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sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Pré-diabetes pode avançar sem sintomas, mas ainda há tempo para mudar o curso da doença

Excesso de gordura abdominal e resistência à insulina aumentam o risco; endocrinologista explica como emagrecimento e acompanhamento médico ajudam a prevenir a progressão.]

 

O pré-diabetes pode avançar sem provocar sede excessiva, aumento da fome, vontade frequente de urinar ou outros sinais associados ao diabetes descompensado. Enquanto o paciente se sente bem, o organismo já pode apresentar dificuldade para controlar a glicose, tornando os exames periódicos importantes para identificar precocemente a alteração.

A condição é caracterizada por glicemia de jejum entre 100 e 125 mg/dL, hemoglobina glicada entre 5,7% e 6,4% ou glicemia entre 140 e 199 mg/dL duas horas após o teste oral de tolerância à glicose. Esses intervalos também são adotados pelo Instituto Nacional de Diabetes e Doenças Digestivas e Renais dos Estados Unidos.

Segundo o endocrinologista e metabologista Dr. Rafael Fantin, alterações metabólicas podem começar antes de os resultados atingirem esses limites. “O paciente pode apresentar resistência à insulina, hiperinsulinemia e aumento da gordura abdominal mesmo com a glicemia abaixo dos critérios de pré-diabetes. Não precisamos esperar o diagnóstico de diabetes para corrigir o que já está metabolicamente alterado”, explica.

Pessoas com sobrepeso, obesidade abdominal, histórico familiar de diabetes, hipertensão, triglicérides elevados, HDL reduzido, sedentarismo, esteatose hepática ou apneia do sono precisam acompanhar a glicemia com maior atenção. Mulheres com síndrome dos ovários policísticos ou histórico de diabetes gestacional também apresentam risco aumentado.

A gordura visceral participa diretamente desse processo. Por ser metabolicamente ativa, ela libera ácidos graxos e substâncias inflamatórias que dificultam a ação da insulina. Para compensar, o pâncreas aumenta a produção do hormônio. Com o passar do tempo, pode deixar de produzir uma quantidade suficiente para controlar a glicose, favorecendo a progressão para o diabetes tipo 2.

O pré-diabetes pode ser revertido quando a sensibilidade à insulina melhora e os exames retornam às faixas consideradas normais. Entretanto, isso não significa que o risco desapareceu definitivamente. Se o excesso de gordura visceral, o sedentarismo e os demais fatores retornarem, a alteração da glicose também pode reaparecer.

Uma redução de aproximadamente 5% a 7% do peso corporal já pode melhorar a glicemia e diminuir o risco de progressão da doença, percentual também utilizado em programas de prevenção do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos. Rafael ressalta que a composição corporal é mais importante do que o número isolado da balança. “Quando reduzimos gordura visceral e preservamos massa muscular, conseguimos melhorar de forma mais significativa a sensibilidade à insulina e o controle da glicose”, afirma.

A estratégia envolve reduzir ultraprocessados, açúcares e carboidratos refinados, aumentar o consumo de proteínas e fibras, praticar exercícios de força e atividades aeróbicas, cuidar do sono e reduzir o estresse. “Não se trata simplesmente de retirar o açúcar. É preciso melhorar a alimentação, a massa muscular, o sono e toda a rotina para criar um ambiente metabólico mais saudável”, orienta.

Em alguns casos, medicamentos podem ser indicados, principalmente quando existem resistência à insulina intensa, excesso de gordura visceral, piora progressiva dos exames ou outros fatores de risco. O tratamento medicamentoso não substitui as mudanças de hábitos e precisa ser definido individualmente após avaliação médica.

“O erro mais comum é esperar o pré-diabetes evoluir para começar a agir. Mesmo quando os exames voltam ao normal, o acompanhamento deve continuar, porque os fatores que provocaram a alteração podem retornar. Identificar o risco cedo permite mudar o curso da doença antes que ela avance”, conclui Rafael Fantin.

 


Fonte: Dr. Rafael Fantin — endocrinologista e metabologista, especialista em saúde integrada, performance metabólica e nutrigenômica.
@dr.rafaelfantin


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