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terça-feira, 25 de agosto de 2026

Colesterol baixo também pode ser um problema? Entenda quando investigar

 

A redução do colesterol pode ocorrer por hábitos saudáveis ou tratamento adequado, mas, quando é inesperada, merece avaliação clínica

 

Quando o assunto é colesterol, a preocupação costuma estar voltada aos níveis elevados no sangue. No entanto, uma redução importante e não esperada também pode merecer atenção, especialmente quando vem acompanhada de perda de peso involuntária, mudanças no apetite ou outros sintomas. 

O colesterol exerce funções essenciais no organismo: faz parte da estrutura das membranas celulares e participa da produção de hormônios esteróides e ácidos biliares, importantes para a digestão das gorduras, além da síntese de vitamina D. 

No exame de sangue, são avaliados colesterol total, LDL, HDL e triglicérides. Mais do que um valor isolado, a interpretação deve considerar o histórico do paciente, seus fatores de risco, hábitos de vida, uso de medicamentos e a comparação com exames anteriores. 

Pensando nisso, Dra. Paula Matos Lemos, clínica geral do dr.consulta, lista as principais causas do colesterol baixo, além dos possíveis riscos e sinais de alerta. Confira:

 

Quando o colesterol baixo é esperado? 

A redução do LDL e dos triglicérides pode ocorrer após perda de peso planejada, melhora da alimentação, prática regular de atividade física e redução do consumo de álcool. Também é uma consequência esperada de medicamentos prescritos para redução do risco cardiovascular, como estatinas e outras terapias hipolipemiantes. 

Nessas situações, quando a redução ocorre após mudanças consistentes no estilo de vida ou durante tratamento indicado para reduzir o risco cardiovascular, o resultado geralmente representa uma evolução favorável. O tratamento não deve ser suspenso ou alterado sem orientação médica. 

O objetivo é atingir uma meta de LDL adequada ao risco cardiovascular de cada pessoa. Em pacientes com risco cardiovascular elevado, reduções mais intensas do LDL podem trazer proteção importante para o coração e os vasos.

 

Quando investigar? 

A atenção é maior quando a queda é nova, acentuada e sem explicação evidente. Em geral, considera-se hipolipidemia quando o colesterol total está abaixo de 120 mg/dL ou o LDL abaixo de 50 mg/dL, mas esses valores devem sempre ser interpretados no contexto clínico.

 

Entre as possíveis causas de colesterol baixo sem uso de medicação estão:

  • dietas muito restritivas, baixa ingestão calórica, desnutrição ou inapetência prolongada;
  • hipertireoidismo;
  • doenças que comprometem a absorção de nutrientes, como doença celíaca, doença de Crohn, insuficiência pancreática crônica e outras síndromes de má absorção;
  • doenças hepáticas crônicas ou avançadas, que podem reduzir a produção de colesterol;
  • infecções crônicas, inflamação sistêmica e algumas neoplasias, sobretudo quando há perda de peso involuntária e sintomas constitucionais;
  • insuficiência renal avançada, estados de desnutrição ou perda de proteínas pelo intestino;
  • insuficiência adrenal;
  • causas genéticas, mais raras, como a hipobetalipoproteinemia familiar.

Na maioria das vezes, o colesterol baixo não causa sintomas específicos. O ponto principal é entender se ele faz parte de uma mudança esperada no estilo de vida ou no tratamento, ou se pode ser um sinal indireto de outra condição de saúde.

 

Sinais que merecem atenção 

É importante buscar avaliação médica quando a redução do colesterol ocorre sem motivo aparente, principalmente se houver:

  • perda de peso não intencional;
  • fadiga importante ou fraqueza persistente;
  • redução do apetite;
  • diarreia crônica, fezes gordurosas ou outros sintomas gastrointestinais;
  • palpitações, tremores, intolerância ao calor, sudorese excessiva ou alteração do hábito intestinal;
  • febre prolongada, sudorese noturna ou outros sinais de doença sistêmica.

A investigação pode incluir a repetição do perfil lipídico e exames direcionados, como avaliação da tireóide, função hepática e renal, hemograma, marcadores inflamatórios e análise nutricional, conforme a história clínica.

 

O que fazer? 

Não é recomendado tentar aumentar o colesterol por conta própria, nem interromper medicamentos prescritos. A conduta depende da causa identificada: em alguns casos, basta acompanhar; em outros, pode ser necessário ajustar a alimentação, revisar tratamentos em uso ou investigar doenças associadas.

Manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física, evitar o tabagismo e realizar exames periódicos são medidas importantes para a saúde cardiovascular. Mais do que buscar um número isolado, o ideal é compreender o perfil lipídico dentro do contexto de cada paciente.


Homens se cuidam menos? Saiba três razões pelas quais o diagnóstico precoce é decisivo para a longevidade masculina

Com mais de 17 mil mortes registradas por doenças cardiovasculares entre janeiro e maio de 2026, dados reforçam a importância de exames preventivos divididos por faixa etária.


Culturalmente, a população masculina tende a negligenciar consultas e exames preventivos, um hábito que reflete diretamente na menor expectativa de vida em relação às mulheres. Para conscientizar sobre o tema, especialistas explicam o impacto desse comportamento e apresentam como a medicina preventiva pode reverter esse cenário.



Três razões pelas quais os homens se cuidam menos e os riscos envolvidos:

  • 1. Distanciamento da medicina preventiva: Dados da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) revelam que 46% dos homens só procuram ajuda médica quando já apresentam sintomas. Além disso, apenas 32% dos homens acima de 40 anos afirmam estar realmente atentos ao próprio bem-estar.
     
