No Dia Nacional de Conscientização sobre a doença (30), neurologista alerta para sintomas que muitas vezes são confundidos com cansaço ou problemas passageiros
Uma pessoa jovem começa a enxergar embaçado de repente. Outra
sente formigamento ou dormência em uma parte do corpo. Há quem perceba uma
fraqueza em um braço ou uma perna, dificuldade para caminhar, perda de
equilíbrio ou um cansaço muito forte que não melhora mesmo depois de descansar.
Para muitas famílias, esses sinais podem parecer passageiros. É
justamente aí que está um dos desafios da esclerose múltipla (EM): nem sempre
os primeiros sintomas são facilmente reconhecidos.
A doença é neurológica, crônica e autoimune. Em palavras simples,
é uma situação em que o próprio sistema de defesa do organismo passa a atacar
estruturas do sistema nervoso, podendo prejudicar a comunicação entre o cérebro
e as diferentes partes do corpo. No Brasil, estima-se que cerca de 40 mil
pessoas convivam com a doença.
Para a neurologista Dra. Carla Renata Aparecida Vieira Stella,
especialista em neurologia e com atuação na área de neuroimunologia, informação
é uma das principais ferramentas para que a doença seja identificada mais cedo.
“É importante que a família não ignore mudanças que aparecem de forma diferente
do habitual, principalmente quando são sintomas neurológicos. Procurar
atendimento médico é o primeiro passo para entender o que está acontecendo”,
orienta a especialista.
Formigamento, visão embaçada e dificuldade para andar
merecem atenção
Os sinais da esclerose múltipla podem variar bastante de uma
pessoa para outra. Entre eles estão alterações na visão, dormência ou
formigamento, fraqueza muscular, dificuldade de equilíbrio e coordenação,
fadiga intensa e alterações cognitivas ou emocionais.
Um ponto importante é que ter um desses sintomas não significa
necessariamente ter esclerose múltipla. Muitas outras doenças podem provocar
manifestações semelhantes. Por isso, a recomendação não é tentar descobrir o
diagnóstico sozinho, mas procurar atendimento de saúde.
“Não é preciso saber o nome da doença para procurar ajuda. Se
alguma coisa mudou no corpo e essa mudança não parece normal, converse com um
profissional de saúde”, reforça Dra. Carla.
O primeiro caminho pode ser o serviço público de saúde
Para famílias que não têm condições de pagar uma consulta
particular, a orientação é procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) ou outro
serviço público de saúde disponível em sua cidade. A partir da avaliação
inicial, o paciente pode ser encaminhado para atendimento especializado quando
houver necessidade.
O diagnóstico e o acompanhamento precoces são importantes porque
existem tratamentos capazes de controlar a atividade da doença e reduzir o
risco de novos episódios, sempre de acordo com a avaliação médica individual. O
Ministério da Saúde destaca justamente a importância do diagnóstico precoce e
do tratamento adequado.
Ciência e cuidado caminham juntos
A Dra. Carla Stella tem participação em estudos científicos
relacionados às doenças neurológicas e à neuroimunologia. Em 2016, foi coautora
de estudo publicado internacionalmente que analisou casos de dengue em pessoas
com esclerose múltipla em tratamento com medicamentos específicos.
Mais recentemente, participou de estudo publicado em 2023 sobre um
caso de esclerose múltipla progressiva com início na infância, desenvolvido por
pesquisadores ligados à Divisão de Neuroimunologia da Universidade Estadual de
Campinas (Unicamp).
Na ACESA Capuava, o olhar para o paciente vai além da doença
A médica também tem uma atuação próxima da comunidade. A Dra.
Carla Stella é Diretora Clínica da ACESA Capuava, organização que desenvolve
atendimento multidisciplinar e ações voltadas às pessoas com deficiência e suas
famílias.
“Quando falamos de uma doença crônica, não estamos falando apenas
de um diagnóstico. Estamos falando de uma pessoa, de uma família e de uma
rotina que pode mudar. O cuidador precisa olhar para todos esses aspectos”,
destaca a neurologista.
Um alerta para as famílias
Neste “Agosto Laranja”, mês dedicado à conscientização sobre a
esclerose múltipla, a principal mensagem é simples: não ignore os sinais.
Se alguém da família apresentar uma alteração neurológica que não
tinha antes, como perda de visão, dormência, formigamento, fraqueza,
dificuldade para caminhar ou problemas de equilíbrio, procure uma unidade de saúde.
Não é preciso ter dinheiro para começar a investigar. É possível
procurar o serviço público de saúde e pedir orientação. Reconhecer um sinal,
procurar ajuda e chegar ao diagnóstico pode ser o primeiro passo para que uma
pessoa tenha acesso ao tratamento e possa seguir sua vida com mais qualidade.
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