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Pesquisa do Pandapé mostra que a dificuldade está na qualificação e na aderência às vagas, e não na quantidade de candidatos
Encontrar
profissionais qualificados ou com o perfil adequado à vaga é hoje o principal
obstáculo enfrentado pelas empresas brasileiras na contratação. Levantamento do
Pandapé feito em julho de 2026 mostra que 65,3% dos profissionais e gestores de
Recursos Humanos concentram sua maior dificuldade em um desses dois fatores.
A falta de
candidatos qualificados aparece isoladamente no topo do levantamento,
mencionada por 38,7% dos respondentes. Outros 26,7% afirmam que o maior desafio
está em encontrar profissionais que correspondam ao perfil esperado para a
função. Em comparação, apenas 8% apontam como principal problema receber uma
quantidade insuficiente de candidatos.
Os resultados
indicam que gerar candidaturas não é suficiente para garantir o preenchimento
das vagas. Mesmo quando há profissionais interessados, as empresas ainda
enfrentam dificuldades para localizar pessoas com a experiência, os
conhecimentos e as competências necessárias para exercer determinada função.
Para Ana Paula
Prado, CEO da Redarbor Brasil, detentora do Pandapé, o cenário exige que as
organizações revejam a forma como definem e conduzem suas contratações.
"Durante
muito tempo, medir o sucesso do recrutamento significava contar currículos.
Hoje, o diferencial competitivo está na capacidade de identificar, com rapidez
e precisão, os profissionais que realmente podem gerar resultados para o
negócio. Volume de candidatos, por si só, já não resolve o desafio das
empresas”, afirma.
Qualificação e aderência são
desafios diferentes
Embora estejam
relacionados, encontrar um candidato qualificado e encontrar alguém compatível
com o perfil da vaga não representam exatamente o mesmo desafio.
A qualificação
costuma envolver formação, conhecimentos técnicos, experiência anterior e domínio
de competências específicas. A aderência à vaga, por sua vez, pode considerar
aspectos como capacidade de trabalhar no modelo proposto, disponibilidade,
expectativas profissionais, habilidades comportamentais e compatibilidade com
as atividades que serão desempenhadas.
Para Ana Paula, o
sucesso de um processo seletivo depende da qualidade das decisões tomadas antes
mesmo da abertura da vaga.
"Grande parte
das dificuldades de contratação nasce antes mesmo da divulgação da vaga. Quando
a empresa não define com clareza quais competências realmente importam para
aquela posição, ela amplia a subjetividade do processo e reduz suas chances de
encontrar o profissional certo. Contratar melhor começa com decisões mais
claras”, explica.
A executiva
destaca que a falta desse alinhamento pode levar a processos seletivos com
muitos inscritos, mas poucos candidatos considerados aptos a avançar.
"Sem
critérios claros, cada etapa do processo passa a seguir interpretações
diferentes. Isso aumenta a subjetividade das decisões, prolonga a contratação e
reduz a consistência da seleção. Quanto maior a clareza sobre o perfil buscado,
maior a qualidade das decisões ao longo de todo o processo”, comenta.
Escassez não está restrita a
cargos especializados
Outro resultado do
levantamento mostra que a dificuldade de preenchimento não se limita a funções
técnicas ou de alta liderança. Para 33% dos participantes, as vagas
operacionais são as que normalmente levam mais tempo para serem ocupadas.
As posições de
liderança e gestão aparecem em seguida, mencionadas por 17,4% dos respondentes,
enquanto as vagas administrativas foram apontadas por 16,5%. Já as funções de
tecnologia, frequentemente associadas à escassez de profissionais, foram
citadas por 5,4%.
Na avaliação de Ana
Paula, os fatores que dificultam a contratação variam conforme o tipo de
posição.
"Cada tipo de
vaga apresenta um desafio diferente de atração. Em posições operacionais,
fatores como localização, jornada e remuneração influenciam diretamente a
disponibilidade de candidatos. Já na liderança, o desafio está em combinar
competências técnicas, capacidade de gestão e aderência ao contexto da empresa.
A escassez existe, mas assume formatos diferentes”, afirma.
O resultado também
mostra que o debate sobre falta de profissionais não deve se concentrar apenas
em carreiras altamente especializadas. Empresas de diferentes setores podem
encontrar obstáculos para formar equipes operacionais, administrativas e
gerenciais, especialmente quando há grande concorrência por determinados
perfis.
A ausência de
profissionais adequados pode produzir efeitos que vão além da área de Recursos
Humanos. Vagas abertas por períodos prolongados podem aumentar a sobrecarga das
equipes, atrasar projetos, reduzir a capacidade de atendimento e dificultar
planos de expansão.
Por esse motivo, a
contratação precisa ser tratada como uma questão estratégica do negócio,
segundo a CEO da Redarbor Brasil.
"Uma empresa
pode ter mercado, investimento e oportunidade de crescimento. Porém, sem as
pessoas certas, ela não consegue transformar estratégia em execução. Hoje, a
capacidade de identificar e contratar os profissionais adequados deixou de ser
apenas uma função do RH e passou a representar uma vantagem competitiva para o
negócio”, analisa.
Para enfrentar
esse cenário, a executiva recomenda que as empresas combinem planejamento da
vaga, participação dos gestores, critérios objetivos de avaliação e uso de
dados durante o processo seletivo.
A tecnologia pode apoiar esse processo ao organizar candidaturas, centralizar informações e dar mais consistência às avaliações. Ainda assim, a pesquisa mostra que 37% das empresas participantes não utilizam nenhum software de recrutamento e seleção, indicando que parte do mercado ainda conduz seus processos sem o apoio de ferramentas especializadas.
"O valor da tecnologia não está em acelerar etapas isoladas, mas em tornar cada decisão de contratação mais inteligente. Quando a empresa sabe quem procura e utiliza dados para apoiar essa escolha, o recrutamento deixa de ser apenas operacional e passa a contribuir diretamente para os resultados do negócio”, conclui Ana Paula.

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