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quinta-feira, 25 de junho de 2026

Tecidos pesados e abafamento: por que os casos de candidíase disparam no inverno?

Com a queda das temperaturas, o uso prolongado de calças justas e roupas térmicas altera o microambiente vaginal; médico orienta sobre os hábitos preventivos para evitar infecções recorrentes.

 

Com a chegada do inverno e a consequente queda das temperaturas, um problema de saúde feminina costuma registrar um aumento silencioso, mas bem incômodo, nos consultórios. O uso frequente de calças jeans grossas, meias-calças e roupas térmicas, embora essencial para espantar o frio, acaba criando um cenário perfeito para a proliferação de fungos. De acordo com dados da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), aproximadamente 75% das mulheres terão pelo menos um episódio de candidíase ao longo da vida, e o abafamento da região pélvica nos meses mais frios do ano é um dos principais gatilhos para o surgimento da infecção.

O ginecologista Michael Zarnowski explica que o hábito de empilhar camadas de tecidos pesados compromete diretamente a ventilação natural do corpo. Segundo o especialista, o ecossistema da região íntima depende de um equilíbrio delicado de temperatura e umidade. Quando a área fica excessivamente aquecida e sem contato com o ar por muitas horas seguidas, o ambiente se torna úmido e quente, condições que favorecem o crescimento acelerado do fungo Candida albicans, que já habita o organismo em pequenas quantidades.

"No inverno, as pessoas tendem a passar o dia inteiro com peças sobrepostas e, muitas vezes, com tecidos sintéticos que impossibilitam a pele de respirar. Esse microambiente alterado quebra as defesas naturais da mulher", afirma Zarnowski. O médico ressalta que o incômodo, caracterizado por coceira intensa, vermelhidão e corrimento esbranquiçado, não deve ser encarado como uma fatalidade da estação, já que pequenas mudanças na rotina diária são suficientes para blindar o organismo.

Uma das principais recomendações do profissional para enfrentar os dias frios sem abrir mão do conforto é alternar o guarda-roupa. A preferência deve ser sempre por calcinhas de algodão e, sempre que possível, por saias ou vestidos longos combinados com casacos pesados, deixando as calças coladas ao corpo para ocasiões pontuais. Outro erro comum apontado pelo especialista é a permanência prolongada com roupas úmidas após treinos em academias ou banhos quentes.

"Muitas mulheres acreditam que a candidíase está ligada apenas ao verão e às roupas de banho molhadas, mas o inverno esconde esse perigo no excesso de zelo para se proteger do frio. É fundamental que a região passe por períodos de ventilação, inclusive durante o sono, quando o uso de calcinha pode ser dispensado", orienta o ginecologista. Ele reforça que o cuidado preventivo evita que o problema se torne recorrente e exija tratamentos mais longos.

  

Fonte: Dr. Michael Zarnowski — Ginecologista especialista em Endometriose.

 

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