obesidade é uma condição multifatorial, influenciada por fatores biológicos, sociais, ambientais e comportamentais, e o Ministério da Saúde orienta que o cuidado de crianças e adolescentes considere essas diferentes causas sem culpabilização ou estigmatização da pessoa ou da família. Ao mesmo tempo, boa parte da rotina de uma criança ainda depende dos adultos, desde os alimentos disponíveis em casa até a procura e continuidade do acompanhamento de saúde quando ele se torna necessário.


 

Nos casos em que o quadro já apresenta risco à saúde, o bicampeão do Mister Universo Sérgio Fialho, de 40 anos, candidato a deputado federal pelo Paraná, quer levar essa discussão para o Congresso. Ele defende que pais ou responsáveis possam ser responsabilizados quando, mesmo diante de risco comprovado, orientação profissional e acesso ao tratamento, ignorarem repetidamente as recomendações médicas. A dez dias do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro, essa é uma das propostas que Fialho diz querer apresentar caso seja eleito.


 

Para Fialho, a responsabilização só poderia ser discutida depois que o próprio poder público garantisse acesso ao cuidado. “Criança não escolhe sozinha o que compra, o que come nem o estilo de vida que tem dentro de casa. Antes de falar em responsabilização, o Estado precisa oferecer acompanhamento médico, nutricional e psicológico. Mas, se existe risco comprovado, o tratamento está disponível e os responsáveis escolhem ignorar repetidamente as orientações, acredito que o Estado precisa intervir”, afirma.


 

A proposta, segundo Fialho, não seria direcionada a famílias simplesmente porque uma criança vive com obesidade, mas a situações graves em que exista acompanhamento profissional e omissão recorrente dos responsáveis diante do risco à saúde. “Obesidade infantil não pode virar motivo para apontar o dedo para uma família. O que eu quero discutir é outra situação: quando uma criança precisa de cuidado, existe orientação e quem responde por ela escolhe não agir. É nesse ponto que precisamos discutir até onde vai a responsabilidade dos pais”, conclui.


 

Pré-diabetes pode avançar sem sintomas, mas ainda há tempo para mudar o curso da doença

Excesso de gordura abdominal e resistência à insulina aumentam o risco; endocrinologista explica como emagrecimento e acompanhamento médico ajudam a prevenir a progressão.]

 

O pré-diabetes pode avançar sem provocar sede excessiva, aumento da fome, vontade frequente de urinar ou outros sinais associados ao diabetes descompensado. Enquanto o paciente se sente bem, o organismo já pode apresentar dificuldade para controlar a glicose, tornando os exames periódicos importantes para identificar precocemente a alteração.

A condição é caracterizada por glicemia de jejum entre 100 e 125 mg/dL, hemoglobina glicada entre 5,7% e 6,4% ou glicemia entre 140 e 199 mg/dL duas horas após o teste oral de tolerância à glicose. Esses intervalos também são adotados pelo Instituto Nacional de Diabetes e Doenças Digestivas e Renais dos Estados Unidos.

Segundo o endocrinologista e metabologista Dr. Rafael Fantin, alterações metabólicas podem começar antes de os resultados atingirem esses limites. “O paciente pode apresentar resistência à insulina, hiperinsulinemia e aumento da gordura abdominal mesmo com a glicemia abaixo dos critérios de pré-diabetes. Não precisamos esperar o diagnóstico de diabetes para corrigir o que já está metabolicamente alterado”, explica.

Pessoas com sobrepeso, obesidade abdominal, histórico familiar de diabetes, hipertensão, triglicérides elevados, HDL reduzido, sedentarismo, esteatose hepática ou apneia do sono precisam acompanhar a glicemia com maior atenção. Mulheres com síndrome dos ovários policísticos ou histórico de diabetes gestacional também apresentam risco aumentado.

