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quarta-feira, 10 de junho de 2026

Neuropsicóloga alerta para os impactos do cigarro e do vape na saúde mental e no cérebro

Especialista explica como a nicotina afeta comportamento, ansiedade, atenção e aumenta o risco de dependência, especialmente entre adolescentes e jovens adultos



O crescimento do uso de cigarros eletrônicos entre adolescentes e jovens adultos tem acendido um alerta entre especialistas da saúde. Embora muitas vezes sejam percebidos como alternativas menos nocivas ao cigarro tradicional, os dispositivos eletrônicos — conhecidos como vape — também podem provocar impactos significativos no cérebro e na saúde mental.


Segundo a neuropsicóloga Aline Graffiette, a nicotina presente tanto nos cigarros convencionais quanto nos eletrônicos atua diretamente em áreas cerebrais ligadas ao prazer, recompensa e controle emocional, favorecendo o desenvolvimento da dependência e alterações comportamentais.


“Muitas pessoas ainda associam o cigarro apenas aos danos físicos, mas existe um impacto importante no funcionamento cerebral. A nicotina interfere em mecanismos ligados à ansiedade, impulsividade, atenção e sensação de prazer imediato”, explica.


A especialista destaca que os dispositivos eletrônicos contribuíram para uma percepção equivocada de menor risco, principalmente entre os mais jovens.


“O vape foi associado a algo moderno, tecnológico e aparentemente menos prejudicial. Isso acabou favorecendo a banalização do consumo e diminuindo a percepção dos riscos envolvidos”, afirma.


Entre os efeitos mais frequentes observados estão aumento da ansiedade, irritabilidade, dificuldade de concentração e dependência emocional relacionada ao uso constante da nicotina.


“O cérebro passa a buscar repetidamente os estímulos de recompensa proporcionados pela substância. Com o tempo, cria-se um ciclo de repetição que fortalece a dependência”, alerta.


A preocupação se torna ainda maior quando o contato ocorre durante a adolescência, período em que o cérebro segue em desenvolvimento, especialmente nas regiões responsáveis pelo controle emocional, tomada de decisões e gerenciamento de impulsos.


“Quanto mais precoce é a exposição à nicotina, maiores podem ser os impactos sobre o desenvolvimento cerebral e sobre padrões comportamentais que acompanham o indivíduo ao longo da vida”, explica Aline.


Outro aspecto observado pelos especialistas é o uso do cigarro ou do vape como uma tentativa de aliviar sintomas de ansiedade e estresse. No entanto, segundo a neuropsicóloga, a relação costuma ser inversa.


“Muitas pessoas sentem um alívio momentâneo ao consumir nicotina, mas, a longo prazo, o uso contínuo tende a alimentar o próprio ciclo de ansiedade e dependência”, afirma.


Entre os principais sinais de alerta para a dependência estão a necessidade frequente de fumar ou vaporizar em momentos de tensão emocional, irritabilidade quando não há consumo, dificuldade de concentração, sensação de relaxamento apenas após o uso e aumento progressivo da frequência de utilização.


Para Aline Graffiette, ampliar a discussão sobre os efeitos da nicotina no cérebro é fundamental em um cenário de crescente popularização dos dispositivos eletrônicos. 


“Quando falamos sobre cigarro e vape, precisamos ir além dos impactos respiratórios e cardiovasculares. Trata-se também de uma questão de saúde mental, comportamento e funcionamento cerebral, especialmente entre os jovens”, conclui.



Escoliose pode evoluir sem sintomas e comprometer a qualidade de vida de adolescentes

 Camila Hampf 
 Hospital Pequeno Príncipe

Durante o mês de conscientização da doença, Pequeno Príncipe orienta famílias sobre sinais de alerta e realiza mutirão de cirurgias para pacientes do SUS 

 

A escoliose é a principal deformidade da coluna em crianças e adolescentes e afeta entre 2% e 3% da população. Embora muitas vezes passe despercebida por apresentar poucos sintomas nas fases iniciais, a condição pode evoluir rapidamente durante o estirão de crescimento e, nos casos mais graves, comprometer a função pulmonar, a saúde cardiovascular e a qualidade de vida dos pacientes. 

Ao longo do mês mundial de conscientização da escoliose, o Serviço de Ortopedia e Traumatologia do Hospital Pequeno Príncipe alerta para a importância do diagnóstico precoce. Quando identificada no momento adequado, a doença pode ser tratada de forma conservadora e evitar a necessidade de cirurgia. 

"A escoliose normalmente não causa dor. Por isso, muitas vezes ela é percebida apenas quando a deformidade já está mais avançada. O olhar atento dos pais, professores e profissionais de saúde é fundamental para que o diagnóstico aconteça cedo", explica o ortopedista Luiz Müller Ávila, do Hospital Pequeno Príncipe. 

O especialista ressalta que algumas crenças populares ainda geram dúvidas entre as famílias. Apesar de contribuírem para dores musculares e alterações posturais, fatores como uso excessivo de celulares, mochilas pesadas ou má postura não são responsáveis pelo surgimento das deformidades estruturais da coluna. 