  • 2. Impacto direto na expectativa de vida: Segundo a Tábua de Mortalidade 2022 do IBGE, os homens vivem, em média, sete anos a menos do que as mulheres (72 anos para eles contra 79 anos para elas).
     
  • 3. Alta mortalidade por eventos vasculares: Números do Datasus apontam que, de janeiro a maio de 2026, mais de 17 mil homens faleceram em decorrência de AVCs, infartos e insuficiência cardíaca — um volume 11,8% superior ao registrado entre as mulheres no mesmo período.

"Com homens procurando menos os serviços de saúde para diagnóstico precoce, é muito provável que esses pacientes, quando finalmente chegarem ao ambiente hospitalar, já estejam em estágio crítico", analisa Márcio Nunes, coordenador técnico do São Marcos Saúde e Medicina, marca Dasa em Minas Gerais.

Avanços diagnósticos e mapeamento genético

A prevenção vai além de consultas básicas. O cardiologista Alex Félix, da clínica CDPI (Dasa/RJ), ressalta que exames como teste ergométrico, escore de cálcio coronariano, angiotomografia de artérias coronárias, Doppler de carótidas e ecocardiograma permitem identificar a aterosclerose e disfunções cardíacas de forma silenciosa e precoce.

Para os casos de infarto precoce sem fatores de risco tradicionais, a genética desempenha papel fundamental. "Muitas pessoas não se enquadram nos critérios tradicionais de risco e, por isso, não são investigadas. Quando existe uma carga genética importante, o primeiro sinal pode ser justamente um evento grave", explica Marcelo Bittencourt, cardiologista da Dasa Genômica.

O Escore de Risco Poligênico surge como ferramenta complementar para analisar milhares de variantes genéticas e antecipar o risco coronariano.



Guia de prevenção: check-up por faixa etária

A endocrinologista Maria Helane Gurgel, diretora médica dos laboratórios Sérgio Franco e Bronstein, destaca que a rotina contínua de exames deve acompanhar as diferentes fases da vida:

  • De 20 a 30 anos: Avaliações laboratoriais básicas (hemograma completo, perfil lipídico, glicemia de jejum, hemoglobina glicada, TSH, função hepática e renal, dosagem de lipoproteína (a)), aferição da pressão arterial (MAPA, se necessário) e medição de composição corporal via IMC e densitometria de corpo total (DEXA).

  • De 35 a 40 anos: Rastreio cardiológico aprofundado para pacientes com histórico familiar ou fatores de risco (tabagismo, sedentarismo, diabetes, hipertensão, obesidade), incluindo teste ergométrico, teste cardiopulmonar, ecocardiograma, Doppler de carótidas e tomografias coronarianas.

  • De 45 a 50 anos: Foco na investigação oncológica com dosagem de PSA total e livre, exame de toque retal e ultrassonografia de próstata (quando indicados), além de colonoscopia para detecção de câncer de cólon e reto e ultrassom de abdômen total.

Cinco hábitos que podem reduzir a libido feminina e muitas mulheres não percebem

Especialista explica que estresse, privação de sono, alimentação inadequada e até a automedicação podem interferir no desejo sexual, mas reforça que existem formas de recuperar a qualidade de vida e o bem-estar

 

A queda da libido feminina ainda é cercada de tabus, mas especialistas alertam que a diminuição do desejo sexual não deve ser encarada como algo "normal" ou inevitável. Embora as alterações hormonais tenham um papel importante, principalmente na menopausa e no climatério, diversos hábitos do dia a dia também podem comprometer a saúde sexual das mulheres. Uma revisão científica publicada em 2025 na revista Maturitas, periódico oficial da Sociedade Europeia de Menopausa e Andropausa (EMAS), reforça essa relação ao apontar que distúrbios do sono estão entre os fatores mais associados à redução do desejo, da excitação e da satisfação sexual feminina. 

Segundo o ginecologista e endocrinologista Dr. Igor Trotte, a libido feminina é resultado da interação entre fatores biológicos, emocionais, comportamentais e relacionais. Embora os hormônios exerçam um papel importante, eles representam apenas uma parte da equação. "O desejo sexual reflete o equilíbrio da saúde como um todo. Quando a mulher vive sobrecarregada, dorme mal, convive com estresse constante, apresenta deficiências nutricionais ou enfrenta alterações hormonais, é comum que a libido seja uma das primeiras funções a sofrer impacto", explica o especialista. 

Essa visão também é respaldada por uma revisão sistemática publicada em 2025 no Journal of Sexual Medicine, periódico científico internacional da International Society for Sexual Medicine (ISSM), publicado pela Oxford University Press, que mostrou que fatores como ansiedade, sintomas depressivos, qualidade do relacionamento e comunicação entre o casal influenciam diretamente a forma como as mulheres vivenciam sua saúde sexual.
 

Os cinco erros mais comuns que prejudicam a libido feminina:
 

1. Dormir pouco e viver cansada

A privação de sono altera a produção de hormônios importantes para o organismo, aumenta os níveis de cortisol e reduz a disposição física e emocional. Além disso, pesquisas recentes mostram que mulheres com distúrbios do sono apresentam maior risco de redução do desejo sexual e menor satisfação nas relações. 

"O sono é um dos pilares da saúde hormonal. Sem um descanso adequado, o organismo prioriza funções essenciais de sobrevivência e o desejo sexual acaba ficando em segundo plano", afirma o médico.
 

2. Acreditar que a queda da libido é apenas uma questão de idade 

Embora o envelhecimento e a menopausa provoquem mudanças hormonais, mulheres jovens também podem apresentar redução do desejo sexual. 

"É um erro associar libido baixa apenas ao avanço da idade. Muitas pacientes na faixa dos 30 ou 40 anos chegam ao consultório com alterações hormonais, estresse intenso ou outros fatores que explicam essa queda e podem ser tratados."
 