A gordura visceral participa diretamente desse processo. Por ser metabolicamente ativa, ela libera ácidos graxos e substâncias inflamatórias que dificultam a ação da insulina. Para compensar, o pâncreas aumenta a produção do hormônio. Com o passar do tempo, pode deixar de produzir uma quantidade suficiente para controlar a glicose, favorecendo a progressão para o diabetes tipo 2.

O pré-diabetes pode ser revertido quando a sensibilidade à insulina melhora e os exames retornam às faixas consideradas normais. Entretanto, isso não significa que o risco desapareceu definitivamente. Se o excesso de gordura visceral, o sedentarismo e os demais fatores retornarem, a alteração da glicose também pode reaparecer.

Uma redução de aproximadamente 5% a 7% do peso corporal já pode melhorar a glicemia e diminuir o risco de progressão da doença, percentual também utilizado em programas de prevenção do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos. Rafael ressalta que a composição corporal é mais importante do que o número isolado da balança. “Quando reduzimos gordura visceral e preservamos massa muscular, conseguimos melhorar de forma mais significativa a sensibilidade à insulina e o controle da glicose”, afirma.

A estratégia envolve reduzir ultraprocessados, açúcares e carboidratos refinados, aumentar o consumo de proteínas e fibras, praticar exercícios de força e atividades aeróbicas, cuidar do sono e reduzir o estresse. “Não se trata simplesmente de retirar o açúcar. É preciso melhorar a alimentação, a massa muscular, o sono e toda a rotina para criar um ambiente metabólico mais saudável”, orienta.

Em alguns casos, medicamentos podem ser indicados, principalmente quando existem resistência à insulina intensa, excesso de gordura visceral, piora progressiva dos exames ou outros fatores de risco. O tratamento medicamentoso não substitui as mudanças de hábitos e precisa ser definido individualmente após avaliação médica.

“O erro mais comum é esperar o pré-diabetes evoluir para começar a agir. Mesmo quando os exames voltam ao normal, o acompanhamento deve continuar, porque os fatores que provocaram a alteração podem retornar. Identificar o risco cedo permite mudar o curso da doença antes que ela avance”, conclui Rafael Fantin.

 


Fonte: Dr. Rafael Fantin — endocrinologista e metabologista, especialista em saúde integrada, performance metabólica e nutrigenômica.
@dr.rafaelfantin


Pintas, dermatite atópica e viroses exigem atenção especial na infância

Programação de Dermatologia Pediátrica da Jornada Sul-Brasileira reúne especialistas para discutir diagnóstico, novos tratamentos e cuidados específicos com crianças e adolescentes 

 

Pintas que mudam de aparência, manchas na pele, dermatite atópica, urticária, lesões provocadas por infecções e até dúvidas sobre quais produtos podem ser usados com segurança fazem parte da rotina de cuidados com crianças e adolescentes. A pele nessa fase da vida apresenta características próprias e algumas doenças podem se manifestar de maneira diferente do observado nos adultos. Esses e outros desafios estarão no centro da programação do VII Simpósio de Dermatologia Pediátrica, realizado nos dias 16/10 e 17/10, em Porto Alegre, dentro da Jornada Sul-Brasileira de Dermatologia.

Promovido pela Sociedade Brasileira de Dermatologia – Secção do Rio Grande do Sul (SBD-RS), o encontro reunirá dermatologistas de diferentes regiões do país para abordar desde situações frequentes no consultório até doenças que exigem investigação e acompanhamento mais específicos.

Um dos destaques do primeiro dia será a avaliação das lesões pigmentadas na infância. Especialistas discutirão nevos melanocíticos, popularmente conhecidos como pintas, além de manchas mais claras ou mais escuras da pele e os critérios que ajudam a definir quando uma lesão deve apenas ser acompanhada ou necessita de investigação e tratamento.

Outro eixo importante será o avanço das opções terapêuticas para doenças dermatológicas imunomediadas. Dermatite atópica, psoríase, vitiligo e hidradenite supurativa estarão entre os temas apresentados. A dermatologista Dra. Silvia Assumpção Soutto Mayor, de São Paulo, conduzirá a atualização sobre dermatite atópica.

