| O Brasil registrou 142 transplantes de pâncreas em 2025, dos quais 117 foram simultâneos com o rim. Imagem ilustrativa gerada por IA Dr. Eduardo Ramos |
Procedimento é considerado de alta complexidade e, no Brasil, é realizado principalmente junto com o transplante de rim
Quando se fala em transplante de órgãos, rim, fígado e coração costumam ser os primeiros a serem lembrados. Mas existe outro procedimento que ainda é pouco conhecido da população: o transplante de pâncreas.
Em 2025, foram realizados 142 transplantes de pâncreas no Brasil, segundo o Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). Desse total, 117 foram transplantes simultâneos de pâncreas e rim e 25 foram transplantes isolados de pâncreas.
A principal indicação está relacionada a casos específicos de diabetes tipo 1, especialmente quando a doença está associada a comprometimento grave da função renal. O transplante pode permitir que o novo pâncreas volte a produzir insulina, reduzindo a dependência de insulina aplicada externamente.
“O transplante de pâncreas é uma realidade e pode trazer benefícios muito importantes para pacientes cuidadosamente selecionados. Mas não é um tratamento indicado para a maioria das pessoas com diabetes. É uma cirurgia de alta complexidade, que envolve riscos e exige o uso de medicamentos imunossupressores para evitar a rejeição do órgão”, explica o cirurgião de fígado, pâncreas e vias biliares Eduardo Ramos.
Por
que o pâncreas é transplantado junto com o rim?
A relação entre os dois órgãos ajuda a explicar por que a modalidade mais realizada no Brasil é o transplante simultâneo de pâncreas e rim.
Em pacientes com diabetes tipo 1 que desenvolveram insuficiência renal avançada, a realização dos dois transplantes pode tratar simultaneamente a falência renal e a deficiência de produção de insulina causada pelo diabetes.
“O objetivo é tratar duas consequências importantes da doença de uma só vez. Em pacientes que preenchem os critérios para o transplante simultâneo, o novo rim substitui a função renal perdida e o novo pâncreas passa a produzir insulina. É uma estratégia complexa, mas que pode transformar a vida de pacientes selecionados”, afirma Eduardo Ramos.
O transplante de pâncreas também pode ser realizado de forma isolada ou depois de um transplante renal, mas essas situações são mais específicas e dependem de critérios clínicos rigorosos.
Por
ser um procedimento altamente especializado, o transplante de pâncreas é
realizado em poucos centros no país. Em 2025, seis estados brasileiros
registraram transplantes de pâncreas, segundo o RBT. O Paraná é um desses
estados, com centros habilitados para o procedimento, e onde ocorreram oito
transplantes pâncreas-rim no ano passado.
Setembro
Verde reforça importância da doação
A existência do transplante de pâncreas também ajuda a mostrar uma dimensão menos conhecida da doação de órgãos. Cada órgão doado pode representar uma nova possibilidade de tratamento para pacientes que aguardam na fila de transplantes.
“O Setembro Verde é uma oportunidade para lembrar que a doação de órgãos pode beneficiar pessoas com doenças muito diferentes. O pâncreas é um exemplo de órgão que pode ser transplantado e que, em situações específicas, pode devolver ao paciente uma função que ele perdeu”, destaca Eduardo Ramos.
O especialista ressalta que a decisão de doar órgãos pode beneficiar diferentes receptores e que a autorização da família é fundamental para que a doação aconteça.
“Falar
sobre doação de órgãos em vida é importante porque a decisão de uma família
pode representar a possibilidade de um novo começo para várias pessoas.
Informação é uma das ferramentas mais importantes para aumentar a
conscientização sobre a doação”, conclui.
Eduardo Ramos
- cirurgião de fígado, pâncreas e vias biliares, com atuação em Curitiba. Também
é especialista em cirurgia hepatobiliopancreática, cirurgia oncológica e
transplantes.
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