Teoria do Polvo, criada pelo
ginecologista e pesquisador Igor Chiminacio, ilustra como sintomas fora da
região pélvica podem estar relacionados ao comprometimento de estruturas
nervosas 
magnific.com
A endometriose afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva no mundo e pode se manifestar de diferentes formas. Por isso, algumas pacientes convivem durante anos com sintomas variados antes de chegar ao diagnóstico correto. Cólicas menstruais intensas e dor pélvica são os sinais mais conhecidos da doença, mas ela também pode estar associada a dores recorrentes na lombar, no quadril, na virilha e até nas pernas.
Segundo o ginecologista e pesquisador da endometriose Igor Chiminacio, essas manifestações, que nem sempre são inicialmente associadas a um problema ginecológico, podem ocorrer quando a doença compromete tecidos profundos e estruturas nervosas da pelve.
Além
das lesões propriamente ditas, o processo inflamatório provocado pela
endometriose pode levar à formação de fibrose e à retração dos tecidos, atingindo
estruturas próximas, inclusive nervos. Como consequência, a dor pode se
irradiar para regiões mais distantes do útero.
“Quando
uma mulher apresenta uma dor recorrente na perna, no quadril ou na lombar,
especialmente quando existe alguma relação com o ciclo menstrual, é importante
que a endometriose também entre no raciocínio clínico. Nem toda dor provocada
pela doença estará localizada exatamente onde está a lesão”, explica
Chiminacio.
Teoria do Polvo
Durante muitos anos, a endometriose foi explicada principalmente a partir da presença e da localização dos focos da doença. Para Chiminacio, porém, é importante considerar também os tecidos onde essas lesões se desenvolvem, já que eles possuem nervos, vasos sanguíneos e fibras de colágeno capazes de transmitir a dor e sofrer alterações provocadas pela inflamação.
Para
representar essa relação de maneira didática, o especialista criou a chamada
“Teoria do Polvo”, um modelo visual que busca ilustrar como a endometriose pode
afetar diferentes estruturas da pelve e provocar sintomas em outras regiões do
corpo.
O
conceito foi apresentado no Congresso Global da AAGL, em Vancouver, e publicado
no Journal of Minimally Invasive Gynecology.

Teoria do polvo apresentada pelo Dr. Igor Chiminacio. Divulgação.
- O que é?
Modelo visual desenvolvido pelo ginecologista e pesquisador Igor Chiminacio para explicar como a endometriose pode provocar dores em diferentes regiões do corpo.
- Qual é a metáfora?
Na representação, o útero corresponde à “cabeça” de um polvo, enquanto os tecidos que dão sustentação ao órgão são comparados aos “tentáculos”. Essas estruturas são ricas em nervos, vasos sanguíneos e fibras de colágeno e podem ser comprometidas pela doença.
- Qual é o principal ponto?
A proposta é ampliar a compreensão da endometriose para além dos focos visíveis. Inflamação, fibrose e retração dos tecidos também podem contribuir para o surgimento de sintomas que se manifestam longe da região uterina.
- Quais sintomas podem passar despercebidos?
Além das cólicas menstruais e da dor pélvica, a endometriose pode estar associada a dores na lombar, no quadril, na virilha e nas pernas. Também podem ocorrer dor durante as relações sexuais, ao evacuar ou ao urinar, especialmente quando esses sintomas apresentam relação com o ciclo menstrual.
- Como isso pode impactar o diagnóstico?
Por apresentarem sintomas em diferentes partes do corpo, algumas pacientes podem procurar inicialmente especialistas como ortopedistas, neurologistas, urologistas ou gastroenterologistas antes de investigar a possibilidade de endometriose.
Chiminacio ressalta que isso não significa que toda mulher com dor lombar ou nas pernas tenha endometriose. O alerta é para sintomas persistentes ou recorrentes, principalmente quando aparecem associados a cólicas menstruais intensas, dor nas relações sexuais, dor para evacuar ou urinar durante a menstruação ou dificuldade para engravidar.
“'A
Teoria do Polvo' não substitui o conhecimento médico sobre a endometriose, mas
é uma ferramenta que vem para auxiliar o profissional no diagnóstico e, ainda,
as pacientes na compreensão dos seus sintomas”, finaliza o médico.
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