“Hoje temos novas possibilidades para o tratamento de diferentes doenças dermatológicas na faixa etária pediátrica, mas a criança e o adolescente não podem ser tratados simplesmente como adultos menores. É preciso conhecer as particularidades de cada doença, reconhecer quando os novos medicamentos estão indicados e saber como utilizá-los e acompanhá-los de forma adequada”, afirma a dermatologista Dra. Silvia Assumpção Soutto Mayor.

Ainda em 16/10, a programação discutirá imunodeficiências e histiocitoses, condições em que as manifestações na pele podem contribuir para a investigação de doenças mais amplas.

No sábado, 17/10, os especialistas abordarão hemangiomas, malformações vasculares, vasculites e genodermatoses, grupo de doenças genéticas que podem apresentar manifestações dermatológicas desde os primeiros anos de vida. Também haverá espaço para um assunto cada vez mais presente entre famílias e adolescentes: o skincare na faixa etária pediátrica e a escolha adequada de produtos para a pele.

As dermatoses frequentes no consultório encerram outro importante bloco da programação. Urticária crônica, dermatite na área das fraldas, mastocitose e exantemas estarão entre os temas. Neste último caso, os especialistas discutirão como diferenciar manifestações causadas por infecções das relacionadas a medicamentos, inclusive diante da circulação de doenças como sarampo e mão-pé-boca.

“Teremos casos desafiadores, mas também situações que fazem parte do cotidiano do dermatologista. A proposta é aproximar a atualização científica da prática clínica, tanto para quem já atende crianças e adolescentes quanto para o dermatologista geral que precisa estar preparado para reconhecer essas doenças e definir a melhor conduta”, acrescenta a dermatologista Dra. Silvia Assumpção Soutto Mayor.

O VII Simpósio de Dermatologia Pediátrica integra a 33ª Jornada Sul-Brasileira de Dermatologia e a 51ª Jornada Gaúcha de Dermatologia, que serão realizadas de 15/10 a 17/10, no BarraShoppingSul, em Porto Alegre. A programação pediátrica ocorre na sexta-feira, 16/10, e no sábado, 17/10, reunindo dermatologistas, pediatras, residentes e demais profissionais da saúde. Informações sobre programação e inscrições podem ser obtidas pelos canais oficiais da SBD-RS.

Em casos de suspeita de doenças ou alterações na pele, procure um médico dermatologista. Os profissionais habilitados podem ser conferidos no site http://www.sbdrs.org.br/

  

Marcelo Matusiak


Olhos saltados podem indicar doença da tireoide e ameaçar a visão em casos mais graves

Além da mudança na aparência, a orbitopatia tireoidiana pode provocar ressecamento, dor, visão dupla e dificuldade para fechar as pálpebras; especialista orienta sobre os sinais que exigem acompanhamento.

 

Um olhar mais arregalado, pálpebras retraídas ou um leve inchaço ao redor dos olhos costumam ser interpretados como cansaço, alergia ou simples traço do rosto. Mas, em parte dos casos, esse conjunto de sinais está ligado a um distúrbio autoimune que afeta a tireoide e pode comprometer os tecidos ao redor do globo ocular, condição conhecida como orbitopatia tireoidiana, também chamada de doença de Graves ocular quando associada ao hipertireoidismo.

"É uma condição que muita gente confunde com estética, quando na verdade é inflamação atingindo a musculatura e a gordura por trás dos olhos", explica a Dra. Mariana Rezende, oftalmologista especialista em plástica ocular. Segundo ela, o processo inflamatório empurra as estruturas internas da órbita para frente, o que dá a impressão de olhos maiores ou mais salientes  e é justamente essa mudança visível que costuma levar o paciente ao consultório antes mesmo de saber que tem um problema na tireoide.

