Condutas praticadas em plataformas digitais e aplicativos podem
gerar responsabilização criminal
Magnific
Com a popularização das redes sociais e a ampliação do acesso à internet, a violência contra a mulher também passou a ocorrer no ambiente digital. De acordo com dados do DataSenado, 8,8 milhões de mulheres no Brasil, uma em cada dez com 16 anos ou mais, já sofreram violência digital. Redes sociais, aplicativos de mensagens e outras plataformas podem ser utilizados para intimidar, perseguir, ameaçar e constranger vítimas, criando novas formas de violência que ultrapassam os espaços físico e doméstico.
A violência digital contra a mulher envolve crimes ou atos
ilícitos praticados em razão do gênero e que podem causar danos ou sofrimento
físico, sexual, psicológico, político ou econômico, inclusive patrimonial, por
meio do uso de tecnologias digitais. Segundo Marcelle Lopes, especialista em
Segurança Pública e professora do Curso de Direito da UNINASSAU Rio de Janeiro,
essas práticas podem ocorrer de diferentes maneiras. “Condutas comuns são a
divulgação não consentida de imagens íntimas, prática frequente por ex-parceiros
das vítimas; o cyberstalking, com perseguição obsessiva nas redes sociais e
monitoramento da localização da vítima; a invasão de contas e dispositivos, com
acesso não autorizado a dados pessoais; montagens de fotos e vídeos com a
inclusão de mulheres em cenas íntimas falsas, conduta conhecida na internet
como deepfake; além do discurso de ódio e da misoginia online”, destaca.
Ao sofrer violência no ambiente digital, a mulher deve buscar ajuda o quanto antes, sem esperar que a situação se agrave. Entre as orientações estão denunciar o conteúdo às plataformas e solicitar sua remoção; procurar as autoridades policiais para registrar a ocorrência, preferencialmente em Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher ou Delegacias de Crimes Cibernéticos, quando disponíveis; não responder às agressões e preservar as provas; reforçar as configurações de privacidade das contas e buscar canais de apoio, como o Ligue 180, serviço gratuito que funciona 24 horas e orienta mulheres em situação de violência.
Além dessas medidas, a vítima pode buscar outras formas de
proteção. “O bloqueio de acesso, que pode ser solicitado judicialmente para
impedir que o agressor continue acessando os perfis da vítima, bem como a
oferta de serviços psicológicos e sociais, são exemplos de algumas ações. Vale
enfatizar que estamos diante de um problema de saúde pública e não apenas de
uma questão jurídico-penal. O enfrentamento desse tipo de violência exige
articulação entre saúde, segurança, justiça e proteção social”, destaca
Marcelle Lopes.
Combate
A UNINASSAU possui ações de sensibilização e mobilização social voltadas ao enfrentamento a violência de gênero, como a Cadeira Vazia e o Espaço Seguro. A Cadeira Vazia é um assento vermelho sinalizado com a mensagem do projeto e um QR-Code para acesso à cartilha informativa sobre a violência contra a mulher e os principais canais de denúncia. Cada peça simboliza uma vítima de feminicídio que poderia estar estudando naquele ambiente. Já o Espaço Seguro é um ambiente dedicado a atender, acolher e informar as mulheres em situação de violência sobre os seus direitos.
Além disso, a Ser Educacional, mantenedora da UNINASSAU, oferece
bolsas de graduação digital 100% gratuitas para mulheres vítimas de violência
doméstica. A iniciativa faz parte do programa Ser Mulher, que conta com o apoio
do Instituto Maria da Penha e Grupo Mulheres do Brasil, o qual também oferta
apoio psicológico, suporte emocional e atendimento jurídico para as vítimas
tirarem dúvidas e receberem assistência durante todo o processo. Os serviços
são realizados nas Clínicas-Escola de Psicologia e no Núcleo de Práticas
Jurídicas (NPJ) das unidades.
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