3. Ignorar os sinais do estresse crônico 

Rotina intensa, excesso de responsabilidades e sobrecarga mental impactam diretamente o funcionamento hormonal.

"O cortisol elevado interfere no equilíbrio hormonal e reduz naturalmente o interesse sexual quando o estresse se torna constante. Além disso, ansiedade e exaustão emocional diminuem a capacidade de relaxamento e conexão com o próprio corpo."
 

4. Descuidar da alimentação e da atividade física 

Deficiências de vitaminas, excesso de alimentos ultraprocessados e o sedentarismo também podem comprometer a disposição e o desejo. 

"Uma alimentação equilibrada, associada à prática regular de exercícios, melhora a circulação, reduz processos inflamatórios e favorece o funcionamento hormonal. São mudanças simples que refletem diretamente na saúde sexual."
 

5. Conviver com o problema sem procurar ajuda 

Muitas mulheres acreditam que a perda da libido faz parte da rotina ou sentem vergonha de conversar sobre o assunto. "A libido é um importante indicador de saúde. Quando há uma mudança persistente, vale a pena investigar. Em muitos casos, o tratamento envolve ajustes no estilo de vida, avaliação hormonal e acompanhamento individualizado, permitindo que a mulher recupere não apenas o desejo sexual, mas também sua qualidade de vida." 

Para Dr. Igor Trotte, falar sobre libido feminina de forma aberta e baseada em evidências é fundamental para reduzir preconceitos e incentivar o diagnóstico precoce de alterações hormonais e metabólicas. "A sexualidade faz parte da saúde integral da mulher. Quando ela entende que não precisa conviver com sintomas que afetam seu bem-estar, abre espaço para buscar orientação e encontrar soluções personalizadas. Quanto mais cedo a causa é identificada, maiores são as chances de um tratamento eficaz e individualizado", conclui.
 



Fontes:

Sleep disorders and sexual function in women - PubMed

When is low sexual function problematic for women? A systematic review of factors associated with distress about low sexual function | The Journal of Sexual Medicine | Oxford Academic


Bruxismo não causa enxaqueca, mas é sintoma de hiperexcitação do cérebro em 78% dos casos da doença, aponta estudo

Pesquisa foi realizada por brasileiros e comprovou que o apertar e ranger dos dentes é uma consequência da hiperativação dos nervos trigêmeos

 

Por muito tempo, o bruxismo foi considerado uma das possíveis causas das dores de cabeça intensas. Hoje, porém, essa relação começa a ser compreendida sob uma nova perspectiva: o bruxismo pode ser uma manifestação associada à própria enxaqueca. É o que aponta um estudo pioneiro realizado no Headache Center Brasil, centro especializado no tratamento 360º da condição, fundado pela médica neurologista Thais Villa, especialista no diagnóstico e tratamento da enxaqueca. 

A pesquisa revelou que 78% dos pacientes com enxaqueca crônica, que convivem com sintomas durante 15 ou mais dias do mês, apresentavam bruxismo diurno (de vigília). O dado reforça a hipótese de que o hábito de apertar ou ranger os dentes, durante o dia ou à noite, pode estar associado à hiperexcitabilidade do sistema nervoso central e à hiperativação do sistema trigeminovascular, mecanismos envolvidos no surgimento e na manutenção das crises de enxaqueca. 

A doença complexa e altamente incapacitante tem causa neurológica. Embora a dor de cabeça seja seu sinal mais evidente, a condição pode apresentar inúmeros sintomas, desde náuseas, fotofobia, alteração de humor, déficits cognitivos de memória e atenção, insônia e o próprio bruxismo. 

Nesse contexto, apertar e ranger os dentes pode ser uma resposta do sistema nervoso e ocorrer independentemente de o indivíduo estar acordado ou dormindo, tornando fundamental encarar o bruxismo não como um problema isolado, mas como um alerta neurológico. 

Um dado que chamou a atenção dos pesquisadores é que muitas pessoas apresentam bruxismo diurno sem perceber. A identificação precisa da condição na pesquisa só foi possível graças ao uso da eletromiografia computadorizada de rosto, exame realizado por cirurgiões-dentistas especializados. Pequenos eletrodos colocados na musculatura da mastigação captaram e registraram graficamente as descargas elétricas enviadas pelos nervos trigêmeos, comprovando a contração muscular involuntária mesmo em pessoas que garantem não apertar os dentes ao longo do dia. 

O diagnóstico da enxaqueca, no entanto, permanece clínico. Não existem exames de imagem ou laboratoriais capazes de diagnosticar a doença; a conclusão depende de uma consulta médica especializada e aprofundada, capaz de analisar o histórico detalhado do paciente. A eletromiografia atua como uma ferramenta complementar de mapeamento funcional para identificar o envolvimento muscular e orientar a terapêutica, sem substituir a avaliação clínica neurológica.  

O estudo aponta para uma mudança na forma de olhar para o bruxismo. Apenas tratar o desgaste dos dentes ou usar uma placa para proteger a dentição pode não ser suficiente quando o problema está relacionado à enxaqueca. Nesses casos, é importante considerar uma abordagem integrada, com diferentes profissionais de saúde. 

"O bruxismo é um sintoma tão frequente da enxaqueca quanto a própria dor de cabeça. Por isso, a doença de base precisa de tratamento multidisciplinar em um modelo 360º. Tratar o cérebro e o sistema nervoso é o único caminho eficaz para controlar, simultaneamente, as crises de dor e o estímulo nervoso que leva ao bruxismo", afirma a neurologista Thais Villa.




