Amaury Andrade, advogado criminalista, analisa a Lei nº 15.438/2026, que amplia o prazo para representação em casos de violência doméstica e busca adequar o sistema penal à realidade das vítimas
A sanção da Lei nº 15.438/2026 ampliou
de seis para doze meses o prazo para que vítimas de violência doméstica possam
apresentar representação criminal contra o agressor, alterando também o marco
inicial da contagem para o momento em que a vítima identifica a autoria do
crime.
A mudança é vista como um avanço no
enfrentamento à violência de gênero ao reconhecer que a denúncia nem sempre
ocorre de forma imediata, especialmente em contextos marcados por dependência
emocional, financeira e vínculos com o agressor.
Segundo o advogado criminalista Amaury
Andrade, a legislação corrige uma distorção histórica do sistema penal.
“A vítima nem sempre consegue denunciar
de imediato. Muitas estão presas em ciclos de medo, dependência e tentativa de
reconciliação”, afirma.
Dados do Ministério das Mulheres
mostram a dimensão do problema: em 2025, o Ligue 180 registrou mais de 155 mil
denúncias de violência contra mulheres, com cerca de 70% dos casos ocorrendo
dentro do ambiente doméstico. O país também registrou aproximadamente 1.568
casos de feminicídio no mesmo período.
Para o especialista, o novo prazo
reforça a ideia de que o tempo da vítima não é o mesmo do processo penal.
“Muitas mulheres só conseguem buscar
ajuda depois de apoio psicológico ou acolhimento familiar. O sistema precisa
considerar essa realidade”, diz Amaury.
A nova lei não altera garantias do
acusado nem o devido processo legal, segundo o especialista, mas apenas amplia
o prazo para exercício do direito de representação.
“O Estado não está enfraquecendo o sistema penal, está tornando-o mais compatível com a realidade da violência doméstica”, concluiu.
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