Apesar de aliviar o desconforto
provocado pelo tempo seco, equipamento não previne doenças respiratórias e, sem
limpeza, favorece a proliferação de bactérias
Nariz e garganta ressecados, tosse seca, ardência nos olhos e dificuldade para respirar são queixas comuns nos períodos de baixa umidade. Para aliviar esses sintomas, muitas famílias recorrem ao umidificador de ar, especialmente nos quartos de crianças, idosos e pessoas com rinite ou asma. O aparelho, no entanto, deve ser utilizado com cautela. Deixá-lo ligado durante toda a noite, não trocar a água ou descuidar da limpeza pode elevar excessivamente a umidade do ambiente e provocar o efeito contrário ao esperado.
Afinal,
o umidificador faz bem ou mal à saúde? Segundo Allan Napoli, professor de
Medicina do Centro Universitário de Brasília (CEUB), a resposta depende da
necessidade e, principalmente, da forma de utilização. “O umidificador pode
aliviar o desconforto causado pelo ressecamento das vias respiratórias, mas não
deve ser usado de maneira indiscriminada. O objetivo é tornar o ambiente mais
confortável, e não deixá-lo permanentemente úmido”, explica.
Umidificador previne gripes e resfriados?
Não. O aparelho não elimina vírus ou bactérias nem impede a
transmissão de doenças. Sua função é acrescentar umidade ao ar, contribuindo
para reduzir o ressecamento das mucosas do nariz e da garganta. “O equipamento
pode ajudar no alívio de alguns sintomas, mas não substitui medidas de
prevenção, como vacinação, higiene das mãos, ventilação dos ambientes e redução
do contato com pessoas doentes”, afirma o especialista. O umidificador também
não deve substituir tratamentos prescritos para rinite, asma, bronquite ou
outras condições respiratórias.
Posso deixar o aparelho ligado a noite inteira?
Não é recomendável manter o umidificador funcionando por muitas
horas sem acompanhar o nível de umidade do quarto. O excesso favorece a
proliferação de mofo e ácaros, que podem desencadear ou agravar alergias e
crises respiratórias. O ideal é utilizar um higrômetro para medir a umidade do
ambiente. O higrômetro é
um aparelho simples, frequentemente vendido integrado a um termômetro digital,
é uma excelente ferramenta de prevenção e manejo ambiental. Ele é especialmente
útil para pacientes com asma, bronquite, rinite alérgica, olho seco e dermatite
atópica.
Benefícios do uso do higrômetro
- Mais precisão: o higrômetro
mostra quando o ar está realmente seco. Assim, o umidificador é usado
apenas quando necessário.
- Evita excesso de umidade: deixar o umidificador ligado por muito tempo pode aumentar
demais a umidade do ambiente. Acima de 60%, há maior risco de proliferação
de ácaros, fungos e mofo, que podem piorar alergias.
Como usar o higrômetro corretamente?
- Umidade ideal: mantenha a
umidade do ambiente entre 50% e 60%.
- Onde colocar: deixe o
higrômetro em um local neutro do quarto, como sobre uma cômoda. Evite
colocá-lo perto do umidificador, da cama ou sob luz solar direta.
- Regra simples: se a umidade
estiver abaixo de 40%, ligue o umidificador.
Quando chegar a 60%, desligue o aparelho.
Aparelhos com sensor, temporizador ou desligamento
automático também ajudam a evitar o uso excessivo. Janelas embaçadas, paredes
úmidas, condensação e cheiro de mofo são sinais de que o aparelho deve ser
desligado. “Pessoas com asma ou rinite precisam ter atenção redobrada. Um
quarto muito úmido, fechado e com acúmulo de poeira pode piorar os sintomas,
principalmente quando há tapetes, cortinas, bichos de pelúcia e outros
materiais que concentram ácaros”, alerta o professor do CEUB.
Umidificador sujo pode espalhar microrganismos?
Sim. A água parada e a falta de limpeza favorecem a formação de
biofilme e a multiplicação de fungos e bactérias. Quando o aparelho é acionado,
esses microrganismos podem ser lançados no ambiente junto com a névoa. Por
isso, não basta completar o reservatório quando a água acaba. A recomendação é
descartar diariamente a água que restou, lavar o recipiente conforme as
orientações do fabricante e deixá-lo secar antes do próximo uso. “O
reservatório deve ser tratado como qualquer utensílio que permanece em contato
com água. Se não houver limpeza adequada, o aparelho pode dispersar substâncias
irritantes e produzir um efeito contrário ao desejado”, explica Allan.
Qualquer água pode ser usada?
Depende do modelo e das orientações do fabricante. Em alguns
aparelhos, principalmente os ultrassônicos, a água com maior concentração de
minerais pode deixar resíduos internos e espalhar um pó esbranquiçado sobre
móveis e outras superfícies. Quando indicada no manual, a água destilada ou
desmineralizada ajuda a reduzir o acúmulo de minerais. Independentemente do
tipo escolhido, a água deve ser trocada todos os dias. Essências, medicamentos,
desinfetantes, álcool ou outros produtos não devem ser acrescentados ao
reservatório, a menos que o aparelho tenha sido desenvolvido especificamente
para essa finalidade.
Vapor quente ou névoa fria: qual é mais seguro para
crianças?
A principal diferença está na segurança. Os aparelhos de vapor quente
podem provocar queimaduras se forem tocados ou derrubados. Por isso, modelos de
névoa fria costumam ser mais indicados para ambientes com crianças. O
equipamento deve permanecer fora do alcance, sobre uma superfície firme e
distante da cama, das paredes, de cortinas e de aparelhos eletrônicos. A névoa
também não deve ser direcionada para o rosto da criança. Nos casos de asma,
alergias ou doenças respiratórias recorrentes, o uso frequente deve ser
discutido com um profissional de saúde.
Bacia com água e toalha molhada funcionam?
Essas alternativas podem aumentar discretamente a umidade, mas
oferecem menos controle que o aparelho. A água parada também exige cuidado para
evitar contaminação, acidentes com crianças e proliferação de insetos. A toalha
deve ser retirada, lavada e completamente seca após o uso. Deixá-la molhada por
longos períodos pode contribuir para o aparecimento de mau cheiro e mofo.
O que realmente ajuda durante o tempo seco?
O umidificador é apenas uma medida complementar. Outros cuidados são importantes para reduzir os efeitos da baixa umidade:
- beber água regularmente, mesmo sem sentir sede;
- utilizar soro fisiológico para hidratar as narinas;
- manter os cômodos limpos e ventilados;
- evitar o acúmulo de poeira;
- trocar roupas de cama e toalhas com frequência;
- evitar fumaça de cigarro e outros agentes irritantes;
- reduzir atividades físicas nos horários mais quentes e secos;
- manter o tratamento de doenças respiratórias conforme orientação médica.
Tosse persistente, chiado no peito, febre, cansaço intenso, lábios
arroxeados ou dificuldade para respirar exigem avaliação médica e não devem ser
atribuídos apenas ao clima. “O aparelho pode proporcionar conforto, mas não
trata a causa de uma doença respiratória. Se os sintomas persistirem ou se
agravarem, é necessário procurar atendimento, especialmente quando se trata de
crianças pequenas, idosos ou pessoas com condições preexistentes”, conclui o
especialista do CEUB.
Centro Universitário de Brasília - CEUB
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