Dra Thaís Villa (CRM 110217) - Neurologista com Doutorado pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e Pós-Doutorado pela Universidade da Califórnia (UCLA) nos Estados Unidos. Fundadora do Headache Center Brasil, que em 2026 completou 10 anos de atendimentos. A clínica multiprofissional é pioneira no país no diagnóstico e tratamento integrado das dores de cabeça e da enxaqueca. Professora de Neurologia e Chefe do Setor de Cefaleias na UNIFESP no período de 2015 a 2022. Membro Titular da Academia Brasileira de Neurologia. Membro da Sociedade Brasileira de Cefaleia. Membro do Conselho Consultivo do Comitê de Cefaleias na Infância e Adolescência da International Headache Society. Atua exclusivamente na pesquisa e atendimento de pacientes com dor de cabeça, no diagnóstico e tratamento da enxaqueca, enxaqueca crônica, cefaleia em salvas e outras cefaleias. Palestrante convidada em congressos nacionais e internacionais.


Headache Center Brasil
www.headachecenterbrasil.com.br
Instagram: @headache_center_brasil


Colesterol alto de família: quando o risco para o coração vem da genética

Cirurgião cardiovascular alerta que alteração genética pode manter o LDL elevado e aumentar o risco de infarto precoce
 


Colesterol alto costuma ser associado à alimentação inadequada, sedentarismo e excesso de peso. Mas, em alguns casos, o problema tem origem genética e pode aparecer mesmo em pessoas jovens, magras e com hábitos aparentemente saudáveis. É o caso da hipercolesterolemia familiar, condição hereditária que provoca níveis elevados de LDL, conhecido como “colesterol ruim”, desde o nascimento.
 

Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 40% da população brasileira tem colesterol elevado, uma alteração que não costuma causar sintomas e só pode ser identificada por exames de sangue. De acordo com o Dr. Élcio Pires Junior, cirurgião cardiovascular, a hipercolesterolemia familiar merece atenção porque expõe o organismo a níveis altos de colesterol por muitos anos, aumentando o risco de formação de placas nas artérias e de eventos cardiovasculares precoces. 

“A hipercolesterolemia familiar, nome atrelado a este tipo de problema, não é simplesmente consequência de comer gordura ou não fazer exercício. É uma condição genética em que o colesterol ruim permanece elevado desde cedo. Isso significa que as artérias podem ficar expostas ao LDL alto por décadas, aumentando o risco de infarto em idades mais jovens”, explica. 

A doença pode ser suspeitada quando há LDL muito elevado, histórico familiar de colesterol alto, infarto, AVC ou morte súbita em parentes jovens. Em alguns casos, também podem aparecer sinais físicos, como depósitos de gordura na pele, nos tendões ou ao redor dos olhos, embora muitos pacientes não apresentem qualquer manifestação visível. 

“Um ponto importante é investigar a família. Quando uma pessoa é diagnosticada com hipercolesterolemia familiar, pais, irmãos e filhos também devem ser avaliados, porque a chance de haver outros familiares afetados é relevante”, orienta Dr. Élcio.

Segundo a Atualização da Diretriz Brasileira de Hipercolesterolemia Familiar, a condição é uma causa genética comum de doença coronariana prematura, especialmente infarto, em razão da exposição prolongada a altas concentrações de LDL. 

O tratamento pode envolver mudanças no estilo de vida, como alimentação equilibrada, atividade física, controle do peso e abandono do tabagismo. No entanto, em muitos casos, isso não é suficiente para controlar adequadamente o LDL, sendo necessário uso de medicamentos e acompanhamento regular. 

“Há pacientes que fazem dieta, praticam exercício e, ainda assim, mantêm colesterol muito alto. Isso não significa falha pessoal. Significa que pode existir um componente genético importante e que o tratamento precisa ser individualizado”, afirma. 

O especialista reforça que a prevenção deve começar antes do aparecimento dos sintomas. Como o colesterol alto é silencioso, esperar dor no peito, falta de ar ou mal-estar pode significar que a doença cardiovascular já está instalada. “Controlar o colesterol é uma forma de proteger o coração antes que o problema apareça. No caso da hipercolesterolemia familiar, o diagnóstico precoce pode mudar a história de uma família inteira, porque permite tratar o paciente e rastrear parentes que também podem estar em risco”, conclui Dr. Élcio.

 

Dr. Élcio - coordenador da cirurgia cardiovascular nos hospitais São Luiz Osasco, Central Oeste (Carapicuíba) e Central Sul (São Paulo), da Rede Dor, coordenador da Cardiologia e Cirurgia Cardiovascular no Hospital Bom Clima de Guarulhos. Cirurgião Cardiovascular do Hospital Albert Sabin em São Paulo. Cirurgião Cardiovascular no Hospital Beneficência Portuguesa de Campinas. É membro especialista da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular e membro internacional da The Society of Thoracic Surgeons dos EUA. Especialista em cirurgia cardiovascular pela SBCCV/AMB e atua em Estimulação Cardíaca Eletrônica Implantável pela SBCCV/AMB. Pode contribuir em pautas sobre problemas cardiovasculares, explicando como funcionam os tratamentos e procedimentos, além de formas de prevenção e sinais das doenças.
Dr. Elcio Pires Junior (@drelciopiresjr) • Fotos e vídeos do Instagram


Seletividade alimentar afeta até 69% das crianças autistas; guia explica o desafio e orienta famílias

 

Ilustração: Divulgação Autistas Brasil

Publicação gratuita da Autistas Brasil reúne 20 estratégias para tornar as refeições mais seguras, acolhedoras e menos estressantes

 

Entre 23% e 69% das crianças autistas apresentam seletividade alimentar significativa, segundo estudos reunidos no guia “Meu filho não come — Entendendo a seletividade alimentar no autismo”, lançado pela Autistas Brasil. As pesquisas apontam que essas crianças podem recusar cerca de 42% dos alimentos oferecidos e apresentar um repertório médio de aproximadamente 19 itens. Estudos brasileiros citados na publicação identificaram resultados semelhantes, com repertório em torno de 17 alimentos e recusa de aproximadamente 44% do que é oferecido.

