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segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Baixa umidade do ar exige atenção redobrada com a saúde

O ar seco pode agravar doenças respiratórias e cardiovasculares; crianças, idosos, pessoas com doenças crônicas e trabalhadores expostos à fumaça estão entre os grupos mais vulneráveis
 

A combinação entre a baixa umidade relativa do ar e a fumaça provocada pelas queimadas frequentes em algumas regiões exige atenção redobrada com a saúde durante o período de tempo seco. Além de aumentar o risco de desidratação, o ar seco compromete a umidade natural das mucosas das vias respiratórias, reduzindo a proteção contra partículas e poluentes. Esse cenário pode irritar e inflamar o sistema respiratório, intensificar sintomas e agravar quadros de asma, bronquite e outras doenças pulmonares. 

Entre os efeitos mais comuns da baixa umidade e da exposição à fumaça estão irritação nos olhos e na garganta, ressecamento das vias respiratórias, sangramento nasal, tosse seca, dor de cabeça e agravamento de sintomas respiratórios. Em quadros mais intensos, a desidratação e o comprometimento da função respiratória podem evoluir e exigir avaliação e atendimento médico. 

Segundo o médico pneumologista Claudio Leal, do Hospital São Francisco de Mogi Guaçu, crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas, especialmente respiratórias e cardiovasculares, estão entre os grupos mais vulneráveis aos efeitos do tempo seco. Também merecem atenção redobrada os trabalhadores rurais e outras pessoas expostas diretamente às queimadas, sobretudo quando submetidas a esforço físico em condições de baixa umidade e altas temperaturas. 

“A baixa umidade reduz a proteção natural das vias respiratórias. Os cílios presentes na traqueia e nos brônquios ajudam a filtrar partículas e impurezas, mas o ressecamento prejudica esse mecanismo de defesa. Com a chegada da fumaça, partículas finas e outros poluentes podem alcançar regiões mais profundas dos pulmões. Em pessoas com vias aéreas mais sensíveis, como pacientes com asma e bronquite, isso pode provocar inflamação, estreitamento dos brônquios, tosse e chiado no peito. O risco é ainda maior para crianças e idosos, que podem apresentar piora mais rápida dos sintomas”, explica o especialista.
 

Quando procurar atendimento médico? 

Nem todo desconforto provocado pelo tempo seco representa uma emergência, mas alguns sinais exigem atenção. A população deve procurar atendimento médico diante de falta de ar ou dificuldade intensa para respirar, chiado persistente, tosse seca intensa e contínua, sinais de desidratação como tontura ou confusão mental. 

“Também merecem avaliação médica quadros de febre acompanhada de catarro amarelo ou esverdeado e sangramento nasal frequente que não cessa espontaneamente. Já situações como falta de ar intensa mesmo em repouso, dificuldade para falar frases completas por causa da respiração, piora rápida dos sintomas, dor ou aperto no peito e coloração arroxeada ou azulada dos lábios, língua ou pontas dos dedos, são sinais de alerta para procurar atendimento de urgência”, alerta Claudio Leal. 

Outro indicativo importante é o esforço excessivo para respirar. É possível observar, por exemplo, se as costelas e a barriga afundam durante a respiração ou se as narinas se abrem e se movimentam rapidamente.
 

Prevenção 

Alguns cuidados podem reduzir os impactos do clima seco e da exposição à fumaça:

  • Beber água regularmente, mesmo sem sentir sede;
  • Aumentar a umidade dos ambientes, utilizando umidificadores ou toalhas úmidas, por exemplo;
  • Manter portas e janelas fechadas quando houver presença de fumaça no ambiente externo;
  • Lavar as narinas várias vezes ao dia com soro fisiológico;
  • Evitar exercícios físicos ao ar livre, especialmente durante períodos de fumaça;
  • Utilizar máscara de proteção quando houver necessidade de exposição à fumaça;
  • Evitar espanadores de pó e produtos de limpeza com cheiro forte;
  • Lavar cobertores antes de utilizá-los, reduzindo a presença de ácaros.

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