Com a queda das temperaturas, o uso prolongado de calças justas e roupas térmicas altera o microambiente vaginal; médico orienta sobre os hábitos preventivos para evitar infecções recorrentes.
Com a chegada do inverno e a
consequente queda das temperaturas, um problema de saúde feminina costuma
registrar um aumento silencioso, mas bem incômodo, nos consultórios. O uso
frequente de calças jeans grossas, meias-calças e roupas térmicas, embora
essencial para espantar o frio, acaba criando um cenário perfeito para a
proliferação de fungos. De acordo com dados da Federação Brasileira das
Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), aproximadamente 75% das
mulheres terão pelo menos um episódio de candidíase ao longo da vida, e o
abafamento da região pélvica nos meses mais frios do ano é um dos principais
gatilhos para o surgimento da infecção.
O ginecologista Michael Zarnowski
explica que o hábito de empilhar camadas de tecidos pesados compromete
diretamente a ventilação natural do corpo. Segundo o especialista, o
ecossistema da região íntima depende de um equilíbrio delicado de temperatura e
umidade. Quando a área fica excessivamente aquecida e sem contato com o ar por
muitas horas seguidas, o ambiente se torna úmido e quente, condições que
favorecem o crescimento acelerado do fungo Candida albicans, que já habita o
organismo em pequenas quantidades.
"No inverno, as pessoas tendem a
passar o dia inteiro com peças sobrepostas e, muitas vezes, com tecidos
sintéticos que impossibilitam a pele de respirar. Esse microambiente alterado
quebra as defesas naturais da mulher", afirma Zarnowski. O médico ressalta
que o incômodo, caracterizado por coceira intensa, vermelhidão e corrimento
esbranquiçado, não deve ser encarado como uma fatalidade da estação, já que
pequenas mudanças na rotina diária são suficientes para blindar o organismo.
Uma das principais recomendações do
profissional para enfrentar os dias frios sem abrir mão do conforto é alternar
o guarda-roupa. A preferência deve ser sempre por calcinhas de algodão e,
sempre que possível, por saias ou vestidos longos combinados com casacos
pesados, deixando as calças coladas ao corpo para ocasiões pontuais. Outro erro
comum apontado pelo especialista é a permanência prolongada com roupas úmidas
após treinos em academias ou banhos quentes.
"Muitas mulheres acreditam que a
candidíase está ligada apenas ao verão e às roupas de banho molhadas, mas o
inverno esconde esse perigo no excesso de zelo para se proteger do frio. É
fundamental que a região passe por períodos de ventilação, inclusive durante o
sono, quando o uso de calcinha pode ser dispensado", orienta o ginecologista.
Ele reforça que o cuidado preventivo evita que o problema se torne recorrente e
exija tratamentos mais longos.
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