"Esses hábitos não causam escoliose ou cifose. O que a má postura provoca é desconforto muscular e alterações funcionais. As deformidades têm outras origens, muitas vezes associadas a fatores genéticos, congênitos, neuromusculares ou sindrômicos", afirma. 

Segundo o especialista, a prática regular de atividade física continua sendo uma das principais aliadas da saúde musculoesquelética de crianças e adolescentes, contribuindo para o fortalecimento da musculatura, o desenvolvimento da consciência corporal e a prevenção de dores relacionadas à postura. 

Para os ortopedistas, a conscientização é a principal ferramenta para reduzir diagnósticos tardios. Como a doença costuma evoluir de forma silenciosa, a observação dos pais e responsáveis é fundamental para identificar possíveis alterações.

 

O que os pais devem observar

Os principais sinais costumam ser visíveis e podem ser identificados durante atividades cotidianas, como ao trocar de roupa ou durante a prática esportiva. Entre eles estão:

  • ombros em alturas diferentes;
  • escápulas desalinhadas;
  • assimetria da cintura;
  • quadris desnivelados;
  • elevação de um dos lados das costas ao inclinar o tronco para frente. 

A forma mais comum da doença é a escoliose idiopática do adolescente, responsável por cerca de 80% dos casos. Caracterizada pela ausência de uma causa definida, ela ocorre principalmente em meninas e costuma surgir entre os 10 e os 14 anos, período marcado pelo rápido crescimento corporal. 

Em geral, a cirurgia é indicada quando as curvas ultrapassam 45 ou 50 graus ou apresentam progressão significativa. Nos casos mais graves, além das consequências físicas, as deformidades da coluna podem afetar profundamente o bem-estar emocional dos pacientes e gerar impactos importantes na autoestima e na socialização dos adolescentes.

 

Conscientização e mutirão

Com o objetivo de ampliar a conscientização sobre a doença e oferecer tratamento aos casos mais graves, o Hospital Pequeno Príncipe realizará, de 9 a 12 de junho, a Semana da Coluna. Ao longo da mobilização, pacientes com indicação cirúrgica passarão por um procedimento chamado artrodese da coluna, que consiste na fusão de duas ou mais vértebras para estabilizar a estrutura óssea e melhorar a qualidade de vida. 

Os oito pacientes selecionados para o mutirão têm entre 12 e 15 anos e são atendidos exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Seis deles são meninas, refletindo o perfil mais comum da doença, que acomete predominantemente o sexo feminino durante o estirão de crescimento. Todos apresentam deformidades graves da coluna com indicação cirúrgica e foram priorizados conforme critérios clínicos e tempo de espera pelo procedimento. 

Além do diagnóstico, esses adolescentes compartilham os desafios impostos pela progressão da doença em uma fase importante do desenvolvimento físico e emocional. Para muitos, a cirurgia representa a oportunidade de recuperar qualidade de vida, melhorar a autoestima e retomar atividades cotidianas com mais conforto, autonomia e segurança. 

“O impacto desse tipo de cirurgia na vida de uma criança ou adolescente é imenso. Trata-se de devolver dignidade, permitir que eles voltem a brincar, estudar e projetar o futuro com mais autonomia. E, em muitos casos, a cirurgia muda não somente a vida dos pacientes, mas de toda a família”, realça o chefe do Serviço de Ortopedia do Hospital Pequeno Príncipe, Luis Eduardo Munhoz da Rocha. 

O Serviço de Ortopedia e Traumatologia do Hospital Pequeno Príncipe é referência nacional no atendimento de crianças e adolescentes com doenças musculoesqueléticas, deformidades congênitas e adquiridas, traumas e condições ortopédicas de alta complexidade. 

Com equipe formada por especialistas dedicados exclusivamente ao público infantojuvenil, o serviço oferece atendimento ambulatorial, acompanhamento multiprofissional e procedimentos cirúrgicos de diferentes níveis de complexidade. Também participa ativamente da formação de ortopedistas pediátricos e cirurgiões especializados em deformidades da coluna. 

A estrutura possui recursos diagnósticos e terapêuticos especializados, além de integração com áreas como fisioterapia, enfermagem, psicologia, nutrição e serviço social. Recentemente modernizado, o ambulatório passou a contar com novos dispositivos tecnológicos voltados à avaliação funcional dos pacientes e à qualificação da assistência.


Mitos e verdades dos medicamentos à base de cannabis: especialistas esclarecem!

Com a chegada de novos produtos às farmácias e a entrada de farmacêuticas tradicionais no setor, fontes do setor tiram as principais dúvidas sobre

 

O mercado de cannabis medicinal vive um momento de expansão no Brasil. O aumento do número de pacientes em tratamento, a evolução das pesquisas científicas e a entrada de novas empresas farmacêuticas no segmento têm ampliado o acesso a terapias à base de canabinoides. Ainda assim, o tema continua cercado por dúvidas, preconceitos e informações equivocadas. 