Voltado a familiares e cuidadores de crianças autistas, o material gratuito utiliza uma linguagem acessível e uma abordagem afirmativa da neurodiversidade para explicar por que algumas crianças apresentam um repertório alimentar restrito. A publicação também oferece orientações práticas para tornar as refeições mais seguras, acolhedoras e menos estressantes. 

A cartilha destaca que a seletividade alimentar não deve ser interpretada automaticamente como birra, falta de educação ou tentativa de manipulação. Em muitos casos, a recusa está relacionada à forma como a criança percebe texturas, sabores, cheiros, temperaturas, cores e até mesmo os sons presentes durante as refeições. 

Questões gastrointestinais, dificuldades de mastigação e deglutição, necessidade de previsibilidade e dificuldade para identificar sinais internos de fome e saciedade também podem influenciar a relação da criança com a comida. 

O guia é de autoria de Guilherme de Almeida, presidente da Autistas Brasil, e foi elaborado com base em estudos científicos nacionais e internacionais. A publicação reforça que não existe uma única forma correta de comer e que o objetivo das intervenções não deve ser fazer uma criança autista se alimentar da mesma maneira que uma criança não autista, mas construir uma relação possível, segura e respeitosa com a comida. 

“Quando uma criança autista recusa determinado alimento, é fundamental compreender que pode existir um desconforto sensorial real por trás daquela reação. Forçar, pressionar ou transformar a refeição em um conflito tende a aumentar a ansiedade e a aversão à comida. Com este guia, queremos oferecer informação confiável e estratégias acessíveis para que as famílias consigam acolher as necessidades da criança, reconhecer seus limites e avançar de maneira gradual, respeitosa e segura”, afirma Guilherme de Almeida, presidente da Autistas Brasil.
 

Orientações para reduzir conflitos durante as refeições

Ao longo de oito capítulos, o material apresenta situações que devem ser evitadas. Entre elas estão forçar a criança a comer, usar alimentos como recompensa ou castigo, fazer comparações com outras crianças, esconder ingredientes nas refeições, restringir alimentos já aceitos para provocar fome e expor a criança a situações que causem pânico. 

A cartilha recomenda que familiares e cuidadores escutem a própria criança e considerem suas formas de comunicação, incluindo fala, gestos e recursos de comunicação alternativa ou aumentativa. O princípio apresentado é que nenhuma decisão sobre alimentação deve ser tomada sem considerar as sensações e os limites de quem está comendo. 

A publicação também diferencia três situações. A primeira é a preferência alimentar, quando a criança possui um repertório menor, mas suficiente do ponto de vista nutricional. A segunda é a dificuldade alimentar, quando a restrição começa a prejudicar a nutrição, o funcionamento ou o bem-estar. A terceira é o Transtorno Alimentar Restritivo/Evitativo, conhecido pela sigla ARFID, diagnóstico que exige prejuízos concretos, como perda de peso, deficiência nutricional, dependência de suplementos ou sofrimento significativo.
 

Vinte estratégias para aplicar em casa

Entre as orientações práticas, o guia sugere criar um ambiente tranquilo, manter horários regulares, utilizar utensílios adequados ao perfil sensorial da criança e garantir a presença de pelo menos um alimento seguro no prato. 

A aproximação com novos alimentos deve acontecer sem pressão e pode começar fora do horário das refeições. Brincar com alimentos, participar do preparo, tocar, cheirar ou observar uma comida nova já são considerados passos importantes. A publicação orienta que o contato seja feito em etapas e que a criança possa interromper a experiência quando se sentir desconfortável. 

O material também recomenda oferecer escolhas dentro das possibilidades da família, utilizar apoios visuais, respeitar uma resposta negativa e criar “pontes” entre alimentos já aceitos e novas opções com características semelhantes de textura, formato ou sabor. 

Entre as estratégias nutricionais estão enriquecer alimentos que a criança já consome, oferecer a mesma comida em apresentações diferentes, manter uma rotina de hidratação e registrar, sem cobrança excessiva, os alimentos seguros e os novos contatos realizados.
 

Quando procurar ajuda profissional

A cartilha orienta as famílias a buscarem avaliação especializada quando a alimentação restrita comprometer o crescimento, a nutrição ou a participação social da criança. Perda de peso, sinais de deficiência nutricional, engasgos frequentes, dificuldade para engolir, vômitos diante de alimentos, ansiedade intensa nas refeições e aversão a grupos alimentares inteiros estão entre os sinais de alerta. 

O acompanhamento pode envolver terapeuta ocupacional, nutricionista, fonoaudiólogo, gastroenterologista pediátrico, psicólogo neuroafirmativo e pediatra. A Autistas Brasil recomenda que as famílias procurem profissionais com uma abordagem afirmativa da neurodiversidade, que não utilizem coerção, não prometam “cura” e respeitem o ritmo e as características da criança. 

O guia também apresenta orientações para escolas, incluindo a possibilidade de adaptações no refeitório, acompanhamento por profissional de apoio, inclusão das necessidades alimentares no Plano de Atendimento Educacional Especializado e adequação do cardápio escolar mediante prescrição. 

Além das recomendações direcionadas às crianças, a publicação aborda a sobrecarga emocional enfrentada por mães, pais e cuidadores. O material incentiva a construção de redes de apoio, a divisão de responsabilidades e a busca por acompanhamento psicológico quando necessário.
 

