O ar seco pode agravar doenças
respiratórias e cardiovasculares; crianças, idosos, pessoas com doenças
crônicas e trabalhadores expostos à fumaça estão entre os grupos mais
vulneráveis
A combinação entre a baixa umidade relativa do ar e a fumaça
provocada pelas queimadas frequentes em algumas regiões exige atenção redobrada
com a saúde durante o período de tempo seco. Além de aumentar o risco de
desidratação, o ar seco compromete a umidade natural das mucosas das vias
respiratórias, reduzindo a proteção contra partículas e poluentes. Esse cenário
pode irritar e inflamar o sistema respiratório, intensificar sintomas e agravar
quadros de asma, bronquite e outras doenças pulmonares.
Entre os efeitos mais comuns da baixa umidade e da exposição à
fumaça estão irritação nos olhos e na garganta, ressecamento das vias
respiratórias, sangramento nasal, tosse seca, dor de cabeça e agravamento de
sintomas respiratórios. Em quadros mais intensos, a desidratação e o
comprometimento da função respiratória podem evoluir e exigir avaliação e
atendimento médico.
Segundo o médico pneumologista Claudio Leal, do Hospital São
Francisco de Mogi Guaçu, crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas, especialmente
respiratórias e cardiovasculares, estão entre os grupos mais vulneráveis aos
efeitos do tempo seco. Também merecem atenção redobrada os trabalhadores rurais
e outras pessoas expostas diretamente às queimadas, sobretudo quando submetidas
a esforço físico em condições de baixa umidade e altas temperaturas.
“A baixa umidade reduz a proteção natural das vias respiratórias.
Os cílios presentes na traqueia e nos brônquios ajudam a filtrar partículas e
impurezas, mas o ressecamento prejudica esse mecanismo de defesa. Com a chegada
da fumaça, partículas finas e outros poluentes podem alcançar regiões mais
profundas dos pulmões. Em pessoas com vias aéreas mais sensíveis, como
pacientes com asma e bronquite, isso pode provocar inflamação, estreitamento dos
brônquios, tosse e chiado no peito. O risco é ainda maior para crianças e
idosos, que podem apresentar piora mais rápida dos sintomas”, explica o
especialista.
Quando
procurar atendimento médico?
Nem todo desconforto provocado pelo tempo seco representa uma
emergência, mas alguns sinais exigem atenção. A população deve procurar
atendimento médico diante de falta de ar ou dificuldade intensa para respirar,
chiado persistente, tosse seca intensa e contínua, sinais de desidratação como
tontura ou confusão mental.
“Também merecem avaliação médica quadros de febre acompanhada de
catarro amarelo ou esverdeado e sangramento nasal frequente que não cessa
espontaneamente. Já situações como falta de ar intensa mesmo em repouso,
dificuldade para falar frases completas por causa da respiração, piora rápida
dos sintomas, dor ou aperto no peito e coloração arroxeada ou azulada dos
lábios, língua ou pontas dos dedos, são sinais de alerta para procurar
atendimento de urgência”, alerta Claudio Leal.
Outro indicativo importante é o esforço excessivo para respirar. É
possível observar, por exemplo, se as costelas e a barriga afundam durante a
respiração ou se as narinas se abrem e se movimentam rapidamente.
Prevenção
Alguns cuidados podem reduzir os impactos do clima seco e da
exposição à fumaça:
- Beber água regularmente, mesmo sem sentir sede;
- Aumentar a umidade dos ambientes, utilizando umidificadores
ou toalhas úmidas, por exemplo;
- Manter portas e janelas fechadas quando houver presença de
fumaça no ambiente externo;
- Lavar as narinas várias vezes ao dia com soro fisiológico;
- Evitar exercícios físicos ao ar livre, especialmente durante
períodos de fumaça;
- Utilizar máscara de proteção quando houver necessidade de
exposição à fumaça;
- Evitar espanadores de pó e produtos de limpeza com cheiro
forte;
- Lavar cobertores antes de utilizá-los, reduzindo a presença
de ácaros.
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