Além do aspecto estético, a doença pode trazer desconforto real. Ressecamento constante, sensação de areia nos olhos, vermelhidão e dor ao movimentar o globo ocular estão entre as queixas mais comuns. Em estágios mais avançados, surgem visão dupla e dificuldade para fechar completamente as pálpebras durante o sono, o que deixa a córnea exposta e mais vulnerável a lesões.

"O maior risco é quando a inflamação comprime o nervo óptico. Nesses casos, o paciente pode perder campo visual e, se não for tratado a tempo, a perda pode ser permanente", alerta a médica. Ela reforça que a evolução varia bastante de pessoa para pessoa: enquanto alguns pacientes apresentam apenas alterações leves e estáveis, outros evoluem de forma mais rápida e agressiva, geralmente nos primeiros meses após o diagnóstico do problema tireoidiano.

A recomendação é buscar avaliação oftalmológica diante de sinais como olhos mais salientes, dificuldade para fechar as pálpebras, visão dupla, dor atrás dos olhos ou mudança perceptível no formato do olhar, especialmente em quem já tem diagnóstico de hipertireoidismo, hipotireoidismo ou histórico familiar de doenças autoimunes da tireoide. "Quanto antes a gente identifica a fase inflamatória ativa, mais chances temos de controlar o quadro sem sequelas e sem precisar de cirurgia", pontua a especialista.

O acompanhamento costuma envolver oftalmologista e endocrinologista em conjunto, já que o controle da função tireoidiana interfere diretamente na evolução ocular. Em casos leves, colírios lubrificantes e proteção da superfície ocular podem ser suficientes. Já em quadros moderados a graves, podem ser necessários anti-inflamatórios, terapias específicas para reduzir a inflamação orbitária ou, em situações ais avançadas, cirurgias de descompressão para aliviar a pressão sobre o nervo óptico.



Fonte: Dra. Mariana Rezende — Oftalmologista | Especialista em Plástica Ocular.
Instagram: @dramariana.rezende

 

Transplante de pâncreas existe? Cirurgião explica quando o procedimento é indicado


O Brasil registrou 142 transplantes de pâncreas em 2025, dos quais 117  foram simultâneos com o rim.
  Imagem ilustrativa gerada por IA
 Dr. Eduardo Ramos

Procedimento é considerado de alta complexidade e, no Brasil, é realizado principalmente junto com o transplante de rim

 

Quando se fala em transplante de órgãos, rim, fígado e coração costumam ser os primeiros a serem lembrados. Mas existe outro procedimento que ainda é pouco conhecido da população: o transplante de pâncreas. 

Em 2025, foram realizados 142 transplantes de pâncreas no Brasil, segundo o Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). Desse total, 117 foram transplantes simultâneos de pâncreas e rim e 25 foram transplantes isolados de pâncreas. 

A principal indicação está relacionada a casos específicos de diabetes tipo 1, especialmente quando a doença está associada a comprometimento grave da função renal. O transplante pode permitir que o novo pâncreas volte a produzir insulina, reduzindo a dependência de insulina aplicada externamente. 

“O transplante de pâncreas é uma realidade e pode trazer benefícios muito importantes para pacientes cuidadosamente selecionados. Mas não é um tratamento indicado para a maioria das pessoas com diabetes. É uma cirurgia de alta complexidade, que envolve riscos e exige o uso de medicamentos imunossupressores para evitar a rejeição do órgão”, explica o cirurgião de fígado, pâncreas e vias biliares Eduardo Ramos.

 

Por que o pâncreas é transplantado junto com o rim?

A relação entre os dois órgãos ajuda a explicar por que a modalidade mais realizada no Brasil é o transplante simultâneo de pâncreas e rim. 

Em pacientes com diabetes tipo 1 que desenvolveram insuficiência renal avançada, a realização dos dois transplantes pode tratar simultaneamente a falência renal e a deficiência de produção de insulina causada pelo diabetes. 

