Esposa do cantor, Poliana Rocha, relatou melhora na
aparência do artista após interrupção temporária. Especialista explica os
impactos reais da abstinência no fígado, no sono e no metabolismo
A
decisão do cantor Leonardo de interromper o consumo de bebidas alcoólicas por
questões de saúde, segundo sua esposa, Poliana Rocha, como uma pausa inicial de
30 dias, colocou em evidência os impactos do álcool no organismo e a velocidade
com que o corpo reage quando a substância é retirada da rotina.
O
anúncio gerou forte repercussão e levantou uma dúvida central: o que acontece
com a saúde quando alguém decide parar de beber, mesmo que por um período curto?
De
acordo com a Dra. Patrícia Almeida, gastroenterologista e hepatologista pela
Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH) e doutora pela USP, os efeitos variam
conforme o histórico de cada pessoa, mas mudanças metabólicas importantes
surgem logo nas primeiras semanas de abstinência.
“Nosso
corpo não tem um botão de reset, mas começa a se recuperar. Algumas mudanças
aparecem em semanas; outras levam anos. Quanto antes a exposição ao álcool é
interrompida, maior é a oportunidade de recuperar o que é reversível”, destaca
a especialista.
O que muda em
poucas semanas?
Estudos
científicos respaldam os relatos de quem decide dar uma pausa na bebida. Um
levantamento publicado no periódico BMJ Open acompanhou consumidores
regulares de álcool e identificou que, após apenas um mês de abstinência, houve
uma redução de cerca de 26% na resistência à insulina, além de melhorias na
pressão arterial, no peso e em exames laboratoriais do fígado.
Entre os
principais benefícios de curto prazo apontados pela hepatologista destacam-se:
Fígado
renovado: O acúmulo de
gordura no fígado (esteatose hepática) provocado pelo álcool é altamente
reversível e pode regredir em poucas semanas sem a substância.
Sono
restaurador e disposição:
Embora o álcool tenha efeito sedativo inicial, ele fragmenta a arquitetura do
sono (fase REM). A interrupção devolve a qualidade ao descanso e aumenta a
energia diária.
Alívio
digestivo e menos inchaço:
A ausência da bebida reduz a irritação gástrica, amenizando azia e refluxo,
além de diminuir o inchaço facial ou abdominal devido à queda calórica e menor
retenção de líquidos.
Cirrose e
limites da recuperação
A
médica ressalta que a regeneração tem limites. Quando já existem quadros de
fibrose ou cirrose hepática, a recuperação é mais lenta e pode ser apenas
parcial. Ainda assim, parar de beber continua sendo fundamental: um estudo de
2026 publicado no Journal of Hepatology com pacientes com cirrose
alcoólica descompensada revelou que cerca de um terço atingiu critérios de
recompensação hepática após cinco anos de abstinência.
Alerta e longo prazo
A
especialista faz uma ressalva essencial: pessoas com histórico de consumo
pesado ou dependência não devem interromper o álcool de forma abrupta sem
avaliação médica, pois a síndrome de abstinência pode ser grave e até fatal. No
médio e longo prazo, a interrupção reduz drasticamente a exposição a fatores
associados a diversos tipos de câncer e a problemas cardiovasculares graves.
Dra. Patrícia Almeida - CRM SP 159821 - Possui graduação em Medicina pela Universidade Federal do Ceará (2010). Residência Médica em Clínica Médica no Hospital Geral Dr César Cals em Fortaleza-CE- (2011-12). Residência em Gastroenterologia no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo-(USP RP) (2013/15). Aprimoramento em Hepatologia no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP RP)- (2016). Aprimoramento em Transplante de fígado no Hospital das clínicas da Universidade de São Paulo (USP RP) (2017). Observership no Jackson Memorial Hospital em Miami/EUA 2017. Doutorado em Hepatologia no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. Título de Especialista em Gastroenterologia pela FBG Título em Hepatologia pela SBH. Hepatologista do Hospital Israelita Albert Einstein
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