Afinal, cannabis medicinal é a mesma coisa que maconha? O tratamento causa dependência? Qualquer pessoa pode utilizar? E por que cada vez mais médicos têm considerado essa alternativa terapêutica? 

Para esclarecer algumas das principais dúvidas sobre o assunto, a farmacêutica Juliana Komel, co-CEO da ALKO do Brasil e especialista em cannabis medicinal, explica o que é fato e o que ainda é mito quando o assunto é o uso terapêutico da planta.
 

Cannabis medicinal e uso recreativo são a mesma coisa?

Mito.

Embora tenham origem na mesma planta, os objetivos e as composições são completamente diferentes. Os produtos destinados ao uso medicinal passam por rigorosos controles de qualidade, possuem concentrações específicas dos compostos ativos e são utilizados mediante prescrição médica. 

"O tratamento medicinal utiliza formulações padronizadas, com controle de qualidade farmacêutico e acompanhamento profissional. Não estamos falando do uso recreativo da planta", explica Juliana.
 

O canabidiol (CBD) provoca efeito psicoativo?

Mito.

O CBD não é responsável pelos efeitos psicoativos associados à cannabis. Esse efeito está relacionado principalmente ao THC, substância que pode ou não estar presente em determinados produtos, dependendo da indicação terapêutica e da regulamentação vigente.
 

A cannabis medicinal já é utilizada para diversas condições de saúde?

Verdade.

Hoje existem evidências científicas que sustentam o uso de canabinóides em condições como epilepsias refratárias, dores crônicas, espasticidade associada à esclerose múltipla, náuseas relacionadas a tratamentos oncológicos e determinados transtornos neurológicos. 

Além disso, pesquisas continuam avançando em áreas como ansiedade, distúrbios do sono, autismo e doenças neurodegenerativas.
 

O tratamento com cannabis pode substituir qualquer medicamento?

Mito.

Cada paciente possui características e necessidades específicas. Em alguns casos, a cannabis pode ser incorporada ao tratamento; em outros, pode complementar terapias já existentes. 

"Não existe fórmula única. A decisão sempre deve ser tomada pelo médico, considerando o histórico clínico e os objetivos terapêuticos de cada paciente", destaca Juliana.
 

O setor de cannabis medicinal está crescendo rapidamente no Brasil?

Verdade.

O Brasil já reúne centenas de milhares de pacientes que utilizam produtos à base de cannabis mediante prescrição médica. O avanço regulatório, a ampliação do conhecimento médico e a entrada de novos fabricantes têm impulsionado o desenvolvimento do setor. 

Segundo Juliana, o movimento demonstra uma mudança importante na forma como a medicina vem enxergando as terapias baseadas em canabinóides. 

"Estamos observando uma evolução significativa da discussão. Hoje o tema é tratado cada vez mais sob a ótica da ciência, da pesquisa clínica e da qualidade de vida dos pacientes."
 

A cannabis medicinal ainda enfrenta preconceitos?

Verdade.

Apesar dos avanços, muitos pacientes ainda enfrentam desinformação e resistência em relação ao tratamento. Para os especialistas, a disseminação de informações baseadas em evidências científicas é fundamental para reduzir estigmas e ampliar o acesso de quem pode se beneficiar dessas terapias. 

"A informação de qualidade é a principal ferramenta para separar mitos da realidade. Quanto mais conhecimento tivermos, mais responsável será o desenvolvimento desse mercado e o acesso dos pacientes aos tratamentos", conclui Juliana Komel.


Menopausa exige atenção à saúde cardiovascular

 


Especialistas explicam a relação e fornecem orientações sobre o que fazer ao suspeitar ou prevenir problemas

 

 

A menopausa é uma fase natural da vida da mulher, marcada pelo fim do período reprodutivo, mas também por mudanças importantes no organismo, especialmente no sistema cardiovascular. Estudos recentes, como o publicado em 2025 na JAMA Internal Medicine, mostram que a redução hormonal na pós-menopausa está associada a alterações como piora do colesterol, maior rigidez arterial e aumento do risco de doenças cardíacas. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte entre mulheres, respondendo por cerca de um terço dos óbitos femininos.

De acordo com o Dr. Anderson Oliveira, médico e professor da pós-graduação em  Cardiologia da Afya Goiânia, a queda do estrogênio,  hormônio que protege os vasos sanguíneos, é o principal fator por trás desse aumento de risco. “Com a redução hormonal, cresce a probabilidade de infarto, AVC e insuficiência cardíaca, podendo se igualar ao risco observado nos homens ao longo do tempo”, explica.

A Dra. Renata Maksoud, professora e coordenadora de Endocrinologia da Afya Educação Médica, reforça que a menopausa não é uma doença, mas exige mais atenção. “Há mudanças no colesterol e na distribuição de gordura, o que pode favorecer problemas cardiovasculares”, afirma. Ela também destaca que a reposição hormonal não deve ser utilizada com o objetivo principal de proteção cardíaca.

