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terça-feira, 25 de agosto de 2026

Falta de profissionais adequados é o principal desafio para contratar, dizem 65% dos RHs

 Pesquisa do Pandapé mostra que a dificuldade está na qualificação e na aderência às vagas, e não na quantidade de candidatos

 

Encontrar profissionais qualificados ou com o perfil adequado à vaga é hoje o principal obstáculo enfrentado pelas empresas brasileiras na contratação. Levantamento do Pandapé feito em julho de 2026 mostra que 65,3% dos profissionais e gestores de Recursos Humanos concentram sua maior dificuldade em um desses dois fatores. 

A falta de candidatos qualificados aparece isoladamente no topo do levantamento, mencionada por 38,7% dos respondentes. Outros 26,7% afirmam que o maior desafio está em encontrar profissionais que correspondam ao perfil esperado para a função. Em comparação, apenas 8% apontam como principal problema receber uma quantidade insuficiente de candidatos. 

Os resultados indicam que gerar candidaturas não é suficiente para garantir o preenchimento das vagas. Mesmo quando há profissionais interessados, as empresas ainda enfrentam dificuldades para localizar pessoas com a experiência, os conhecimentos e as competências necessárias para exercer determinada função. 

Para Ana Paula Prado, CEO da Redarbor Brasil, detentora do Pandapé, o cenário exige que as organizações revejam a forma como definem e conduzem suas contratações. 

"Durante muito tempo, medir o sucesso do recrutamento significava contar currículos. Hoje, o diferencial competitivo está na capacidade de identificar, com rapidez e precisão, os profissionais que realmente podem gerar resultados para o negócio. Volume de candidatos, por si só, já não resolve o desafio das empresas”, afirma.
 

Qualificação e aderência são desafios diferentes 

Embora estejam relacionados, encontrar um candidato qualificado e encontrar alguém compatível com o perfil da vaga não representam exatamente o mesmo desafio. 

A qualificação costuma envolver formação, conhecimentos técnicos, experiência anterior e domínio de competências específicas. A aderência à vaga, por sua vez, pode considerar aspectos como capacidade de trabalhar no modelo proposto, disponibilidade, expectativas profissionais, habilidades comportamentais e compatibilidade com as atividades que serão desempenhadas. 

Para Ana Paula, o sucesso de um processo seletivo depende da qualidade das decisões tomadas antes mesmo da abertura da vaga. 

"Grande parte das dificuldades de contratação nasce antes mesmo da divulgação da vaga. Quando a empresa não define com clareza quais competências realmente importam para aquela posição, ela amplia a subjetividade do processo e reduz suas chances de encontrar o profissional certo. Contratar melhor começa com decisões mais claras”, explica. 

A executiva destaca que a falta desse alinhamento pode levar a processos seletivos com muitos inscritos, mas poucos candidatos considerados aptos a avançar. 

"Sem critérios claros, cada etapa do processo passa a seguir interpretações diferentes. Isso aumenta a subjetividade das decisões, prolonga a contratação e reduz a consistência da seleção. Quanto maior a clareza sobre o perfil buscado, maior a qualidade das decisões ao longo de todo o processo”, comenta.
 

Escassez não está restrita a cargos especializados 

Outro resultado do levantamento mostra que a dificuldade de preenchimento não se limita a funções técnicas ou de alta liderança. Para 33% dos participantes, as vagas operacionais são as que normalmente levam mais tempo para serem ocupadas. 

As posições de liderança e gestão aparecem em seguida, mencionadas por 17,4% dos respondentes, enquanto as vagas administrativas foram apontadas por 16,5%. Já as funções de tecnologia, frequentemente associadas à escassez de profissionais, foram citadas por 5,4%. 

Na avaliação de Ana Paula, os fatores que dificultam a contratação variam conforme o tipo de posição. 

"Cada tipo de vaga apresenta um desafio diferente de atração. Em posições operacionais, fatores como localização, jornada e remuneração influenciam diretamente a disponibilidade de candidatos. Já na liderança, o desafio está em combinar competências técnicas, capacidade de gestão e aderência ao contexto da empresa. A escassez existe, mas assume formatos diferentes”, afirma. 

O resultado também mostra que o debate sobre falta de profissionais não deve se concentrar apenas em carreiras altamente especializadas. Empresas de diferentes setores podem encontrar obstáculos para formar equipes operacionais, administrativas e gerenciais, especialmente quando há grande concorrência por determinados perfis. 

A ausência de profissionais adequados pode produzir efeitos que vão além da área de Recursos Humanos. Vagas abertas por períodos prolongados podem aumentar a sobrecarga das equipes, atrasar projetos, reduzir a capacidade de atendimento e dificultar planos de expansão. 

Por esse motivo, a contratação precisa ser tratada como uma questão estratégica do negócio, segundo a CEO da Redarbor Brasil. 

"Uma empresa pode ter mercado, investimento e oportunidade de crescimento. Porém, sem as pessoas certas, ela não consegue transformar estratégia em execução. Hoje, a capacidade de identificar e contratar os profissionais adequados deixou de ser apenas uma função do RH e passou a representar uma vantagem competitiva para o negócio”, analisa. 

Para enfrentar esse cenário, a executiva recomenda que as empresas combinem planejamento da vaga, participação dos gestores, critérios objetivos de avaliação e uso de dados durante o processo seletivo. 

A tecnologia pode apoiar esse processo ao organizar candidaturas, centralizar informações e dar mais consistência às avaliações. Ainda assim, a pesquisa mostra que 37% das empresas participantes não utilizam nenhum software de recrutamento e seleção, indicando que parte do mercado ainda conduz seus processos sem o apoio de ferramentas especializadas. 

"O valor da tecnologia não está em acelerar etapas isoladas, mas em tornar cada decisão de contratação mais inteligente. Quando a empresa sabe quem procura e utiliza dados para apoiar essa escolha, o recrutamento deixa de ser apenas operacional e passa a contribuir diretamente para os resultados do negócio”, conclui Ana Paula.

 

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