Diante de previsão de ondas de calor para os próximos meses, cardiologista da Casa de Saúde São José explica como evitar complicações e faz alerta para casos mais graves
Os
sintomas do El Niño já começaram a fazer efeito em grande parte do território
nacional. Exemplo disso foi o vendaval que acometeu a Região Sudeste neste fim
de julho, com grandes danos e, inclusive, mortes. O fenômeno climático,
provocado pelo aquecimento excessivo das águas do Oceano Pacífico, deve ter uma
de suas manifestações mais agressivas em 2026.
Os
efeitos do El Niño são diversos. Enquanto as regiões Norte, Nordeste e
Centro-oeste devem sofrer com chuvas abaixo da média, o sul do país pode ter
que lidar com ventos fortes, granizo e inundações para o trimestre de agosto,
setembro e outubro, revela o boletim mensal do Painel El Niño 2026-2027. No
entanto, as projeções apontam um efeito comum a praticamente todo o território
nacional: o aumento agressivo das temperaturas, com possibilidade de episódios
de onda de calor, baixa umidade e queimadas. Nesse cenário de eventos
climáticos extremos, muitas pessoas podem passar mal. Segundo a Dra. Julianny
Freitas, cardiologista da Casa de Saúde São José, há um aumento significativo
de atendimentos relacionados ao calor excessivo.
Os pacientes
costumam relatar sintomas de: tontura, fraqueza intensa, cansaço incomum, dor
de cabeça, náuseas, vômitos, palpitações, pressão baixa e desidratação. De
forma geral, o calor extremo provoca dilatação dos vasos sanguíneos, perda de
líquidos e sais minerais pelo suor, o que, em casos mais graves, também pode
levar à taquicardia, desmaios, arritmias cardíacas e maior risco de infarto em
pessoas vulneráveis. Isso acontece porque o coração precisa trabalhar mais para
manter a circulação quando o corpo está desidratado, gerando um estado de
sobrecarga no órgão.
“Para
evitar complicações, especialmente as cardiovasculares, o paciente deve se
hidratar constantemente, mesmo sem sede, evitar exposição ao sol e exercício
físico intenso entre 10h e 16h, usar roupas leves, aderir a uma alimentação
leve e permanecer em locais ventilados”, recomenda a médica. Idosos, crianças,
diabéticos, hipertensos, atletas, trabalhadores com exposição ao sol e pessoas
com doenças cardíacas, arritmias e insuficiência cardíaca fazem parte do grupo
mais vulnerável ao calor. Por isso, é necessário redobrar os cuidados com uma
hidratação mais rigorosa, ajuste da rotina e avaliação médica constante.
Exaustão
por calor X Choque térmico
É importante conhecer também as diferentes manifestações do calor excessivo no corpo humano. Afinal, existem dois tipos principais de casos de alta gravidade: exaustão pelo calor e intermação (também conhecida como choque térmico ou heat stroke). Enquanto o primeiro sintoma causa um superaquecimento um pouco mais leve, o segundo é considerado uma emergência médica grave.
“A
exaustão por calor causa sudorese intensa, fraqueza, tontura, náuseas e pele
fria ou úmida. Ao observar uma pessoa com esses sinais, é preciso deslocá-la
para um local fresco, oferecer água ou bebida isotônica, afrouxar as roupas,
deitar o corpo e elevar as pernas. Já na intermação, a temperatura corporal
fica acima de 40 °C e o indivíduo apresenta pele quente e seca, confusão mental
ou perda de consciência e até mesmo convulsões. Nesse caso, é fundamental
chamar socorro médico urgente e resfriar o corpo rapidamente com água fria e
ventilação. Não ofereça líquidos caso o paciente esteja confuso ou
desacordado”, explica a Dra. Julianny.
Em
casos ainda mais sérios, a junção entre calor, desidratação e falta de apoio
médico imediato pode levar à morte. E isso pode ser ainda mais grave para as
mulheres. Segundo estudo publicado na Nature Medicine, o sexo feminino sofreu
com 56% mais mortes induzidas pelo calor em comparação com os homens. A
pesquisa realizada por pesquisadores de Barcelona analisou dados de 35 países
durante o verão europeu de 2022, considerado o mais quente da história.
Exemplo direto desse impacto é o caso do falecimento da fã da cantora Taylor Swift, em 2023, no Rio de Janeiro, que se tornou um paradigma para a criação de novas medidas contra o calor extremo. Após a primeira apresentação da artista na cidade, que registrou sensação térmica próxima a 60°C e mais de mil desmaios, foi criado o protocolo de calor pela Prefeitura do Rio de Janeiro. Programas como este devem ser cada vez mais acionados pelas prefeituras e governos durante o El Niño, com o objetivo de informar a população sobre os cenários de risco relacionados às ondas de calor e eventos climáticos extremos, além de determinar a tomada de decisões em relação ao cancelamento de eventos ao ar livre.
Segundo a cardiologista da Casa de Saúde São José, em situações como essa, a observação dos sintomas causados pelo calor ajuda na percepção de um corpo já incapaz de se autorregular, o que demanda a busca por atendimento médico imediato. Para se proteger desse estado grave, é importante beber muita água, buscar ambientes frescos e evitar o consumo de álcool.
Nenhum comentário:
Postar um comentário