Monitoramento da Fundação Florestal aponta mais de 166 mil registros de fauna silvestre e confirma a presença de espécies ameaçadas em Unidades de Conservação, sustentadas por conectividade florestal
O Governo de São Paulo, por meio da Fundação
Florestal, vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística
do Estado de São Paulo (Semil), reduziu em cerca de 29% o desmatamento da Mata
Atlântica entre 2024 e 2025, segundo dados recentes do Atlas da Mata Atlântica,
produzido pela Fundação SOS Mata Atlântica em parceria com o Instituto Nacional
de Pesquisas Espaciais (INPE). O estado passou de 49 hectares desmatados para
35 hectares de vegetação nativa suprimida no período e manteve zerada a perda
de áreas de mangue e restinga.
Os resultados refletem o fortalecimento das
políticas de conservação ambiental e da proteção territorial em áreas
estratégicas do bioma, em um cenário de manutenção e ampliação da conectividade
florestal em unidades de conservação que estruturam corredores ecológicos
essenciais para a circulação da fauna silvestre. Em um dos biomas mais
ameaçados do planeta, que conserva menos de 12% de sua cobertura original no
Brasil, esses corredores ecológicos mantidos em áreas protegidas paulistas são
determinantes para a sobrevivência de espécies sensíveis à fragmentação,
permitindo deslocamento, reprodução e permanência da biodiversidade.
A plataforma "Monitora Bio SP", lançada
recentemente pela Fundação Florestal, que entre várias funções monitora a
biodiversidade, já reúne mais de 123 mil registros independentes de fauna
silvestre e cerca de 166 mil registros de indivíduos em Unidades de Conservação
administradas pela Fundação Florestal.
Somente no recorte da Mata Atlântica paulista, o
programa contabilizou mais de 43 mil registros independentes de mamíferos
silvestres e mais de 74 mil registros individuais de animais, reforçando a
presença contínua de fauna em paisagens conectadas por corredores ecológicos.
Esses registros incluem espécies altamente sensíveis à fragmentação florestal,
como onça-pintada, anta, muriqui-do-sul, bugios e queixadas. A permanência
simultânea desses animais em uma mesma paisagem é considerada rara na Mata
Atlântica e é um dos principais indicadores de integridade ecológica do bioma.
A plataforma estadual reúne, desde 2022,
informações sobre espécies da Mata Atlântica e do Cerrado paulista, permitindo
análises mais precisas sobre distribuição, persistência populacional e status
de conservação da fauna. Os dados produzidos pelo programa vêm subsidiando a
atualização da Lista Estadual de Espécies Ameaçadas e os Planos de Ação
Nacional (PANs), fundamentais para estratégias de conservação em todo o país.
Entre as espécies monitoradas estão lobo-guará,
cachorro-vinagre, raposinha-do-campo, anta, cervo-do-pantanal, queixadas,
mico-leão-preto, mico-leão-da-cara-preta, muriqui-do-sul e felinos silvestres.
Com o fortalecimento da base científica e o aumento da robustez dos dados,
algumas espécies já apresentam reclassificações positivas no estado.
A proteção desse patrimônio ambiental ocorre em uma
rede formada por 157 Unidades de Conservação administradas pela Fundação
Florestal, que juntas correspondem a cerca de 20% do território paulista e
somam quase 5 milhões de hectares de áreas protegidas, concentrando grande
parte dos remanescentes de Mata Atlântica existentes no estado.
“O monitoramento contínuo da fauna silvestre
permite entender com mais precisão como as espécies ameaçadas estão
distribuídas, quais áreas seguem funcionando como corredores ecológicos e quais
estratégias são mais eficientes para conservação da biodiversidade. A Mata
Atlântica paulista ainda abriga espécies extremamente sensíveis à fragmentação,
e isso demonstra a importância das Unidades de Conservação para manutenção da
vida silvestre e do equilíbrio ecológico”, destaca a diretora de biodiversidade
da Fundação Florestal, Andrea Pires.
O Monitora Bio SP ampliou o monitoramento de 38
para 48 Unidades de Conservação entre 2023 e 2026, consolidando um dos maiores
esforços contínuos de monitoramento de fauna da Mata Atlântica brasileira.
Os resultados mais recentes mostram recorde de
registros de espécies emblemáticas da fauna paulista. O muriqui-do-sul, maior
primata das Américas e um dos animais mais ameaçados da Mata Atlântica,
registrou 253 avistamentos e 1.340 indivíduos monitorados entre 2023 e 2026,
com evidências de ocupação contínua no Vale do Ribeira e na Serra do Mar, áreas
conectadas por extensos corredores florestais.
Outras espécies fundamentais para o equilíbrio
ecológico da floresta também apresentaram números expressivos. As queixadas
passaram de 4,4 mil registros em 2023 para mais de 16 mil em 2025, enquanto as
antas ultrapassaram 14 mil registros no mesmo período. Já a onça-pintada, espécie
símbolo da conservação brasileira e dependente de grandes áreas contínuas de
floresta, alcançou mais de 700 registros individuais nas áreas monitoradas da
Mata Atlântica paulista.
“Os resultados demonstram que São Paulo possui hoje
uma das estruturas de conservação mais relevantes do país. A integração entre
proteção territorial, monitoramento científico e gestão ambiental fortalece não
apenas a preservação da Mata Atlântica, mas também a capacidade do estado de
manter corredores ecológicos funcionais e proteger sua biodiversidade de forma
estratégica e permanente”, afirma o diretor-executivo da Fundação Florestal,
Rodrigo Levkovicz.
O levantamento do Atlas da Mata Atlântica também
aponta que São Paulo possui atualmente 2,3 milhões de hectares preservados,
configurando a segunda maior área absoluta de remanescentes do bioma no Brasil.
Para a Fundação Florestal, os resultados demonstram que a manutenção da
conectividade florestal é decisiva para a sobrevivência de espécies ameaçadas,
a continuidade das cadeias ecológicas e a resiliência climática em um dos
biomas mais pressionados do planeta.

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