Os especialistas apontam que a perimenopausa, fase de transição, é um momento estratégico para prevenção. Monitorar pressão arterial, glicemia, colesterol e hábitos de vida pode ajudar a identificar riscos precocemente. Os médicos também alertam sobre os sintomas, já que nas mulheres, sinais de problemas cardíacos podem ser menos típicos, incluindo cansaço, falta de ar e mal-estar, muitas vezes ignorados.

Apesar do aumento de risco com a idade, As complicações cardiovasculares não são inevitáveis. Embora o avanço da idade esteja associado a um maior risco de doenças cardiovasculares, isso não significa que elas sejam inevitáveis. Como explica o Dr. Leonardo Costa Lopes, médico e professor do curso de Geriatria de Ribeirão Preto, “envelhecer não é sinônimo de adoecer”, já que muitas dessas condições podem ser prevenidas ou controladas com acompanhamento adequado.

Na avaliação de mulheres mais velhas, o cuidado vai além dos exames clínicos e inclui uma análise mais ampla da rotina, alimentação, mobilidade, uso de medicamentos, saúde mental e contexto social. Para o especialista, a geriatria adota uma abordagem multidimensional, que considera o paciente de forma integral, diferentemente do modelo tradicional, muitas vezes focado apenas em uma queixa específica. Essa visão permite compreender melhor os fatores que influenciam o processo de adoecimento e, assim, personalizar o tratamento.

 

Orientações para prevenir problemas cardiovasculares na menopausa, segundo especialistas

1.    Não espere sintomas para realizar check-ups regulares Ao entrar na menopausa, é fundamental realizar avaliações médicas periódicas (colesterol, pressão arterial, glicemia), já que muitas doenças cardíacas evoluem de forma silenciosa.

2.    Pratique atividade física regularmente Exercícios como caminhada, musculação ou bicicleta podem reduzir o risco cardiovascular nessa fase, além de ajudar no controle do peso e da pressão arterial.

3.    Adote uma  dieta com baixo teor de gordura Dietas como a mediterrânea, rica em frutas, vegetais, azeite de oliva, peixes e grãos integrais, pode ser uma aliada na proteção do coração. O acúmulo de gordura está associado à sobrecarga da atividade cardíaca.

4.    Abandone o cigarro O tabagismo após a menopausa é ainda mais prejudicial, pois potencializa o risco de infarto e AVC devido à perda da proteção hormonal.

5.    Cuide da qualidade do sono A insônia comum na menopausa pode aumentar os níveis de cortisol e inflamação no organismo, elevando o risco cardiovascular.

6.    Controle o sódio de forma ativa Limite o consumo a cerca de 2g de sódio por dia (aproximadamente 5g de sal), reduzindo a ingestão de temperos prontos, ultraprocessados e embutidos. Tal medida é importante diante da queda do estrogênio, ajudando a reduzir a retenção de líquido e inchaços, comuns nessa fase. 



Afya
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Copa do Mundo 2026: Por que o período pré-torneio se tornou um "campo minado" para lesões?

Recuperação acelerada é possível, mas o retorno precipitado pode aumentar a gravidade das lesões, alerta ortopedista da Casa de Saúde São José

 

Na última segunda-feira, a seleção brasileira embarcou para os Estados Unidos, rumo à Copa do Mundo de 2026, que começa na próxima quinta-feira, dia 11, com a partida entre México e África do Sul. Às vésperas da competição mundial, foi perceptível o alto índice de lesões entre jogadores do mundo inteiro e o Brasil ficou entre as seleções com mais jogadores lesionados. De acordo com o Dr. Thiago Lima, ortopedista e coordenador do Centro Cirúrgico da Casa de Saúde São José, a junção entre jogos decisivos, viagens, pressão por desempenho, treinos de forte intensidade, pressão emocional da convocação e pouco tempo de recuperação cria um ambiente de alto risco para lesões musculares e articulares.

No geral, isso acontece porque o corpo do atleta não responde apenas a um jogo em si, mas à soma de estímulos. Em um cenário de muitos jogos em sequência, com pouco intervalo de recuperação, o organismo entra em estado de cansaço acumulado, que envolve fadiga muscular, redução da capacidade de contração, piora da coordenação neuromuscular, alteração do tempo de reação e queda da qualidade dos movimentos.

“Na prática, um atleta fatigado pode continuar correndo, saltando e mudando de direção, mas a biomecânica dele já não é a mesma. O quadril pode perder controle, o joelho pode entrar em posições de maior risco, o tornozelo pode responder com atraso e a musculatura posterior da coxa pode não conseguir frear adequadamente a perna durante uma arrancada. É nesse pequeno descompasso, muitas vezes de frações de segundo, que a lesão acontece”, explica o especialista.
 