“O objetivo é tratar duas consequências importantes da doença de uma só vez. Em pacientes que preenchem os critérios para o transplante simultâneo, o novo rim substitui a função renal perdida e o novo pâncreas passa a produzir insulina. É uma estratégia complexa, mas que pode transformar a vida de pacientes selecionados”, afirma Eduardo Ramos. 

O transplante de pâncreas também pode ser realizado de forma isolada ou depois de um transplante renal, mas essas situações são mais específicas e dependem de critérios clínicos rigorosos. 

Por ser um procedimento altamente especializado, o transplante de pâncreas é realizado em poucos centros no país. Em 2025, seis estados brasileiros registraram transplantes de pâncreas, segundo o RBT. O Paraná é um desses estados, com centros habilitados para o procedimento, e onde ocorreram oito transplantes pâncreas-rim no ano passado.

 

Setembro Verde reforça importância da doação

A existência do transplante de pâncreas também ajuda a mostrar uma dimensão menos conhecida da doação de órgãos. Cada órgão doado pode representar uma nova possibilidade de tratamento para pacientes que aguardam na fila de transplantes. 

“O Setembro Verde é uma oportunidade para lembrar que a doação de órgãos pode beneficiar pessoas com doenças muito diferentes. O pâncreas é um exemplo de órgão que pode ser transplantado e que, em situações específicas, pode devolver ao paciente uma função que ele perdeu”, destaca Eduardo Ramos. 

O especialista ressalta que a decisão de doar órgãos pode beneficiar diferentes receptores e que a autorização da família é fundamental para que a doação aconteça. 

“Falar sobre doação de órgãos em vida é importante porque a decisão de uma família pode representar a possibilidade de um novo começo para várias pessoas. Informação é uma das ferramentas mais importantes para aumentar a conscientização sobre a doação”, conclui.

  

Eduardo Ramos - cirurgião de fígado, pâncreas e vias biliares, com atuação em Curitiba. Também é especialista em cirurgia hepatobiliopancreática, cirurgia oncológica e transplantes.


Estresse pode alimentar ciclo de crises de enxaqueca e afetar a saúde mental

Mais do que uma dor de cabeça, a enxaqueca pode afetar saúde emocional, produtividade e relações pessoais, exigindo uma abordagem integrada
 


Entre as condições que podem ser desencadeadas ou agravadas pelo estresse está a enxaqueca, doença neurológica que afeta cerca de 15% da população mundial e mais de 30 milhões de brasileiros, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). 

A relação entre enxaqueca e saúde mental é bidirecional: estresse, ansiedade e depressão podem contribuir para o aumento da frequência e intensidade das crises, enquanto conviver com uma doença crônica e imprevisível também pode afetar o bem-estar psicológico. 

“A enxaqueca não termina quando a dor passa. O paciente muitas vezes vive antecipando a próxima crise, reorganizando compromissos, faltando ao trabalho e tentando identificar o que pode desencadear uma nova dor. Essa condição de alerta constante pode impactar diretamente a saúde emocional”, explica a neurologista Thais Villa, especialista no diagnóstico e tratamento da enxaqueca. 

Segundo a médica, sinais como cansaço persistente, alterações do sono, ansiedade, tristeza e esgotamento emocional merecem atenção, especialmente quando aparecem associados a crises recorrentes de dor de cabeça. 

“Controlar a enxaqueca vai muito além de tratar a dor naquele momento. É preciso investigar o que está acontecendo com o paciente como um todo: como ele está dormindo, como está sua saúde emocional, com que frequência tem crises e se está usando medicamentos. O tratamento precisa romper esse ciclo”, afirma Thais.
 

Impacto também chega ao trabalho 

A enxaqueca está entre as principais causas de incapacidade no mundo e pode comprometer concentração, produtividade, energia e desempenho profissional. De acordo com a OMS, pessoas que convivem com a doença perdem, em média, 4,6 dias de trabalho por mês, e quase 70% relatam impactos significativos na vida profissional. 

