No Dia Nacional da Doação de Órgãos, celebrado neste domingo (27), o Brasil tem o maior programa público de transplantes do mundo, mas a recusa de 45% das famílias ainda dificulta a doação
Setembro
marca a campanha Setembro Verde, dedicada à conscientização sobre a doação de
órgãos. Neste domingo, 27 de setembro, é celebrado o Dia Nacional da Doação de
Órgãos. A data chama atenção para uma conversa que muitas famílias adiam, mas
que pode fazer diferença no momento de decidir pela doação.
Segundo
os dados mais recentes do Registro Brasileiro de Transplantes, da Associação
Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), 73.877 pessoas aguardavam na lista
de espera em dezembro de 2025, incluindo pacientes que aguardavam órgãos e
córneas. No mesmo ano, 45% das famílias entrevistadas recusaram a doação. O
índice era de 46% em 2024.
“A
recusa geralmente vem do medo e da falta de informação. Muitas famílias não
conversam sobre o tema e, na hora da perda, acabam decidindo pelo ‘não’. É por
isso que precisamos falar mais abertamente sobre doação de órgãos em casa, nas
escolas e em todos os espaços possíveis”, explica a Dra. Patrícia Almeida,
hepatologista pela Sociedade Brasileira de Hepatologia e doutora pela
Universidade de São Paulo (USP).
Em
2025, o Brasil realizou 6.697 transplantes de rim, 2.573 de fígado, 427 de
coração, 142 de pâncreas e 96 de pulmão. Apesar dos procedimentos realizados,
milhares de pessoas continuam à espera.
A
doação pode ocorrer em vida, em situações específicas, como a doação de um rim
ou de parte do fígado. Após a confirmação de morte encefálica, a retirada de
órgãos e tecidos depende da autorização da família.
Entre
os órgãos que podem ser doados estão coração, fígado, rins, pulmões, intestino
e pâncreas. Também podem ser doados tecidos, como córneas, pele, ossos, tendões
e válvulas cardíacas.
“Quando
falamos em doação, não estamos falando de estatísticas frias. Estamos falando
de pessoas reais que ganham uma segunda chance de vida, de famílias que voltam
a sorrir, de crianças que podem crescer saudáveis. É sobre humanidade e
solidariedade”, reforça a médica.
Mitos que ainda afastam as famílias
1-A aparência do corpo será alterada. Mito. A retirada de órgãos e tecidos é um procedimento
cirúrgico realizado com cuidado para preservar a aparência do doador.
2-É possível furar a fila.
Mito. A distribuição segue critérios estabelecidos pelo sistema de
transplantes, como compatibilidade e condições clínicas.
3-Se a pessoa disse “sim” em vida, a família não pode recusar. Mito. No Brasil, a autorização da família é
necessária para a doação após a morte.
“Um
dos mitos mais comuns é o de que alguém pode passar na frente da fila, mas isso
não existe. O sistema é baseado em critérios clínicos. A confiança nesse
processo é fundamental para que mais pessoas se sintam seguras em dizer ‘sim’ à
doação”, afirma a Dra. Patrícia.
Como se tornar um doador
Para
manifestar a vontade de doar órgãos após a morte, o mais importante é conversar
com a família. Não é necessário fazer um cadastro ou registrar a decisão em
cartório. Quando a doação se torna possível, são os familiares que precisam
autorizá-la.
“Muita
gente acredita que precisa de um registro em cartório ou um documento especial,
mas não é verdade. Basta conversar com a sua família e deixar clara a sua
vontade”, esclarece a especialista.
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