Sobre a Autistas Brasil 

Organização nacional fundada e liderada por pessoas autistas, a Autistas Brasil atua na formulação de políticas públicas, na incidência jurídica e no desenvolvimento de programas educacionais em larga escala. Nos últimos três anos, suas ações alcançaram mais de 21 mil educadores em todo o país, consolidando a instituição como referência em inclusão, neurodiversidade e direitos humanos.


Agosto Dourado: especialista esclarece mitos e orienta mães de gêmeos sobre aleitamento materno

Campanha reforça a importância do apoio à amamentação e especialistas destacam que o organismo materno é capaz de produzir leite suficiente para alimentar dois bebês

 

Agosto Dourado, campanha dedicada ao incentivo, à promoção, à proteção e ao apoio ao aleitamento materno, reforça a importância da amamentação para a saúde da mãe e do bebê. Quando a gestação é de gêmeos, porém, ainda persistem dúvidas e inseguranças que fazem muitas mulheres acreditarem que não conseguirão produzir leite suficiente para alimentar os dois filhos.

Segundo a enfermeira obstetra Natalia Baldi, responsável pela Linha de Cuidado Materno-Infantil do Meu Doutor Novamed, esse é um dos principais mitos sobre a amamentação gemelar. "Na maioria dos casos, o organismo materno é plenamente capaz de produzir leite suficiente para alimentar os dois bebês. A produção de leite funciona pelo princípio da oferta e da demanda: quanto maior o estímulo das mamadas, maior tende a ser a produção", explica.

O tema ganha relevância em um cenário de crescimento das gestações gemelares, impulsionado principalmente pelo adiamento da maternidade e pelo maior acesso às técnicas de reprodução assistida. Ao mesmo tempo, essas gestações apresentam maior risco de prematuridade e baixo peso ao nascer, tornando o acompanhamento especializado ainda mais importante desde os primeiros dias de vida.

 Apesar de ser possível amamentar exclusivamente os gêmeos, o processo exige planejamento e uma rede de apoio. Entre os principais desafios estão o cansaço físico, a privação de sono, a dificuldade para sincronizar as mamadas e a insegurança quanto à produção de leite.

"A mãe de gêmeos tem um gasto energético maior e precisa cuidar da própria saúde para conseguir amamentar com conforto e qualidade. Além de uma alimentação equilibrada e boa hidratação, é fundamental contar com uma rede de apoio para as tarefas domésticas e os cuidados com os recém-nascidos. Esse suporte faz toda a diferença para que ela consiga manter a amamentação com mais tranquilidade", afirma Natalia.

A especialista explica que tanto a amamentação simultânea quanto a alternada são estratégias válidas. Quando os dois bebês já apresentam boa sucção, amamentá-los ao mesmo tempo ajuda a otimizar a rotina e permite mais momentos de descanso para a mãe. Já em situações em que um dos bebês apresenta dificuldade na pega, diferença importante de peso ou necessidade de maior atenção, as mamadas alternadas podem ser mais indicadas.

Nos casos em que os gêmeos nascem prematuros ou ainda não conseguem sugar adequadamente, pode ser necessário iniciar precocemente a retirada do leite materno para manter a produção até que os bebês estejam aptos para a amamentação direta.

A enfermeira também alerta para sinais que indicam a necessidade de procurar ajuda profissional, como dor intensa durante as mamadas, fissuras importantes nos mamilos, ingurgitamento persistente, sinais de mastite, dificuldade dos bebês para manter a pega ou sugar, ganho de peso insuficiente e insegurança persistente quanto à produção de leite.

"Quanto mais cedo a mãe recebe orientação especializada, maiores são as chances de superar as dificuldades e manter uma amamentação bem-sucedida. O leite materno continua sendo o alimento mais completo para os bebês, inclusive quando são gêmeos, e o Agosto Dourado é uma oportunidade para reforçar a importância de informar, acolher e apoiar as famílias durante esse processo", conclui Natalia Baldi.

 

Câncer de pulmão: tratamentos por via oral ampliam conforto e praticidade para pacientes

Terapias administradas em casa podem reduzir deslocamentos ao hospital e contribuir para uma jornada de tratamento mais confortável, sempre com acompanhamento médico
 

A jornada do paciente com câncer de pulmão vem ganhando novos contornos de praticidade, conforto e qualidade de vida com a utilização de terapias por via oral. Em uma rotina frequentemente marcada por consultas, deslocamentos e períodos de permanência no hospital, a possibilidade de realizar parte do tratamento em casa pode representar um importante benefício para o paciente, preservando sua rotina e reduzindo o impacto logístico do tratamento. 

Como explica a Dra. Claudia Regina Figueiredo, consultora médica da Blanver, farmacêutica e farmoquímica brasileira, a administração oral pode trazer benefícios tanto para o paciente quanto para o sistema de saúde. “A possibilidade de realizar parte do tratamento no ambiente familiar proporciona mais conforto e praticidade ao paciente, além de reduzir a necessidade de deslocamentos e de permanência no hospital. Para os serviços de saúde, quando clinicamente apropriado, a utilização de medicamentos orais também pode contribuir para otimizar a utilização da estrutura assistencial, liberando cadeiras e outros recursos destinados à administração de terapias intravenosas e permitindo que sejam direcionados a pacientes que realmente necessitam desse tipo de atendimento.” 

A escolha da via de administração, entretanto, deve ser individualizada e considerar evidências de eficácia, segurança, perfil do paciente e características do tratamento. A possibilidade de realizar o tratamento em casa não significa abrir mão do acompanhamento médico, que continua sendo fundamental para avaliar a resposta à terapia, a adesão e eventuais efeitos adversos. 

