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segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Tipos de dor de cabeça: entenda as diferenças e quando é preciso investigar


Difícil encontrar alguém que nunca tenha sentido dor de cabeça. O sintoma é tão comum que, muitas vezes, acaba sendo tratado como algo corriqueiro. Mas intensidade, localização, duração, frequência e sintomas associados podem indicar que se trata de diferentes tipos de cefaleia e reconhecer essas características é importante para chegar ao diagnóstico correto. 

A classificação internacional da International Headache Society (IHS) reúne mais de uma centena de diagnósticos e subtipos de cefaléia. De forma geral, as dores de cabeça são divididas em primárias, quando a própria cefaleia é a condição, e secundárias, quando a dor é consequência de outra doença ou alteração. Entre as formas primárias mais conhecidas estão a enxaqueca, a cefaléia tensional e a cefaléia em salvas.
 

Enxaqueca: quando a dor vem acompanhada de outros sintomas 

A enxaqueca costuma provocar uma dor pulsante ou latejante, de intensidade moderada a forte, que pode durar de quatro horas a até três dias quando não tratada. Geralmente, a dor é unilateral, embora também possa ocorrer dos dois lados da cabeça. 

Sensibilidade à luz e aos sons, náuseas e vômitos estão entre os sintomas que podem acompanhar as crises. Em algumas pessoas, a enxaqueca é precedida pela chamada aura, um conjunto de sintomas neurológicos transitórios. Alterações visuais, como pontos brilhantes, linhas em zigue-zague ou áreas de perda visual, são manifestações frequentes, mas também podem ocorrer formigamentos e alterações da fala. 

Estresse, alterações hormonais, privação de sono, determinados alimentos e mudanças climáticas podem atuar como gatilhos em algumas pessoas. Por isso, identificar os fatores associados às crises também faz parte da avaliação médica.
 

Dor de cabeça tensional: a sensação de aperto

A cefaleia tensional é uma das formas mais comuns de dor de cabeça e costuma ser descrita como uma pressão ou sensação de aperto na cabeça, em vez de uma dor pulsante. 

Geralmente, é bilateral e apresenta intensidade leve a moderada. Pode surgir após períodos de estresse ou fadiga e estar associada à tensão dos músculos do pescoço e dos ombros. 

Diferentemente da enxaqueca, a cefaleia tensional normalmente não provoca náuseas ou vômitos. Algumas pessoas, porém, podem apresentar sensibilidade à luz ou aos sons.
 

Cefaleia em salvas: uma das dores mais intensas

Menos frequente, a cefaleia em salvas se caracteriza por uma dor extremamente intensa, geralmente de um único lado e localizada ao redor ou atrás de um dos olhos. 

As crises costumam durar entre 15 minutos e três horas e podem ocorrer várias vezes ao dia durante determinados períodos, chamados de “salvas”, que podem durar semanas ou meses. Depois, podem existir períodos de remissão sem crises. 

Durante a dor, podem aparecer sintomas do mesmo lado, como olho vermelho ou lacrimejamento, congestão nasal, coriza, queda da pálpebra, contração da pupila e sudorese facial. A pessoa também pode apresentar inquietação ou agitação durante a crise.
 

Cefaleia crônica: quando a frequência das crises chama atenção

Cefaleia crônica não é necessariamente um tipo específico de dor, mas uma classificação relacionada à frequência. De acordo com os critérios internacionais, diferentes formas de cefaléia podem apresentar padrão crônico. 

No caso da enxaqueca crônica, o quadro é caracterizado por dor de cabeça em pelo menos 15 dias por mês, durante mais de três meses, sendo que em pelo menos oito desses dias a dor apresenta características de enxaqueca ou responde aos critérios para enxaqueca. 

Outro ponto importante é o uso frequente de medicamentos para controlar as crises. O consumo excessivo de analgésicos ou medicamentos específicos para enxaqueca pode estar associado ao aumento da frequência das dores e à chamada cefaleia por uso excessivo de medicamentos.
 

Dor na nuca ou na testa: a localização dá pistas, mas não fecha o diagnóstico

A região em que a cabeça dói pode ajudar na avaliação, mas não é suficiente, sozinha, para determinar a causa. E a dor na nuca, por exemplo, pode estar relacionada à tensão muscular, postura, fadiga ou cefaléia tensional. Também pode estar associada a alterações da região cervical e a outros tipos de cefaléia. 

Já a dor na testa pode ocorrer em quadros de cefaléia tensional. Outras causas também são possíveis, especialmente quando existem sintomas associados, como congestão nasal, secreção ou alterações visuais Por isso, tentar identificar a causa apenas pela localização da dor pode levar a interpretações equivocadas. O médico considera o conjunto de características do quadro.
 

