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sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Dia da Doação de Órgãos: 73,8 mil pessoas esperam por um transplante no Brasil, e 45% das famílias recusam a doação

 No Dia Nacional da Doação de Órgãos, celebrado neste domingo (27), o Brasil tem o maior programa público de transplantes do mundo, mas a recusa de 45% das famílias ainda dificulta a doação

 

Setembro marca a campanha Setembro Verde, dedicada à conscientização sobre a doação de órgãos. Neste domingo, 27 de setembro, é celebrado o Dia Nacional da Doação de Órgãos. A data chama atenção para uma conversa que muitas famílias adiam, mas que pode fazer diferença no momento de decidir pela doação.

Segundo os dados mais recentes do Registro Brasileiro de Transplantes, da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), 73.877 pessoas aguardavam na lista de espera em dezembro de 2025, incluindo pacientes que aguardavam órgãos e córneas. No mesmo ano, 45% das famílias entrevistadas recusaram a doação. O índice era de 46% em 2024.

“A recusa geralmente vem do medo e da falta de informação. Muitas famílias não conversam sobre o tema e, na hora da perda, acabam decidindo pelo ‘não’. É por isso que precisamos falar mais abertamente sobre doação de órgãos em casa, nas escolas e em todos os espaços possíveis”, explica a Dra. Patrícia Almeida, hepatologista pela Sociedade Brasileira de Hepatologia e doutora pela Universidade de São Paulo (USP).

Em 2025, o Brasil realizou 6.697 transplantes de rim, 2.573 de fígado, 427 de coração, 142 de pâncreas e 96 de pulmão. Apesar dos procedimentos realizados, milhares de pessoas continuam à espera.

A doação pode ocorrer em vida, em situações específicas, como a doação de um rim ou de parte do fígado. Após a confirmação de morte encefálica, a retirada de órgãos e tecidos depende da autorização da família.

Entre os órgãos que podem ser doados estão coração, fígado, rins, pulmões, intestino e pâncreas. Também podem ser doados tecidos, como córneas, pele, ossos, tendões e válvulas cardíacas.

“Quando falamos em doação, não estamos falando de estatísticas frias. Estamos falando de pessoas reais que ganham uma segunda chance de vida, de famílias que voltam a sorrir, de crianças que podem crescer saudáveis. É sobre humanidade e solidariedade”, reforça a médica.
 

Mitos que ainda afastam as famílias

1-A aparência do corpo será alterada. Mito. A retirada de órgãos e tecidos é um procedimento cirúrgico realizado com cuidado para preservar a aparência do doador.

2-É possível furar a fila. Mito. A distribuição segue critérios estabelecidos pelo sistema de transplantes, como compatibilidade e condições clínicas.

3-Se a pessoa disse “sim” em vida, a família não pode recusar. Mito. No Brasil, a autorização da família é necessária para a doação após a morte.

“Um dos mitos mais comuns é o de que alguém pode passar na frente da fila, mas isso não existe. O sistema é baseado em critérios clínicos. A confiança nesse processo é fundamental para que mais pessoas se sintam seguras em dizer ‘sim’ à doação”, afirma a Dra. Patrícia.
 

Como se tornar um doador

Para manifestar a vontade de doar órgãos após a morte, o mais importante é conversar com a família. Não é necessário fazer um cadastro ou registrar a decisão em cartório. Quando a doação se torna possível, são os familiares que precisam autorizá-la.

“Muita gente acredita que precisa de um registro em cartório ou um documento especial, mas não é verdade. Basta conversar com a sua família e deixar clara a sua vontade”, esclarece a especialista.

 

Dra. Patrícia Almeida - CRM SP 159821. Possui graduação em Medicina pela Universidade Federal do Ceará (2010). Residência Médica em Clínica Médica no Hospital Geral Dr César Cals em Fortaleza-CE- (2011-12). Residência em Gastroenterologia no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo-(USP RP) (2013/15). Aprimoramento em Hepatologia no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP RP)- (2016). Aprimoramento em Transplante de fígado no Hospital das clínicas da Universidade de São Paulo (USP RP) (2017). Observership no Jackson Memorial Hospital em Miami/EUA 2017. Doutorado em Hepatologia no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. ítulo de Especialista em Gastroenterologia pela FBG Título em Hepatologia pela SBH. epatologista do Hospital Israelita

 

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