Esse potencial impacto na utilização dos recursos hospitalares ganha relevância diante da crescente demanda por atendimento oncológico. Quando clinicamente adequada, a administração oral pode reduzir visitas e períodos de permanência hospitalar relacionados à aplicação do tratamento, além de oferecer maior autonomia e praticidade ao paciente.
 

Agosto Branco reforça a importância da prevenção e do diagnóstico

A discussão sobre novas possibilidades de tratamento ganha ainda mais relevância durante o Agosto Branco, campanha dedicada à conscientização sobre o câncer de pulmão e à importância da prevenção, especialmente em relação ao tabagismo. 

De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), são esperados 35.380 novos casos de câncer de traqueia, brônquio e pulmão no Brasil para cada ano do triênio 2026 a 2028. Desse total, 18.730 casos devem ocorrer entre os homens e 16.650 entre as mulheres. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, esses cânceres ocupam a quarta posição entre os tipos mais incidentes no país. 

O tabagismo continua sendo o principal fator de risco para o desenvolvimento do câncer de pulmão. A fumaça do cigarro contém milhares de substâncias químicas, incluindo compostos tóxicos e carcinogênicos que aumentam de forma importante o risco de desenvolvimento da doença. O alerta também se estende aos Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEFs), como vapes, pods e cigarros eletrônicos, cuja fabricação, importação, comercialização, distribuição, armazenamento, transporte e propaganda permanecem proibidos no Brasil. 

Outro grande desafio é o diagnóstico tardio. O câncer de pulmão frequentemente não provoca sintomas nas fases iniciais e, por isso, muitos pacientes chegam ao diagnóstico quando o tumor já se encontra em estágio avançado. Tosse persistente, presença de sangue no escarro, falta de ar, dor no peito, rouquidão e perda de peso inexplicada são alguns dos sinais que devem ser avaliados por um médico, especialmente em pessoas com fatores de risco. 

A identificação da doença em fases mais precoces pode ampliar as possibilidades de tratamento e contribuir para melhores resultados clínicos. Diante do diagnóstico, os avanços no tratamento do câncer de pulmão têm ampliado as possibilidades terapêuticas e permitido considerar, além da eficácia, aspectos relacionados à qualidade de vida e à conveniência do tratamento. 

No câncer de pulmão de não pequenas células (CPNPC), a vinorelbina é uma das opções quimioterápicas disponíveis e pode ser administrada por via oral em determinados contextos clínicos. A administração oral pode permitir que parte do tratamento seja realizada no ambiente domiciliar, sempre com prescrição, orientação e acompanhamento da equipe de saúde. 

Além de proporcionar maior praticidade ao paciente, essa modalidade pode contribuir para reduzir a necessidade de permanência no hospital para administração intravenosa e, quando clinicamente apropriada, otimizar a utilização da estrutura dos serviços de saúde. 

“Hoje, quando falamos em tratamento oncológico, precisamos olhar não apenas para o controle da doença, mas também para a experiência do paciente. Quando existe uma alternativa oral adequada para aquele perfil de paciente, ela pode oferecer mais praticidade, reduzir deslocamentos e, ao mesmo tempo, contribuir para uma utilização mais eficiente dos recursos hospitalares”, explica a Dra. Claudia Regina Figueiredo, consultora médica da Blanver.


A febre da testosterona: especialista alerta sobre riscos associados ao consumo sem acompanhamento médico

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Reposição hormonal deve ser avaliada individualmente e não pode ser confundida com o uso do hormônio para ganho de performance ou estética

 

Um dado vem assustando a comunidade médica. Segundo a Anvisa, o uso de testosterona cresceu 670% nos últimos cinco anos. E não é difícil de perceber esse comportamento. Quem frequenta academia já ouviu falar do poder da testo, como é chamada no dia a dia. “A gente vem observando um movimento grande nesse sentido, sobretudo quando o assunto é performance, seja para musculação, por exemplo, seja para uma melhoria da atividade sexual”, comenta o urologista Ruimário Coelho.

O crescimento do interesse pelo hormônio, porém, acende um alerta para um problema que muitas vezes fica escondido por trás da promessa de mais músculos, disposição e desempenho sexual: o uso de testosterona sem indicação e acompanhamento médico não é sinônimo de reposição hormonal e pode trazer consequências à saúde.

De acordo com o especialista, os níveis de testosterona podem sofrer uma redução natural ao longo do envelhecimento, mas isso não significa que todo homem precise fazer reposição hormonal. “É importante diferenciar reposição de testosterona para quem está com os níveis baixos e o uso abusivo do hormônio. Hoje existe muita confusão relacionada a isso”, explica.

Segundo Ruimário, a decisão sobre uma eventual reposição não deve ser tomada apenas a partir da idade ou de um resultado isolado de exame. A avaliação precisa considerar o paciente de maneira integral, investigando sintomas, histórico de saúde e possíveis fatores associados à queda hormonal.

“Não existe um nível adequado de testosterona que, sozinho, determine a necessidade de tratamento. A idade por si só também não define a necessidade de reposição. Muitas vezes, a alteração está associada a outro fator e é preciso fazer uma investigação mais minuciosa”, afirma.


Sono, atividade física e peso também entram na equação

Antes de recorrer ao hormônio, alguns hábitos podem contribuir para a manutenção da produção natural de testosterona. O especialista destaca três pilares: atividade física, controle do peso e qualidade do sono.

“A gente produz testosterona durante uma fase específica do sono. Quem dorme mal provavelmente vai ter uma queda na produção desse hormônio. Melhorando o sono, podemos regular o nível de produção algumas vezes”, explica.

A prática de exercícios físicos, especialmente a musculação, também desempenha papel importante. O ganho de massa muscular está relacionado à saúde metabólica e hormonal, enquanto a obesidade pode estar associada a níveis mais baixos de testosterona.

