O volume de fraudes
preocupa a OAB e tribunais, pois os criminosos utilizam dados reais de
processos, perfis falsos e IA para enganar vítimas. Diante do aumento das
fraudes, o Cerus, fintech especializada em condomínios, reforça orientações de
prevenção e segurança para gestores e moradores
O avanço das fraudes digitais no Brasil tem levado autoridades e
entidades do sistema de Justiça a reforçarem o alerta para o chamado “golpe do
falso advogado”, uma prática criminosa que tem feito milhares de vítimas em
todo o país. Levantamentos recentes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)
apontam que o número de denúncias relacionadas a este tipo de crime cresceu de
modo significativo nos últimos dois anos, o que levou a entidade a criar
campanhas nacionais de conscientização e canais específicos para recebimento de
relatos. Além disso, tribunais de Justiça em diversos estados também passaram a
emitir comunicados frequentes sobre a fraude diante do aumento das ocorrências registradas
por cidadãos que possuem ações judiciais em andamento.
Nesse tipo de fraude, os criminosos se passam por advogados ou
representantes de escritórios para enganar pessoas que possuem processos em
andamento e induzi-las a realizar pagamentos indevidos. De acordo com a OAB e o
Conselho Nacional de Justiça (CNJ), os golpistas utilizam dados reais de
processos judiciais (números de ações, nomes das partes e andamento) para
tornar a abordagem mais convincente.
“Nos alertas emitidos pela OAB e pelos tribunais estaduais, uma
das principais características do golpe é o uso de informações processuais
verdadeiras obtidas em consultas públicas, o que faz com que muitas vítimas
acreditem estar falando efetivamente com seu advogado ou com integrantes do
escritório responsável pela ação”, explica Matheus Nogueira, advogado do Cerus.
Segundo ele, a partir dessas informações, os golpistas entram em
contato com as vítimas, geralmente por aplicativos de mensagens, informando
falsamente que houve ganho de causa ou liberação de valores judiciais. Na
sequência, eles criam um senso de urgência e afirmam que, para liberar o
suposto valor, é necessário o pagamento antecipado de taxas, custas processuais
ou impostos. Os valores costumam ser solicitados via PIX ou transferência
bancária para contas de terceiros, prática que não condiz com a atuação regular
da advocacia.
O golpe tem se tornado cada vez mais sofisticado. Há registros do
uso de documentos falsificados, linguagem jurídica, perfis fraudulentos em
redes sociais e até mesmo áudios e mensagens que simulam a identidade de
profissionais reais, o que dificulta a identificação imediata da fraude. “Em
casos mais recentes, criminosos passaram a utilizar recursos de inteligência
artificial para reproduzir vozes, criar documentos visualmente semelhantes aos
emitidos por órgãos públicos e até falsificar logotipos de escritórios de
advocacia e tribunais, aumentando a credibilidade das abordagens fraudulentas.
Os gestores dos condomínios nacionais precisam ficar muito atentos para não
serem vítimas”, detalha Nogueira.
Diante desse cenário, o Cerus, fintech focada na gestão financeira
de condomínios, reforça que a principal forma de prevenção é a cautela diante
de contatos inesperados. A recomendação é desconfiar de qualquer mensagem ou
ligação que informe liberação de valores mediante pagamento antecipado,
especialmente quando acompanhada de urgência. “É fundamental confirmar qualquer
informação diretamente com a empresa responsável pela cobrança, utilizando
canais já conhecidos, e nunca realizar transferências para contas indicadas por
terceiros sem a devida verificação. Outro ponto de atenção é a verificação da
identidade do profissional, que pode ser feita pela própria OAB, que
disponibiliza ferramentas para consulta de registro de advogados, além de
orientar que cidadãos entrem em contato com as seccionais em caso de suspeita”,
explica o executivo do Cerus.
A entidade, inclusive, tem atuado em conjunto com o Ministério da
Justiça e órgãos de segurança pública para fortalecer o combate a esse tipo de
crime, que já é tratado como uma questão nacional de segurança.
Em diversas seccionais da OAB foram criados observatórios e grupos
de monitoramento dedicados exclusivamente ao golpe do falso advogado, com
compartilhamento de informações entre escritórios, polícias civis e órgãos de
investigação para identificar quadrilhas especializadas nesse tipo de fraude.
Caso a pessoa perceba que foi vítima do golpe, é essencial agir
rapidamente. A orientação é interromper qualquer contato com o golpista,
comunicar imediatamente ao banco para tentar bloquear ou rastrear a transação,
registrar um boletim de ocorrência e informar o caso à OAB do seu estado. Essas
medidas aumentam as chances de investigação e podem ajudar a evitar novas
vítimas. “Os criminosos se aproveitam de dados reais e da confiança das pessoas
para aplicar golpes cada vez mais sofisticados. Por isso, é fundamental
desconfiar de qualquer solicitação de pagamento antecipado e sempre validar as
informações diretamente com o advogado responsável pelo caso”, ressalta
Nogueira.
Com o crescimento desse tipo de crime, o alerta é direto: nenhuma
liberação de valores judiciais exige pagamento prévio ao cliente. Em caso de
dúvida, a orientação é sempre verificar, confirmar e evitar decisões
precipitadas que possam resultar em prejuízos financeiros.
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