O problema pode ser agravado pelo hábito de recorrer repetidamente a analgésicos e anti-inflamatórios para conseguir manter a rotina. O uso excessivo de medicamentos para dor pode levar à chamada “dor de rebote” por uso excessivo de medicamentos, contribuindo para a manutenção ou piora do quadro. 

“Muitos pacientes acreditam que precisam simplesmente suportar a dor ou tomar um analgésico para continuar trabalhando. Mas, quando as crises são frequentes, é fundamental buscar diagnóstico e tratamento adequados. A automedicação recorrente pode fazer parte do problema, e não da solução”, alerta Thais Villa.
 

Tratamento integrado 

A enxaqueca não tem cura, mas pode ser controlada. A abordagem do Tratamento 360º propõe olhar para os diferentes fatores que influenciam a doença. Entre as estratégias preventivas disponíveis estão a toxina botulínica e medicamentos baseados em anticorpos monoclonais anti-CGRP, que atuam de forma direcionada em mecanismos envolvidos na doença. 

“O paciente não precisa organizar a vida em torno da próxima crise. Com diagnóstico preciso e tratamento adequado, é possível reduzir a frequência e a intensidade das crises e recuperar a qualidade de vida. O primeiro passo é deixar de banalizar a doença, porque nenhuma dor deve ser considerada normal”, conclui a neurologista. 




Dra Thaís Villa (CRM 110217) - Neurologista com Doutorado pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e Pós-Doutorado pela Universidade da Califórnia (UCLA) nos Estados Unidos. Fundadora do Headache Center Brasil, que em 2026 completou 10 anos de atendimentos. A clínica multiprofissional é pioneira no país no diagnóstico e tratamento integrado das dores de cabeça e da enxaqueca. Professora de Neurologia e Chefe do Setor de Cefaleias na UNIFESP no período de 2015 a 2022. Membro Titular da Academia Brasileira de Neurologia. Membro da Sociedade Brasileira de Cefaleia. Membro do Conselho Consultivo do Comitê de Cefaleias na Infância e Adolescência da International Headache Society. Atua exclusivamente na pesquisa e atendimento de pacientes com dor de cabeça, no diagnóstico e tratamento da enxaqueca, enxaqueca crônica, cefaleia em salvas e outras cefaleias. Palestrante convidada em congressos nacionais e internacionais.



Headache Center Brasil
www.headachecenterbrasil.com.br
Instagram: @headache_center_brasil

 

Hospital Sapiranga promove encontro para orientar gestantes sobre situações de urgência

 

Evento gratuito em 28 de setembro vai abordar sinais de alerta na gestação e quando a cesariana pode ser necessária


Reconhecer sinais de urgência durante a gravidez e entender em quais situações uma cesariana pode ser indicada são dúvidas comuns entre as gestantes. Para ampliar o acesso a informações seguras e oferecer um espaço de orientação e acolhimento, o Hospital Sapiranga promove, na segunda-feira, 28/09, das 18h às 20h, mais uma edição do Encontro de Gestantes. A atividade será realizada no auditório da instituição, em Sapiranga, com participação gratuita.

O tema desta edição será “Situações de urgência na gestação e quando a cesariana é necessária”. Durante o encontro, serão apresentadas orientações para ajudar as participantes a reconhecer sinais que exigem atenção ao longo da gravidez e compreender em quais circunstâncias a cesariana pode ser indicada pela equipe médica.

A proposta é criar um momento de troca e informação em uma fase marcada por expectativas e muitas dúvidas. O encontro também busca contribuir para que as gestantes se sintam mais seguras diante de possíveis intercorrências, além de reforçar a importância do acompanhamento adequado durante todo o pré-natal.

A participação é gratuita, mas exige inscrição antecipada pelo link disponível na bio do Instagram do Hospital Sapiranga. As inscrições podem ser realizadas até 21/09.

Para mais informações sobre o Hospital Sapiranga, entre em contato pelo telefone (51) 3599-8100 ou acesse www.hospitalsapiranga.com.br.

