Dr. Daniel Knupp, líder médico na Alice, lista cinco atitudes que reduzem o risco da doença e explica por que parar de fumar vale a pena em qualquer idade
Existe uma ideia comum entre quem fuma há muitos anos: a de que o dano já está feito e que parar, a essa altura, não muda mais nada. Os números mostram o contrário. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a mortalidade por câncer de pulmão entre fumantes é cerca de 15 vezes maior do que entre pessoas que nunca fumaram, enquanto entre ex-fumantes é cerca de quatro vezes maior. Parar de fumar move a pessoa, com o tempo, para outra categoria de risco. Ainda segundo o instituto, em cerca de 85% dos casos diagnosticados o câncer de pulmão está associado ao consumo de derivados de tabaco — o que significa que a maior parte deles tem uma causa conhecida e evitável.
No Agosto Branco, campanha de conscientização sobre o câncer de pulmão, vale olhar para o consumo de tabaco no país. O consumo de cigarro tradicional recuou de forma consistente nas últimas duas décadas. Segundo o Vigitel 2024, do Ministério da Saúde, publicado em 2025, 11,5% dos adultos nas capitais e no Distrito Federal são fumantes — 13,9% entre os homens e 9,5% entre as mulheres. No primeiro ano da série histórica, em 2006, o índice era de 15,7%.
O cigarro convencional, porém, não é a única forma de exposição à nicotina. Segundo o Vigitel, o uso de cigarro eletrônico entre adultos nas capitais e no Distrito Federal se concentra nos mais jovens: em 2023, 6,1% das pessoas de 18 a 24 anos relataram uso diário ou ocasional, a maior prevalência entre todas as faixas etárias.
Para Daniel Knupp, líder médico na
Alice, plano de saúde para empresas que tem por missão tornar o mundo mais saudável,
a mensagem central da campanha é sobre prevenção, não sobre estatística.
"O câncer de pulmão é um dos tumores mais frequentes e mais letais que
existem, e também um dos mais evitáveis. Quando 85% dos casos estão associados
ao tabaco, a conversa deixa de ser só sobre tratamento e passa a ser sobre o
que dá para fazer antes", afirma.
Cinco atitudes que reduzem o risco de câncer de pulmão:
1. Parar de fumar, em
qualquer idade: não existe momento tarde demais. Os benefícios começam nas
primeiras horas e seguem se acumulando ao longo dos anos, inclusive para quem
fuma há décadas.
2. Não tratar o cigarro
eletrônico como alternativa segura: vapes, narguilé, cigarro de palha e
charuto também expõem o organismo a substâncias tóxicas e mantêm a dependência
de nicotina. Além disso, estudos já têm mostrado que o cigarro eletrônico, na
verdade, é potencialmente mais perigoso para a saúde do que os cigarros comuns
3. Proteger quem está
por perto: a exposição passiva à fumaça também é fator de risco. Manter a
casa e o carro livres de fumo protege quem não fuma, especialmente crianças. O
Vigitel 2023 registrou 6,4% de fumantes passivos no domicílio e 7,0% no
ambiente de trabalho.
4. Conhecer o próprio
risco: tempo de tabagismo, idade, histórico familiar e exposição
ocupacional a agentes como amianto e sílica mudam o cálculo. Quem está no grupo
de risco deve conversar com um profissional sobre a indicação de rastreamento.
5. Não normalizar sintomas persistentes: tosse que não passa, falta de ar, rouquidão, dor no peito, sangue no escarro ou perda de peso sem explicação merecem avaliação. O diagnóstico precoce é muito importante para o sucesso no tratamento do câncer de pulmão.
Knupp destaca que
a decisão de parar raramente acontece sozinha. "Parar de fumar é difícil,
é uma dependência química, e a maior parte das pessoas precisa de mais de uma
tentativa. Por isso faz tanta diferença ter um profissional de referência
acompanhando: alguém que conhece seu histórico, ajuda a escolher a estratégia
certa e continua ali quando a primeira tentativa não dá certo", conclui.
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