Além da mudança na aparência, a orbitopatia tireoidiana pode provocar ressecamento, dor, visão dupla e dificuldade para fechar as pálpebras; especialista orienta sobre os sinais que exigem acompanhamento.
Um olhar mais arregalado, pálpebras
retraídas ou um leve inchaço ao redor dos olhos costumam ser interpretados como
cansaço, alergia ou simples traço do rosto. Mas, em parte dos casos, esse
conjunto de sinais está ligado a um distúrbio autoimune que afeta a tireoide e
pode comprometer os tecidos ao redor do globo ocular, condição conhecida como
orbitopatia tireoidiana, também chamada de doença de Graves ocular quando
associada ao hipertireoidismo.
"É uma condição que muita gente
confunde com estética, quando na verdade é inflamação atingindo a musculatura e
a gordura por trás dos olhos", explica a Dra. Mariana Rezende,
oftalmologista especialista em plástica ocular. Segundo ela, o processo
inflamatório empurra as estruturas internas da órbita para frente, o que dá a
impressão de olhos maiores ou mais salientes e é justamente essa mudança
visível que costuma levar o paciente ao consultório antes mesmo de saber que
tem um problema na tireoide.
Além do aspecto estético, a doença pode
trazer desconforto real. Ressecamento constante, sensação de areia nos olhos,
vermelhidão e dor ao movimentar o globo ocular estão entre as queixas mais
comuns. Em estágios mais avançados, surgem visão dupla e dificuldade para
fechar completamente as pálpebras durante o sono, o que deixa a córnea exposta
e mais vulnerável a lesões.
"O maior risco é quando a
inflamação comprime o nervo óptico. Nesses casos, o paciente pode perder campo
visual e, se não for tratado a tempo, a perda pode ser permanente", alerta
a médica. Ela reforça que a evolução varia bastante de pessoa para pessoa:
enquanto alguns pacientes apresentam apenas alterações leves e estáveis, outros
evoluem de forma mais rápida e agressiva, geralmente nos primeiros meses após o
diagnóstico do problema tireoidiano.
A recomendação é buscar avaliação
oftalmológica diante de sinais como olhos mais salientes, dificuldade para
fechar as pálpebras, visão dupla, dor atrás dos olhos ou mudança perceptível no
formato do olhar, especialmente em quem já tem diagnóstico de hipertireoidismo,
hipotireoidismo ou histórico familiar de doenças autoimunes da tireoide.
"Quanto antes a gente identifica a fase inflamatória ativa, mais chances
temos de controlar o quadro sem sequelas e sem precisar de cirurgia",
pontua a especialista.
O acompanhamento costuma envolver oftalmologista e endocrinologista em conjunto, já que o controle da função tireoidiana interfere diretamente na evolução ocular. Em casos leves, colírios lubrificantes e proteção da superfície ocular podem ser suficientes. Já em quadros moderados a graves, podem ser necessários anti-inflamatórios, terapias específicas para reduzir a inflamação orbitária ou, em situações ais avançadas, cirurgias de descompressão para aliviar a pressão sobre o nervo óptico.
Fonte: Dra. Mariana Rezende — Oftalmologista | Especialista em Plástica Ocular.
Instagram: @dramariana.rezende
Nenhum comentário:
Postar um comentário