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quinta-feira, 25 de junho de 2026

Lipedema: por que a alimentação anti-inflamatória é considerada uma das principais estratégias de tratamento

  Especialista explica como a combinação entre mudanças no estilo de vida, prática regular de exercícios e uso de fitoterápicos pode ajudar a reduzir sintomas e melhorar a qualidade de vida das pacientes.



Muito além da estética, o lipedema é uma doença crônica que provoca o acúmulo anormal de gordura, principalmente nas pernas e braços, causando dor, sensibilidade, inchaço e impacto significativo na qualidade de vida. Estima-se que a condição afete cerca de 12% das mulheres brasileiras, segundo a Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV). Embora ainda não exista cura, especialistas apontam que a adoção de hábitos anti-inflamatórios pode ser uma das principais aliadas no controle dos sintomas.

A alimentação ocupa papel central nesse processo. Segundo a nutricionista funcional Ana Paula Matos, o consumo frequente de alimentos ultraprocessados, açúcares refinados e gorduras inflamatórias tende a agravar o quadro, enquanto uma dieta rica em vegetais, frutas, proteínas de qualidade, gorduras boas e alimentos naturais contribui para reduzir a inflamação sistêmica e melhorar a resposta do organismo.

"O lipedema não é apenas um acúmulo de gordura. Existe um processo inflamatório importante por trás da doença, e por isso a alimentação precisa ser vista como parte do tratamento. Quando reduzimos estímulos inflamatórios e oferecemos os nutrientes adequados, muitas pacientes relatam melhora na dor, no inchaço e na disposição", explica.

Além das mudanças alimentares, a especialista destaca que o manejo da condição deve ser multidisciplinar. A prática regular de atividade física, especialmente exercícios de fortalecimento muscular e baixo impacto, associada ao acompanhamento nutricional e médico, potencializa os resultados e ajuda na manutenção da saúde vascular e linfática.

Outro recurso que vem ganhando espaço é o uso de fitoterápicos, sempre sob orientação profissional. Compostos naturais com ação antioxidante e anti-inflamatória podem complementar o tratamento ao favorecer a circulação, reduzir o estresse oxidativo e auxiliar no controle da inflamação crônica. "Os fitoterápicos não substituem uma alimentação equilibrada, mas podem ser importantes aliados quando utilizados de forma individualizada e baseada nas necessidades de cada paciente", ressalta Ana Paula.

Para a nutricionista, o maior desafio ainda é o diagnóstico tardio e a desinformação sobre a doença. Muitas mulheres convivem por anos com dores e inchaços acreditando que o problema está relacionado apenas ao excesso de peso ou à retenção de líquidos. "Quando a paciente entende que o lipedema exige uma abordagem específica, ela passa a enxergar a alimentação e o estilo de vida como ferramentas de tratamento e não apenas como estratégias para emagrecer", afirma.

Mais do que buscar resultados na balança, o objetivo é controlar a inflamação, reduzir sintomas e devolver qualidade de vida. "Cada pequena mudança na rotina tem impacto no longo prazo. Alimentação adequada, exercícios e acompanhamento profissional formam uma combinação capaz de transformar a relação dessas mulheres com o próprio corpo e com a doença", conclui.




Fonte: Ana Paula Matos – Nutricionista Funcional.
Instagram: @anapaulamattosnutri


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