A pressão da convocação

Além disso, o período anterior a uma Copa do Mundo apresenta outro fator adicional: o atleta tenta performar no limite para garantir convocação, posição no elenco ou titularidade. Ou seja, ele acaba exigindo ainda mais do organismo justamente no momento em que tem menos margem fisiológica para se recuperar. Segundo o ortopedista, as lesões mais comuns envolvem a musculatura posterior da coxa — especialmente os isquiotibiais, que são responsáveis pela flexão do joelho e extensão do quadril, e são essenciais para movimentos de caminhada e corrida. Outras lesões frequentes incluem as de quadríceps, adutores, panturrilha, entorses de tornozelo e lesões ligamentares do joelho, como lesões do ligamento cruzado anterior e do ligamento colateral medial. 

Nesse cenário, as lesões musculares predominam porque o futebol moderno é um esporte cada vez mais explosivo. “O jogo exige acelerações repetidas, sprints em alta velocidade, frenagens, mudanças de direção e contrações excêntricas, que são aquelas em que o músculo precisa controlar o movimento enquanto está sendo alongado. Se o músculo está fatigado, encurtado, com déficit de força ou com histórico prévio de lesão, o risco aumenta muito”, explica o Dr. Thiago. 

No caso das articulações, o joelho é o mais impactado, como uma articulação de transição entre o quadril e o tornozelo. Quando há perda de controle do tronco, do quadril ou do apoio do pé, o joelho pode receber forças e estímulos de diferentes pontos. Em alta velocidade, uma mudança de direção mal controlada, uma aterrissagem desequilibrada ou uma disputa com contato podem gerar uma sobrecarga ligamentar.

 

O processo de recuperação

Para que o atleta consiga competir, com a tecnologia e o tratamento oferecido no mercado hoje, é possível otimizar o processo de recuperação, reduzir perdas funcionais, controlar melhor a carga e tomar decisões mais precisas sobre o momento seguro do jogador para a disputa. Entretanto, é preciso separar a recuperação acelerada do retorno precipitado, considerando que, apesar da evolução da medicina esportiva, não existe tecnologia capaz de enganar a biologia. O tecido lesionado precisa realmente cicatrizar antes de novos esforços. Por isso, o risco de forçar o retorno é muito alto: quando o atleta volta antes de recuperar força, controle e tolerância à carga, ele pode transformar uma lesão pequena em uma lesão maior, aumentar o risco de recidiva e até comprometer sua participação no torneio. 

No período da recuperação são usados diversos métodos: ressonância magnética para avaliar extensão e localização da lesão, acompanhamento por ultrassonografia dinâmica, avaliação funcional, plataformas de força, análise biomecânica, GPS, controle de carga, monitoramento de acelerações, desacelerações e corrida em alta velocidade, além de protocolos de reabilitação progressiva com fortalecimento excêntrico, treino neuromuscular e exposição gradual aos gestos específicos do futebol. Além de melhorar a dor, por meio da fisioterapia, o jogador reconquista a sua força, amplitude, confiança, coordenação, tolerância à velocidade e capacidade de repetir movimentos intensos sem compensações.

 

No Dia de Conscientização sobre a doença, especialista reforça a importância do diagnóstico precoce e da atenção aos sinais nos primeiros dias de vida

 

A cardiopatia congênita é uma condição na qual a estrutura ou o funcionamento do coração está alterado desde o periodo da gestação. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 30 mil crianças nascem todos os anos com algum tipo da doença no Brasil, e aproximadamente 40 % delas precisam de cirurgia no primeiro ano de vida. 

No Dia de Conscientização sobre Cardiopatia Congênita, celebrado em 12 de junho, especialistas reforçam que o diagnóstico precoce é fundamental para aumentar as chances de tratamento adequado e reduzir riscos para o bebê. 

“Algumas cardiopatias são leves, mas outras podem comprometer a circulação e a oxigenação logo após o nascimento. Por isso, identificar cedo faz toda a diferença na condução do caso”, explica Dra. Marina Maccagnano Zamith, cardiologista pediátrica e ecocardiografista fetal do Hospital e Maternidade Santa Joana. 

A condição pode causar alterações nas cavidades, válvulas ou vasos do coração. Nem sempre existe uma causa única, mas fatores como alterações genéticas, diabetes materno sem controle adequado, infecções na gestação e histórico familiar podem aumentar o risco. 

O diagnóstico ainda durante a gravidez é uma das principais formas de prevenir complicações. O ultrassom morfológico pode levantar suspeitas mas, é o ecocardiograma fetal o exame especializado que avalia com mais detalhes a anatomia e o funcionamento do coração e realiza o diagnóstico preciso, necessário para definir a programação pós natal e aconselhamento dos pais. 

“O ecocardiograma fetal permite planejar a assistência desde os primeiros minutos de vida. Em alguns casos, o bebê precisa de suporte imediato após o parto”, afirma a especialista. 

Após o nascimento, alguns sinais merecem atenção dos pais, como cansaço excessivo durante as mamadas, suor intenso, dificuldade para ganhar peso, respiração acelerada e coloração arroxeada nos lábios ou extremidades. 

“Um bebê que se cansa para mamar, sua muito ou não ganha peso precisa ser avaliado. Esses sinais podem indicar que algo não está bem”, orienta a médica. 

