Dois
terremotos de magnitude 7,5 e 7,2, respectivamente, foram registrados na
Venezuela na noite desta última quarta-feira (24), deixando, até o momento,
mais de 160 mortos e cerca de mil feridos. O primeiro deles foi o maior sentido
na história do país, em mais de um século, deixando toda a região em estado de
emergência e movimento equipes de resgate em busca de sobreviventes.
Tremores em
larga escala que nem esses, enchentes históricas, secas prolongadas, ondas de
calor recordes e incêndios florestais têm se tornado cada vez mais frequentes,
e transformado eventos antes considerados excepcionais em uma realidade
recorrente – expondo a vulnerabilidade de cidades, empresas e populações
inteiras diante de fenômenos naturais cada vez mais intensos. Embora não seja
possível controlar o meio ambiente, existem decisões que governos,
empresas e a sociedade como um todo podem tomar para minimizar os efeitos
desses eventos, além de aumentar a capacidade de adaptação da sociedade, mesmo
diante de um mundo cada vez mais imprevisível.
A
Organização Meteorológica Mundial (OMM) confirmou que os últimos 11
anos (2015–2025) foram os mais quentes já registrados, demonstrando
que não se trata de eventos isolados, mas de uma tendência contínua de
aquecimento global. Somente no primeiro
semestre de 2025, de acordo com outro levantamento da Munich Re, os
desastres naturais geraram US$ 131 bilhões em prejuízos globais, valor
muito acima da média histórica.
Se os
números deixam claro que o problema está se agravando, a solução, por outro
lado, está longe de ser simples. Reduzir a frequência e a intensidade dessas
catástrofes naturais exigiria uma mudança coordenada de comportamento em escala
global, envolvendo governos, empresas e a população no geral - através de ações
como acelerar a transição para fontes de energia renováveis, rever modelos de
produção e consumo, e criar incentivos econômicos que favoreçam práticas mais
sustentáveis.
Na teoria,
o caminho parece evidente. Na prática, porém, ele esbarra em interesses
econômicos e disputas geopolíticas. A própria China ilustra essa
complexidade: por mais que o país já tenha reconhecido a importância da agenda
climática como algo extremamente estratégico para o futuro, ainda depende,
fortemente, de combustíveis fósseis para sustentar seu crescimento econômico e
garantir segurança energética durante a transição. Ou seja, mesmo quando existe
consciência sobre o problema, a velocidade da mudança é limitada por desafios
econômicos e estruturais que não podem ser ignorados.
Por parte
das empresas, adotar e seguir metodologias de gestão que auxiliem na otimização
de riscos e estabelecimento de medidas preventivas baseadas em dados é uma
das medidas mais importantes de ser seguida nesse sentido. Normas como a ISO
14001, por exemplo, de Sistema de Gestão Ambiental (SGA), ajudam as
organizações a identificarem, monitorarem e reduzirem os
impactos que suas operações causam ao meio ambiente, criando processos mais
sustentáveis e alinhados às exigências de um cenário cada vez mais complexo,
além de predizer possíveis cenários de catástrofes que possam impactar seus
processos.
Mais do que
uma questão de conformidade ou reputação, trata-se de compreender como as
atividades do negócio afetam o ecossistema e quais riscos ambientais podem
surgir a partir dessas interações. Com isso, conseguem antecipar ameaças,
desenvolver planos de contingência e tomar decisões mais assertivas que
contribuam para um modelo de desenvolvimento mais resiliente e sustentável.
Ter um
planejamento urbano mais adequado a esses eventuais desastres também precisa
entrar na agenda da sociedade mundial, uma vez que, hoje, muitas grandes
cidades estão extremamente vulneráveis a eventos climáticos que já se tornaram
recorrentes. São Paulo é um exemplo disso: bastam algumas horas de chuva mais
intensa para que ocorram quedas de árvores, interrupções no fornecimento de
energia, congestionamentos generalizados e alagamentos em diferentes regiões.
Em muitos
casos, os problemas não decorrem apenas da força da natureza, mas da falta de
manutenção preventiva e da ausência de investimentos consistentes em
infraestrutura resiliente. Nesse contexto, sistemas de monitoramento climático
e alertas antecipados também desempenham um papel fundamental, pois permitem
identificar riscos com antecedência, orientar a população e reduzir perdas
humanas e materiais. Embora não impeçam a ocorrência dos fenômenos, essas
ferramentas ajudam a transformar desastres potenciais em situações mais
controláveis e menos devastadoras.
Por fim, a
educação também precisa fazer parte dessa discussão, pois uma sociedade
preparada responde melhor aos momentos de crise. Considerando que o acesso à
informação ainda seja desigual ao redor do mundo, é fundamental investir em
programas de conscientização, campanhas educativas, treinamentos e simulações
que ensinem como agir diante de enchentes, deslizamentos, ondas de calor,
incêndios e outros eventos extremos desde cedo.
Países que
convivem com terremotos há décadas, como exemplo, incentivam que as crianças
aprendam nas escolas protocolos de segurança e participem, regularmente, de
exercícios de evacuação e resposta a emergências - o que resulta em uma
população mais preparada, capaz de reagir com maior rapidez, reduzir riscos e
colaborar de forma mais eficiente nesses cenários.
Não existe uma solução única para evitar catástrofes naturais, tampouco a expectativa realista de eliminar completamente seus riscos. O que existe é a oportunidade — e a responsabilidade — de reduzir seus impactos por meio de decisões mais conscientes e planejadas. Isso passa pelo compromisso das empresas com práticas sustentáveis e gestão de riscos, por investimentos em infraestrutura e planejamento urbano, e pela formação de uma população mais preparada para enfrentar situações de emergência.
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