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quinta-feira, 25 de junho de 2026

Golpe do falso advogado avança com uso de inteligência artificial e dados judiciais reais

O volume de fraudes preocupa a OAB e tribunais, pois os criminosos utilizam dados reais de processos, perfis falsos e IA para enganar vítimas. Diante do aumento das fraudes, o Cerus, fintech especializada em condomínios, reforça orientações de prevenção e segurança para gestores e moradores

 

O avanço das fraudes digitais no Brasil tem levado autoridades e entidades do sistema de Justiça a reforçarem o alerta para o chamado “golpe do falso advogado”, uma prática criminosa que tem feito milhares de vítimas em todo o país. Levantamentos recentes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) apontam que o número de denúncias relacionadas a este tipo de crime cresceu de modo significativo nos últimos dois anos, o que levou a entidade a criar campanhas nacionais de conscientização e canais específicos para recebimento de relatos. Além disso, tribunais de Justiça em diversos estados também passaram a emitir comunicados frequentes sobre a fraude diante do aumento das ocorrências registradas por cidadãos que possuem ações judiciais em andamento.

Nesse tipo de fraude, os criminosos se passam por advogados ou representantes de escritórios para enganar pessoas que possuem processos em andamento e induzi-las a realizar pagamentos indevidos. De acordo com a OAB e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), os golpistas utilizam dados reais de processos judiciais (números de ações, nomes das partes e andamento) para tornar a abordagem mais convincente.

“Nos alertas emitidos pela OAB e pelos tribunais estaduais, uma das principais características do golpe é o uso de informações processuais verdadeiras obtidas em consultas públicas, o que faz com que muitas vítimas acreditem estar falando efetivamente com seu advogado ou com integrantes do escritório responsável pela ação”, explica Matheus Nogueira, advogado do Cerus.

Segundo ele, a partir dessas informações, os golpistas entram em contato com as vítimas, geralmente por aplicativos de mensagens, informando falsamente que houve ganho de causa ou liberação de valores judiciais. Na sequência, eles criam um senso de urgência e afirmam que, para liberar o suposto valor, é necessário o pagamento antecipado de taxas, custas processuais ou impostos. Os valores costumam ser solicitados via PIX ou transferência bancária para contas de terceiros, prática que não condiz com a atuação regular da advocacia.

O golpe tem se tornado cada vez mais sofisticado. Há registros do uso de documentos falsificados, linguagem jurídica, perfis fraudulentos em redes sociais e até mesmo áudios e mensagens que simulam a identidade de profissionais reais, o que dificulta a identificação imediata da fraude. “Em casos mais recentes, criminosos passaram a utilizar recursos de inteligência artificial para reproduzir vozes, criar documentos visualmente semelhantes aos emitidos por órgãos públicos e até falsificar logotipos de escritórios de advocacia e tribunais, aumentando a credibilidade das abordagens fraudulentas. Os gestores dos condomínios nacionais precisam ficar muito atentos para não serem vítimas”, detalha Nogueira.

Diante desse cenário, o Cerus, fintech focada na gestão financeira de condomínios, reforça que a principal forma de prevenção é a cautela diante de contatos inesperados. A recomendação é desconfiar de qualquer mensagem ou ligação que informe liberação de valores mediante pagamento antecipado, especialmente quando acompanhada de urgência. “É fundamental confirmar qualquer informação diretamente com a empresa responsável pela cobrança, utilizando canais já conhecidos, e nunca realizar transferências para contas indicadas por terceiros sem a devida verificação. Outro ponto de atenção é a verificação da identidade do profissional, que pode ser feita pela própria OAB, que disponibiliza ferramentas para consulta de registro de advogados, além de orientar que cidadãos entrem em contato com as seccionais em caso de suspeita”, explica o executivo do Cerus.

A entidade, inclusive, tem atuado em conjunto com o Ministério da Justiça e órgãos de segurança pública para fortalecer o combate a esse tipo de crime, que já é tratado como uma questão nacional de segurança.

Em diversas seccionais da OAB foram criados observatórios e grupos de monitoramento dedicados exclusivamente ao golpe do falso advogado, com compartilhamento de informações entre escritórios, polícias civis e órgãos de investigação para identificar quadrilhas especializadas nesse tipo de fraude.

Caso a pessoa perceba que foi vítima do golpe, é essencial agir rapidamente. A orientação é interromper qualquer contato com o golpista, comunicar imediatamente ao banco para tentar bloquear ou rastrear a transação, registrar um boletim de ocorrência e informar o caso à OAB do seu estado. Essas medidas aumentam as chances de investigação e podem ajudar a evitar novas vítimas. “Os criminosos se aproveitam de dados reais e da confiança das pessoas para aplicar golpes cada vez mais sofisticados. Por isso, é fundamental desconfiar de qualquer solicitação de pagamento antecipado e sempre validar as informações diretamente com o advogado responsável pelo caso”, ressalta Nogueira.

Com o crescimento desse tipo de crime, o alerta é direto: nenhuma liberação de valores judiciais exige pagamento prévio ao cliente. Em caso de dúvida, a orientação é sempre verificar, confirmar e evitar decisões precipitadas que possam resultar em prejuízos financeiros.


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