Outro exame importante é o teste do coraçãozinho, realizado ainda na maternidade, que ajuda a identificar cardiopatias críticas nos primeiros dias de vida. 

Os avanços da cardiologia pediátrica e da cirurgia cardíaca melhoraram significativamente o prognóstico das crianças com cardiopatia congênita. Dependendo do caso, o tratamento pode incluir apenas acompanhamento médico, uso de medicamentos ou pode necessitar de intervenções cirúrgicas. 

“A maioria das crianças com diagnóstico e tratamento adequados pode ter boa qualidade de vida. O ponto central é não perder tempo: pré-natal bem realizado, exames indicados e atenção aos sinais são fundamentais”, finaliza Dra Marina.

 

Hospital e Maternidade Santa Joana
www.santajoana.com.br

 

Nutrição Inteligente na Doação de Sangue: o cardápio ideal para antes e depois de ajudar o próximo

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Nutrólogo compartilha orientações essenciais para o bem-estar de quem pratica essa boa ação


O Dia Mundial do Doador de Sangue, celebrado em 14 de junho, foi instituído pela Organização
Mundial da Saúde para celebrar os doadores de sangue e conscientizar sobre a importância de se realizar doações regulares. Esse compromisso individual é essencial para garantir a qualidade, a segurança e a disponibilidade de sangue e seus componentes nos sistemas de saúde.


Doar sangue é um gesto solidário, mas também envolve um esforço físico que exige preparo. Uma alimentação adequada antes e depois da doação pode fazer toda a diferença, ajudando o corpo a se recuperar mais rapidamente e reduzindo possíveis efeitos colaterais, como tontura ou cansaço.

“Esse procedimento leva a uma perda temporária de volume sanguíneo e de nutrientes essenciais, como o ferro. Por isso, manter uma boa alimentação em todas as fases é fundamental para se sentir bem e garantir uma recuperação adequada”, explica o médico nutrólogo, Nataniel Viuniski, membro do Conselho para Assuntos de Nutrição da Herbalife.

Faça uma nutrição inteligente antes da doação Nos dias que antecedem a doação, o nutrólogo recomenda:


- Consumir alimentos ricos em ferro, presentes em carnes vermelhas magras, leguminosas, espinafre e cereais fortificados.

- Incluir fontes de vitamina C, que ajudam na absorção do ferro, como laranja, kiwi, mamão e pimentão.

- Ingerir proteínas de alta qualidade, essenciais para a produção de hemoglobina e a regeneração celular — como ovos, peixes, carnes ou soja.

- Priorizar carboidratos complexos, como aveia, arroz integral e pães integrais, que fornecem energia por mais tempo e ajudam a manter os níveis de glicose estáveis.

- Evitar álcool, excesso de cafeína e alimentos muito gordurosos pelo menos 24 horas antes da doação.

Também é importante dormir bem na noite anterior e evitar o jejum. Estar com pouca energia ou com a pressão baixa pode deixar o processo de doação cansativo.

“O descanso é essencial em todo o processo. Dormir bem melhora a tolerância física e mental durante a doação e contribui para uma recuperação mais eficiente, favorecendo a regeneração celular e a produção de glóbulos vermelhos”, reforça Viuniski.

Recuperação pós-doação: nutrição e hidratação eficazes Após a doação, é fundamental repor os líquidos perdidos e manter uma alimentação equilibrada.
Bebidas com eletrólitos, como o Herbalife24 Drive, podem ajudar. Também é recomendado manter
o consumo de alimentos ricos em ferro acompanhados de fontes de vitamina C para melhorar a absorção do mineral. Quando não for possível fazer uma refeição completa logo após a doação, opções práticas como um shake nutricional equilibrado ou uma barra proteica da Herbalife podem ser úteis.

Na Herbalife, a nutrição equilibrada é incentivada em conjunto com um estilo de vida ativo e saudável, como forma de promover o bem-estar integral. Doar sangue é um ato de amor — e cuidar da própria saúde também é uma forma de estar sempre pronto para ajudar quem precisa.



Herbalife
www.Herbalife.com


  Aumento de casos de doenças respiratórias no Brasil evidencia importância de diagnóstico precoce


Com mais de 63 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave em 2026, o acesso à testagem rápida é importante para o diagnóstico é precoce, tratamento adequado e redução das complicações, contribuindo também para interromper a cadeia de transmissão
 

O Brasil atravessa um período de alerta com queda nas temperaturas e aumento de casos de doenças respiratórias. Segundo dados da Fiocruz, o país já soma mais de 60.000 notificações de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). A instituição indica ainda que, com exceção de Rondônia, todos os estados apresentam incidência em nível de alerta, risco ou alto risco. Deste, 18 registraram tendência de crescimento nas últimas semanas. 

O aumento dos casos graves está associado, principalmente, à maior circulação dos vírus Influenza A e Vírus Sincicial Respiratório (VSR). O VSR segue como principal causa de SRAG em crianças pequenas, enquanto a Influenza A é a principal responsável pelo aumento das hospitalizações entre jovens, adultos e idosos. 