Quando uma dor de cabeça pode ser sinal de alerta?

Nem toda dor de cabeça indica um problema grave. Na maioria dos casos, as cefaleias primárias não estão relacionadas a uma doença estrutural do cérebro. Porém, uma dor nova, muito intensa ou que muda de padrão precisa ser avaliada.
 

Entre os principais sinais de alerta estão:

  • dor que começa de forma súbita e extremamente intensa;
  • dor que piora progressivamente ao longo do tempo;
  • dor acompanhada de febre e rigidez na nuca;
  • alterações visuais súbitas;
  • fraqueza em um lado do corpo;
  • dificuldade para falar ou outros sintomas neurológicos;
  • dor desencadeada ou agravada por tosse ou esforço;
  • dor associada a alterações importantes de posição;
  • início de uma nova dor de cabeça após os 50 anos;
  • nova cefaleia em pessoas com histórico de câncer ou alterações do sistema imunológico.

Nessas situações, principalmente quando os sintomas surgem de maneira abrupta ou estão associados a alterações neurológicas, é importante procurar atendimento médico.
 

Dor de cabeça constante precisa de exame? 

Não necessariamente. Para muitas cefaleias primárias típicas, como enxaqueca sem sinais de alerta e cefaleia tensional, o diagnóstico é essencialmente clínico. A história do paciente e o exame neurológico são fundamentais e, quando não existem sinais de alerta, exames de imagem podem não ser necessários. Quando há suspeita de uma causa secundária, entretanto, o médico pode solicitar exames complementares. A escolha depende dos sintomas e da hipótese diagnóstica. 

Entre os exames que podem ser utilizados estão:

Ressonância magnética do crânio: permite uma avaliação detalhada das estruturas do cérebro e pode ser indicada para investigar diferentes alterações neurológicas.

Tomografia computadorizada do crânio: é especialmente importante em determinadas situações de emergência, como na investigação de uma possível hemorragia intracraniana.

Exames de sangue: podem auxiliar na investigação de infecções, processos inflamatórios e outras condições sistêmicas.

Punção lombar: em situações específicas, pode ser necessária para analisar o líquido cefalorraquidiano e investigar infecções ou outras condições. 

A decisão sobre qual exame realizar deve ser individualizada pelo médico a partir da história clínica e do exame físico e neurológico. Segundo o Dr. Nelson Fortes, neurorradiologista do Alta Diagnósticos, a indicação de exames de imagem deve estar relacionada à avaliação clínica. “Nem toda pessoa que apresenta dor de cabeça precisa fazer uma ressonância ou uma tomografia. Quando existem sinais de alerta ou uma mudança importante no padrão da dor, os exames podem ser fundamentais para investigar possíveis causas secundárias.”
 

Qual médico procurar?

O neurologista é o especialista indicado para avaliar dores de cabeça frequentes, intensas, recorrentes, associadas a outros sintomas ou que não respondem ao tratamento inicial.E a consulta deve investigar características como localização, intensidade, duração, frequência, tipo da dor, fatores que desencadeiam ou aliviam as crises e sintomas associados. Manter um registro das crises também pode ajudar o médico a identificar padrões. 

“Uma das informações mais importantes para o diagnóstico é entender o padrão da dor. A localização é apenas uma parte da avaliação. Precisamos saber quando ela começa, quanto tempo dura, com que frequência acontece, qual é a intensidade e quais sintomas aparecem junto”, explica Diogo Haddad Neurologista Alta Diagnósticos e do Hospital Nove de Julho e coordenador do Núcleo de Memória do Alta Diagnósticos 

Mais do que tentar descobrir a causa apenas pela região em que a cabeça dói, observar o padrão das crises e os sintomas associados é fundamental para chegar ao diagnóstico adequado e definir a melhor estratégia de tratamento.
  
 

Texto referência blog do Alta Diangósticos: Link


Referências científicas

HEADACHE CLASSIFICATION COMMITTEE OF THE INTERNATIONAL HEADACHE SOCIETY (IHS). The International Classification of Headache Disorders, 3rd edition. Cephalalgia, v. 38, n. 1, p. 1-211, 2018. DOI: 10.1177/0333102417738202.

KOWACS, F. et al. Consensus of the Brazilian Headache Society on the treatment of chronic migraine. Arquivos de Neuro-Psiquiatria, v. 77, n. 7, p. 509-520, 2019.

DIENER, H. C. et al. Management of medication overuse (MO) and medication overuse headache (MOH) S1 guideline. Neurological Research and Practice, v. 4, article 37, 2022. DOI: 10.1186/s42466-022-00200-0.



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