A orientação, segundo o urologista, não é simplesmente “aumentar a testosterona”, mas entender por que os níveis estão baixos e quais fatores podem estar interferindo na produção hormonal.


Uso indiscriminado pode comprometer a fertilidade

Um dos principais pontos de atenção para homens jovens está relacionado à fertilidade. O uso de testosterona externa pode interferir na produção natural do hormônio e também na produção de espermatozoides.

“O uso indiscriminado da testosterona é um dos fatores de diminuição da fertilidade. Pessoas que querem ter filhos também precisam tomar cuidado com a reposição”, alerta o urologista.

O risco é especialmente relevante porque muitos homens que procuram o hormônio não necessariamente apresentam uma deficiência hormonal que justifique o tratamento. Em busca de resultados estéticos ou de performance, acabam utilizando doses e protocolos sem acompanhamento especializado.

Para o especialista, a discussão também precisa abandonar a ideia de que todo homem que faz uso inadequado de testosterona deve ser simplesmente repreendido. O acompanhamento médico é fundamental inclusive para aqueles que já fazem uso abusivo e desejam interromper ou reduzir o consumo.

“É preciso tomar cuidado. Pacientes que têm indicação de reposição podem ter benefícios, como melhora da disposição, da massa muscular, do humor e da função sexual. O importante é ter orientação adequada”, ressalta.


Reposição hormonal não é sinônimo de uso estético

Quando existe indicação médica, a reposição de testosterona pode fazer parte do tratamento de homens com deficiência hormonal diagnosticada. O problema está em transformar o hormônio em uma espécie de suplemento para melhorar a aparência, o desempenho físico ou sexual.

Além dos impactos sobre a fertilidade, o uso inadequado pode estar associado a outros efeitos adversos. O especialista também chama atenção para alterações relacionadas aos cabelos. “A testosterona pode aumentar a calvície e a alopecia”, afirma.

A recomendação, portanto, é que homens que apresentem sintomas relacionados a uma possível deficiência hormonal procurem avaliação médica antes de iniciar qualquer tratamento. Mais do que buscar um determinado número no resultado de um exame ou reproduzir protocolos vistos nas redes sociais, é necessário investigar as causas da alteração e avaliar individualmente a necessidade de tratamento. “A diferença do remédio para o veneno é a dose”, finaliza Ruimário. 

 

Doença de Creutzfeldt-Jakob: médica intensivista Amanda Meirelles explica doença rara e sem cura após diagnóstico de Lito Sousa


O diagnóstico de doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) recebido pelo influenciador e especialista em aviação Lito Sousa, de 59 anos, chamou atenção para uma enfermidade rara, neurodegenerativa, progressiva e fatal. A confirmação foi relatada pela esposa de Lito, Mila, em um vídeo publicado nas redes sociais na última sexta-feira (21). Segundo ela, o diagnóstico demorou a ser fechado e, nas últimas semanas, ele apresentou perda importante da capacidade motora. 

Médica intensivista e uma das principais comunicadoras de saúde do País, Amanda Meirelles explica que a doença está relacionada aos chamados príons, proteínas que, quando assumem uma forma anormal, podem desencadear uma reação em cadeia no cérebro. “Tem uma coisa no caso do Lito que eu acho que é impossível de escutar e não ficar intrigada. Essa é uma proteína que consegue mudar de formato e fazer com que outras proteínas do cérebro comecem a mudar também, sem vírus, sem bactéria, sem precisar de DNA ou RNA. Isso se chama príon. E é esse mecanismo que está por trás da doença de Creutzfeldt-Jakob, que é o diagnóstico que a Mila contou que o Lito recebeu”, explica Amanda. 

Amanda também explica que a proteína priônica existe naturalmente no organismo, mas que o problema acontece quando ela assume uma conformação anormal. “Pensa assim: é uma peça que dobra de um jeito errado, que consegue induzir que as próximas peças também se dobrem errado também. Então isso cria uma reação em cadeia e essas proteínas, elas vão começar a se acumular, e os neurônios começam a ficar lesionados e o cérebro começa a perder funções”, conta. 

Um dos aspectos que mais chamam atenção na DCJ é a velocidade com que ela pode evoluir. “Enquanto muitas doenças neurodegenerativas costumam evoluir durante anos, nessa ela pode progredir em semanas ou meses”, afirma Amanda. A doença é considerada extremamente rara, ocorrendo em cerca de uma a duas pessoas por milhão. Aproximadamente 85% dos casos aparecem de forma esporádica, sem uma causa que possa ser identificada. 

A descoberta dos príons também representa um marco na história da medicina. “Durante muito tempo, a ideia de que uma proteína pudesse causar uma doença desse porte foi recebida de maneira quase que improvável pela comunidade científica. A descoberta dos príons acabou rendendo o Nobel de Medicina em 1997”, lembra Amanda. 

Já no caso de Lito Sousa, segundo o relato de sua esposa, a manifestação apresentada foi diferente do quadro mais habitual. Houve uma perda importante dos movimentos, mas ele permanece lúcido e se comunicando com a família. Atualmente, não existe tratamento capaz de interromper ou reverter a doença de Creutzfeldt-Jakob. 

Para Amanda, a ausência de uma cura não significa ausência de possibilidades de cuidado: “Eu trabalhei muito tempo em UTI e aprendi uma coisa que eu carrego até hoje, que é quando a medicina ainda não tem cura, ela não deixa de ter cuidado. Controlar sintomas, oferecer conforto, suporte, presença e preservar o que for possível também é medicina”, afirma. Mas, vale ressaltar, embora a DCJ ainda não tenha cura, estudos e pesquisas continuam sendo fundamentais para ampliar o conhecimento sobre doenças priônicas e buscar novas possibilidades para o futuro.


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