O relatório aponta que os estados em alto risco são Minas Gerais, Espírito Santo, Sergipe, São Paulo e Paraíba, enquanto Bahia, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, Ceará, Paraná e Santa Catariana se encontram em alerta. 

O cenário destaca a importância do diagnóstico oportuno diante dos primeiros sinais e sintomas, contribuindo para a adoção de medidas de proteção individual e coletiva, capazes de diminuir a propagação e transmissão dos vírus. “O aumento da circulação dos vírus respiratórios reforça a necessidade de ampliarmos o acesso à testagem rápida e confiável. Quando o diagnóstico é precoce, facilita o direcionamento do tratamento de forma mais assertiva, com redução das complicações e contribuindo para interromper a cadeia de transmissão. Os testes rápidos são, atualmente, uma importante tecnologia para redução da morbimortalidade pelos vírus respiratórios”, diz Alexandre Chieppe, consultor médico da MedLevensohn. 

O cenário epidemiológico das infecções respiratórias virais no Brasil tem ocasionado reflexo na demanda por testes rápidos. A Medlevensohn – uma das principais empresas do setor de saúde no Brasil – apresentou um aumento superior a 50% na venda de teste rápidos imunocromatográficos nos primeiros cinco meses de 2026, em comparação ao ano anterior, impulsionado principalmente pelo incremento das infecções respiratórias agudas virais.


Preservação da fertilidade em pacientes com câncer ainda esbarra na falta de informação

Tema deve ser discutido de forma individualizada, com integração entre oncologia, reprodução assistida e redes de apoio ao paciente

 

Receber o diagnóstico de câncer costuma impor ao paciente uma sequência rápida de consultas, exames e decisões sobre o tratamento. Nesse percurso, temas ligados ao futuro, como a possibilidade de ter filhos depois da terapia oncológica, nem sempre chegam à conversa no momento adequado. Embora a preservação da fertilidade já faça parte das recomendações de cuidado para pessoas em idade reprodutiva, o assunto ainda é pouco conhecido por muitos pacientes e pode acabar sendo deixado de lado diante da urgência do tratamento. 

A preservação da fertilidade, também conhecida como oncofertilidade, envolve a avaliação dos riscos que determinados tratamentos podem trazer à capacidade reprodutiva e a discussão de alternativas possíveis antes do início da terapia, quando houver indicação e tempo clínico. Entre as opções, podem ser considerados o congelamento de óvulos, embriões ou sêmen, além de outras estratégias definidas caso a caso, de acordo com o tipo de tumor, idade, sexo, plano terapêutico, condição clínica e desejo reprodutivo do paciente. 

Para o Dr. Ricardo Caponero, oncologista do Centro Especializado em Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, a principal questão é garantir que o paciente receba informação qualificada em um momento em que, muitas vezes, não sabe nem quais perguntas fazer. “O diagnóstico de câncer muda completamente a prioridade da vida da pessoa. É natural que o foco imediato seja tratar a doença, mas isso não significa que outras dimensões do cuidado devam desaparecer. Quando existe risco de impacto na fertilidade, o paciente precisa ser orientado de forma clara e acolhedora, para entender se há alguma possibilidade de preservação e se ela faz sentido no seu caso”, afirma. 

O especialista destaca que a discussão não deve ser tratada como promessa de maternidade ou paternidade no futuro, mas como uma oportunidade de ampliar a autonomia do paciente diante de uma decisão sensível. “Nem todos terão indicação ou tempo clínico para realizar algum procedimento, e isso precisa ser colocado com responsabilidade. Mas não falar sobre o tema pode tirar do paciente a chance de considerar uma possibilidade importante para seus projetos de vida”, complementa Dr. Caponero. 

A falta de informação é um dos pontos que tornam o tema ainda mais desafiador. Muitos pacientes só descobrem que o tratamento poderia afetar a fertilidade depois de iniciada ou concluída a terapia oncológica. Outros associam a preservação apenas a mulheres jovens, quando a discussão também pode ser relevante para homens em idade reprodutiva, especialmente em tumores e tratamentos que podem comprometer a produção de espermatozoides. 

Nesse contexto, o diálogo entre oncologistas, especialistas em reprodução assistida e redes de apoio ao paciente é fundamental. Para o Dr. Maurício Barbour Chehin, médico especialista em reprodução assistida, Diretor Científico e Coordenador do serviço de Oncofertilidade do Grupo Huntington, o encaminhamento precoce permite avaliar possibilidades de forma mais segura e alinhada ao tratamento oncológico. 

“Quando a equipe oncológica identifica precocemente o risco de comprometimento da fertilidade, conseguimos avaliar as alternativas disponíveis com mais agilidade e segurança. A decisão precisa ser individualizada, porque depende do tipo de câncer, do tratamento indicado, da idade, do tempo disponível e das condições clínicas do paciente. O mais importante é que essa avaliação aconteça de maneira integrada, sem perder de vista que o tratamento oncológico é sempre a prioridade”, explica Dr. Chehin. 

