Especialista explica como a combinação entre mudanças no estilo de vida, prática regular de exercícios e uso de fitoterápicos pode ajudar a reduzir sintomas e melhorar a qualidade de vida das pacientes.
Muito além da estética, o lipedema é
uma doença crônica que provoca o acúmulo anormal de gordura, principalmente nas
pernas e braços, causando dor, sensibilidade, inchaço e impacto significativo
na qualidade de vida. Estima-se que a condição afete cerca de 12% das mulheres
brasileiras, segundo a Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia
Vascular (SBACV). Embora ainda não exista cura, especialistas apontam que a
adoção de hábitos anti-inflamatórios pode ser uma das principais aliadas no
controle dos sintomas.
A alimentação ocupa papel central nesse processo. Segundo a
nutricionista funcional Ana Paula Matos, o consumo frequente de alimentos
ultraprocessados, açúcares refinados e gorduras inflamatórias tende a agravar o
quadro, enquanto uma dieta rica em vegetais, frutas, proteínas de qualidade,
gorduras boas e alimentos naturais contribui para reduzir a inflamação
sistêmica e melhorar a resposta do organismo.
"O lipedema não é apenas um acúmulo de gordura. Existe
um processo inflamatório importante por trás da doença, e por isso a alimentação
precisa ser vista como parte do tratamento. Quando reduzimos estímulos
inflamatórios e oferecemos os nutrientes adequados, muitas pacientes relatam
melhora na dor, no inchaço e na disposição", explica.
Além das mudanças alimentares, a especialista destaca que o
manejo da condição deve ser multidisciplinar. A prática regular de atividade
física, especialmente exercícios de fortalecimento muscular e baixo impacto,
associada ao acompanhamento nutricional e médico, potencializa os resultados e
ajuda na manutenção da saúde vascular e linfática.
Outro recurso que vem ganhando espaço é o uso de
fitoterápicos, sempre sob orientação profissional. Compostos naturais com ação
antioxidante e anti-inflamatória podem complementar o tratamento ao favorecer a
circulação, reduzir o estresse oxidativo e auxiliar no controle da inflamação
crônica. "Os fitoterápicos não substituem uma alimentação equilibrada, mas
podem ser importantes aliados quando utilizados de forma individualizada e
baseada nas necessidades de cada paciente", ressalta Ana Paula.
Para a nutricionista, o maior desafio ainda é o diagnóstico
tardio e a desinformação sobre a doença. Muitas mulheres convivem por anos com
dores e inchaços acreditando que o problema está relacionado apenas ao excesso
de peso ou à retenção de líquidos. "Quando a paciente entende que o
lipedema exige uma abordagem específica, ela passa a enxergar a alimentação e o
estilo de vida como ferramentas de tratamento e não apenas como estratégias
para emagrecer", afirma.
Mais do que buscar resultados na balança, o objetivo é
controlar a inflamação, reduzir sintomas e devolver qualidade de vida.
"Cada pequena mudança na rotina tem impacto no longo prazo. Alimentação
adequada, exercícios e acompanhamento profissional formam uma combinação capaz
de transformar a relação dessas mulheres com o próprio corpo e com a
doença", conclui.
Fonte: Ana Paula Matos – Nutricionista Funcional.
Instagram: @anapaulamattosnutri
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