Diabetes gestacional é a alteração metabólica mais comum da gravidez, e nem sempre aparece em quem imaginaria estar em risco
O Dia Nacional do Diabetes, celebrado em 26 de junho, chama atenção para uma condição que ainda surpreende muitas grávidas: o diabetes gestacional1. Segundo o IDF Diabetes Atlas 2025, cerca de 23 milhões de gestações em todo o mundo foram afetadas por hiperglicemia, o equivalente a uma em cada cinco. Desses casos, 79,2% corresponderam ao diabetes gestacional.² No Brasil, a prevalência do diabetes gestacional é estimada em aproximadamente 14%, podendo variar amplamente entre os estudos em função dos critérios diagnósticos utilizados e das características da população avaliada. 3
O que torna o cenário ainda mais relevante é o perfil de quem adoece. Os dados globais do IDF mostram que 43,5% dos casos ocorrem em mulheres com menos de 30 anos, e que um em cada seis nascidos vivos é impactado pela condição.²
"Muitas pessoas associam o diabetes gestacional apenas a mulheres com histórico familiar de diabetes ou idade materna acima de 35 anos, mas a condição também pode ocorrer em gestantes mais jovens e sem fatores de risco aparentes. Por isso, o acompanhamento pré-natal e a realização dos exames recomendados são fundamentais para identificar alterações precocemente e reduzir o risco de complicações para a mãe e o bebê", explica a obstetra Dra. Rita de Cássia Machado, dos laboratórios Delboni, Lavoisier e Alta, marcas da Dasa, líder em medicina diagnóstica no Brasil.
O quadro costuma surgir a partir do segundo trimestre, quando alterações hormonais dificultam a ação da insulina, hormônio responsável pelo controle da glicose. Com isso, o organismo passa a ter dificuldade para manter os níveis de açúcar dentro da faixa normal. O problema é que, na maioria das vezes, não há sintomas perceptíveis.
O
diabetes gestacional é a alteração metabólica mais frequente da gravidez e se
associa a desfechos adversos maternos e perinatais, além de maior risco futuro
de diabetes tipo 2 tanto para a mãe quanto para o filho.⁴ Alguns fatores elevam
o risco de desenvolvimento da condição: sobrepeso ou obesidade, histórico
familiar de diabetes, idade materna acima de 35 anos, síndrome dos ovários
policísticos, diabetes gestacional em gestações anteriores e sedentarismo.
Diagnóstico e manejo
O
diagnóstico é feito por exames laboratoriais solicitados no pré-natal, entre
eles, a glicemia de jejum e o teste oral de tolerância à glicose. A dosagem da
hemoglobina glicada (HbA1c) pode ser utilizada na avaliação metabólica.
Entretanto, devido à sua menor sensibilidade para o diagnóstico do diabetes
gestacional, ela não substitui o teste oral de tolerância à glicose, que
permanece como o método padrão para o diagnóstico dessa condição.
Em 2017, a Sociedade Brasileira de Diabetes, a FEBRASGO, a OPAS e o Ministério da Saúde definiram uma proposta conjunta de padronização do rastreamento e diagnóstico do diabetes gestacional no país, adaptada dos critérios da OMS às particularidades do Brasil.⁵
Manter alimentação equilibrada, praticar atividade física com orientação médica e controlar o ganho de peso durante a gestação contribuem para reduzir o risco — embora nem todos os casos sejam evitáveis.
"O
diagnóstico precoce faz toda a diferença. Quando identificado a tempo, o
diabetes gestacional pode ser controlado com mudanças no estilo de vida e,
quando necessário, tratamento médico, reduzindo significativamente os riscos
para mãe e bebê", afirma a Dra. Rita de Cássia Machado.
6 mitos sobre o diabetes gestacional
Mito: Diabetes gestacional só acontece em mulheres acima de 35 anos.
A
idade materna é um fator de risco, mas não é pré-requisito. Dados do IDF
Diabetes Atlas 2025 mostram que 43,5% dos casos de hiperglicemia na gestação
ocorrem em mulheres com menos de 30 anos.²
Mito: Quem não tem histórico familiar de diabetes está livre do risco.
O
histórico familiar aumenta a probabilidade, mas mulheres sem nenhum fator de
risco conhecido também podem desenvolver a condição. É exatamente por isso que
o rastreamento universal no pré-natal, e não apenas em grupos de risco, é
recomendado pela Sociedade Brasileira de Diabetes e pelo Ministério da Saúde.⁵
Mito: O diabetes gestacional sempre dá sintomas.
Na
maioria dos casos leves, não há sintomas perceptíveis. O diagnóstico depende
dos exames laboratoriais solicitados no pré-natal, como a glicemia de jejum e o
teste oral de tolerância à glicose.
Mito: Se a glicose normalizar após o parto, o problema está resolvido.
O
fim da gestação não encerra o acompanhamento. Mulheres que tiveram diabetes
gestacional têm risco significativamente maior de desenvolver diabetes tipo 2
ao longo da vida.⁴
Mito: Diabetes gestacional significa que o bebê vai nascer com diabetes.
O
bebê não nasce com diabetes, mas a condição não tratada aumenta o risco de
complicações como macrossomia (bebê grande), hipoglicemia neonatal e parto
prematuro. Com diagnóstico precoce e manejo adequado, esses riscos são
reduzidos.⁴
Mito: Só quem está acima do peso precisa se preocupar.
“Sobrepeso
e obesidade são fatores de risco relevantes, mas o diabetes gestacional também
ocorre em mulheres com peso adequado. Sedentarismo, síndrome dos ovários
policísticos e histórico de DMG em gestações anteriores são outros fatores que
independem do peso atual”.
Ainda que nem todos os casos possam ser evitados, hábitos saudáveis contribuem significativamente para reduzir o risco. Manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física com orientação médica, controlar o ganho de peso durante a gestação e realizar os exames recomendados nos períodos adequados da gestação é essencial para garantir um acompanhamento completo e contribuir para uma gravidez mais segura.
"O
diagnóstico precoce faz toda a diferença. Quando identificado a tempo, o diabetes
gestacional pode ser controlado com mudanças no estilo de vida e, quando
necessário, tratamento médico, reduzindo significativamente os riscos para mãe
e bebê", concluiu a Dra Rita.
Referências
¹
Ministério da Saúde / Fiocruz. Dia Nacional do Diabetes — 26 de junho.
Disponível em: campusvirtual.fiocruz.br
²
International Diabetes Federation. IDF Diabetes Atlas, 11ª edição.
Bruxelas: IDF, 2025. Disponível em: idf.org/diabetesatlas
³ MOCELLIN, Lucas
Pitrez; GOMES, Hewellynn de Azeredo; SONA, Lincoln; GIACOMINI, Gabrielle Maria;
PIZZUTI, Eduarda Pires; NUNES, Gabriéli Borges; ZANCHET, Túlio Marcos; MACEDO,
Juliana Lopes de. Prevalência de diabetes gestacional no Brasil: revisão
sistemática e metanálise. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v.
40, n. 8, e00064919, 2024. DOI: 10.1590/0102-311XEN064919.
⁴
Sociedade Brasileira de Diabetes. Diretrizes da Sociedade Brasileira de
Diabetes 2025. São Paulo: SBD, 2025. Disponível em:
diretriz.diabetes.org.br
⁵
Sociedade Brasileira de Diabetes / FEBRASGO / OPAS / Ministério da Saúde. Rastreamento
e diagnóstico da hiperglicemia na gestação. Diretriz SBD 2025. Disponível
em:
diretriz.diabetes.org.br/rastreamento-e-diagnostico-da-hiperglicemia-na-gestacao
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