Marcelo Matusiak


 

Pausa na bebida: após decisão de Leonardo, hepatologista detalha o que acontece no corpo em 30 dias sem álcool

 

Esposa do cantor, Poliana Rocha, relatou melhora na aparência do artista após interrupção temporária. Especialista explica os impactos reais da abstinência no fígado, no sono e no metabolismo
 

A decisão do cantor Leonardo de interromper o consumo de bebidas alcoólicas por questões de saúde, segundo sua esposa, Poliana Rocha, como uma pausa inicial de 30 dias, colocou em evidência os impactos do álcool no organismo e a velocidade com que o corpo reage quando a substância é retirada da rotina.

O anúncio gerou forte repercussão e levantou uma dúvida central: o que acontece com a saúde quando alguém decide parar de beber, mesmo que por um período curto?

De acordo com a Dra. Patrícia Almeida, gastroenterologista e hepatologista pela Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH) e doutora pela USP, os efeitos variam conforme o histórico de cada pessoa, mas mudanças metabólicas importantes surgem logo nas primeiras semanas de abstinência.

“Nosso corpo não tem um botão de reset, mas começa a se recuperar. Algumas mudanças aparecem em semanas; outras levam anos. Quanto antes a exposição ao álcool é interrompida, maior é a oportunidade de recuperar o que é reversível”, destaca a especialista.


O que muda em poucas semanas?

Estudos científicos respaldam os relatos de quem decide dar uma pausa na bebida. Um levantamento publicado no periódico BMJ Open acompanhou consumidores regulares de álcool e identificou que, após apenas um mês de abstinência, houve uma redução de cerca de 26% na resistência à insulina, além de melhorias na pressão arterial, no peso e em exames laboratoriais do fígado.

Entre os principais benefícios de curto prazo apontados pela hepatologista destacam-se:

Fígado renovado: O acúmulo de gordura no fígado (esteatose hepática) provocado pelo álcool é altamente reversível e pode regredir em poucas semanas sem a substância.

Sono restaurador e disposição: Embora o álcool tenha efeito sedativo inicial, ele fragmenta a arquitetura do sono (fase REM). A interrupção devolve a qualidade ao descanso e aumenta a energia diária.

Alívio digestivo e menos inchaço: A ausência da bebida reduz a irritação gástrica, amenizando azia e refluxo, além de diminuir o inchaço facial ou abdominal devido à queda calórica e menor retenção de líquidos.

Cirrose e limites da recuperação

A médica ressalta que a regeneração tem limites. Quando já existem quadros de fibrose ou cirrose hepática, a recuperação é mais lenta e pode ser apenas parcial. Ainda assim, parar de beber continua sendo fundamental: um estudo de 2026 publicado no Journal of Hepatology com pacientes com cirrose alcoólica descompensada revelou que cerca de um terço atingiu critérios de recompensação hepática após cinco anos de abstinência.


Alerta e longo prazo

A especialista faz uma ressalva essencial: pessoas com histórico de consumo pesado ou dependência não devem interromper o álcool de forma abrupta sem avaliação médica, pois a síndrome de abstinência pode ser grave e até fatal. No médio e longo prazo, a interrupção reduz drasticamente a exposição a fatores associados a diversos tipos de câncer e a problemas cardiovasculares graves.

 


Dra. Patrícia Almeida - CRM SP 159821 - Possui graduação em Medicina pela Universidade Federal do Ceará (2010). Residência Médica em Clínica Médica no Hospital Geral Dr César Cals em Fortaleza-CE- (2011-12). Residência em Gastroenterologia no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo-(USP RP) (2013/15). Aprimoramento em Hepatologia no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP RP)- (2016). Aprimoramento em Transplante de fígado no Hospital das clínicas da Universidade de São Paulo (USP RP) (2017). Observership no Jackson Memorial Hospital em Miami/EUA 2017. Doutorado em Hepatologia no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. Título de Especialista em Gastroenterologia pela FBG Título em Hepatologia pela SBH. Hepatologista do Hospital Israelita Albert Einstein


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