Além da dimensão médica, o tema também envolve acolhimento emocional e acesso à informação confiável. Organizações de apoio a pacientes oncológicos têm papel relevante ao ajudar a traduzir temas complexos, estimular perguntas durante a consulta e orientar pessoas recém-diagnosticadas sobre aspectos que podem ser discutidos com a equipe de saúde. 

“ONGs e grupos de pacientes ajudam a dar visibilidade a questões que, muitas vezes, ficam fora da conversa inicial. A fertilidade é uma delas. Quando o paciente está mais informado, ele chega à consulta com mais repertório para participar das decisões, entender limites e possibilidades e organizar melhor sua jornada”, afirma o oncologista. 

Os especialistas reforçam que a preservação da fertilidade não é indicada para todos os casos e não deve atrasar tratamentos urgentes. Ainda assim, quando há possibilidade de avaliação, a orientação deve ocorrer o quanto antes. Mais do que oferecer uma alternativa técnica, falar sobre oncofertilidade é reconhecer que o cuidado oncológico também precisa considerar a vida que o paciente deseja construir após o tratamento. 

 

Hospital Alemão Oswaldo Cruz

 

Dificuldade para enxergar pode indicar erro refrativo não corrigido

Miopia, astigmatismo, hipermetropia e presbiopia figuram entre as principais causas de deficiência visual tratável, alerta especialista


O mundo está cada vez mais conectado pelas telas, mas, para muita gente, enxergar com clareza ainda é um desafio silencioso. Dificuldades para focar, desconforto visual ao longo do dia e imagens distorcidas costumam ser encarados como incômodos passageiros, embora possam sinalizar alterações oculares altamente prevalentes e passíveis de tratamento. 

Os chamados erros refrativos estão entre as principais causas de deficiência visual tratável. Segundo a Dra. Thayana Darab, oftalmologista do H.Olhos, esse grupo reúne diferentes diagnósticos com manifestações específicas. “Essa condição envolve alterações oculares que impedem a luz de focar corretamente na retina, causando visão embaçada ou distorcida”, explica. Entre os quadros mais frequentes estão a miopia, caracterizada pela dificuldade para enxergar objetos distantes; a hipermetropia, que costuma prejudicar principalmente tarefas próximas; o astigmatismo, responsável por deformação ou borramento em qualquer distância; e a presbiopia, relacionada à perda gradual da visão de perto após os 40 anos. 

Identificar os sinais precocemente faz diferença. De acordo com a especialista, manifestações persistentes não devem ser ignoradas, sobretudo porque tendem a afetar produtividade, conforto e segurança. 

“Os sintomas mais comuns incluem visão embaçada ou distorcida, dores de cabeça frequentes, cansaço visual após uso prolongado de telas, necessidade de apertar os olhos para ajudar a enxergar e sensação de ardência”, detalha. Nas crianças, acrescenta, a dificuldade pode surgir de maneira menos evidente. “Também pode aparecer como baixo rendimento escolar ou desinteresse pela leitura.” 

Apesar da preocupação gerada pelo diagnóstico, a correção costuma ser eficiente e amplamente disponível. A médica destaca que o tratamento deve ser individualizado, considerando rotina, idade e características clínicas.

“Na maioria dos casos, a correção é simples e eficaz, sendo o uso de óculos a solução mais comum e acessível”, orienta. Ela acrescenta que lentes de contato e cirurgia podem ser alternativas para determinados perfis. “A escolha depende da idade do paciente, grau e estilo de vida.” 

O avanço global dessas alterações, especialmente da miopia, tem chamado atenção da comunidade científica. Mudanças comportamentais e redução do tempo ao ar livre aparecem entre os fatores mais associados a esse crescimento. 

“O aumento dos casos de miopia, em especial, está relacionado ao uso excessivo de telas e à menor exposição à luz natural”, alerta a oftalmologista. Segundo ela, estudos demonstram uma transformação importante no padrão visual da população. “A previsão é que até 2050 aproximadamente 50% das pessoas no mundo sejam míopes.” 

Embora essas condições não provoquem cegueira direta na maioria das situações, negligenciar cuidados oftalmológicos pode trazer consequências relevantes. A especialista reforça que a ausência de correção interfere na qualidade de vida e, em alguns contextos, favorece complicações. 

“Ignorar os erros refrativos não é inofensivo”, enfatiza. Entre os riscos, ela cita maior chance de acidentes em ambientes profissionais e no trânsito, além de prejuízos permanentes durante a infância. “A falta de correção pode levar à ambliopia, conhecida como olho preguiçoso, que pode se tornar irreversível quando não tratada precocemente.” Em casos de alta miopia, acrescenta, existe ainda aumento da probabilidade de doenças retinianas, incluindo roturas e descolamento. 

Por isso, consultas regulares continuam sendo indispensáveis. “Embora geralmente sejam fáceis de corrigir, o diagnóstico e o acompanhamento são essenciais para evitar complicações.” finaliza a Dra. Thayana Darab, oftalmologista do H.Olhos.

 

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