Muito se fala que a transformação digital é o futuro das indústrias, mas o mercado mostra que muitas ferramentas potentes acabam virando “elefantes brancos”. Isso acontece, na maioria das vezes, devido à falta de instrução correta, fazendo com que a tecnologia avance, mas a gestão permaneça atrasada. Como fechar essa conta? Com uma ação que já é conhecida: o mapeamento.
Diante da velocidade das operações, criou-se erroneamente
no meio corporativo a ideia de que, ao contratar um sistema de gestão, neste
caso, o ERP, todos os problemas organizacionais serão resolvidos. Contudo, é
importante salientar que nenhuma solução sozinha é capaz de sanar todos os
desafios da empresa, até porque sua eficácia depende de um conjunto de ações.
É justamente nesse aspecto que o mapeamento ganha
relevância. É a partir desse direcionamento que se torna possível compreender
todas as áreas da empresa, bem como analisar o que está faltando e, com isso,
traçar qual o plano a ser seguido a fim de obter eficiência e controle
operacional.
No entanto, essa ação deve ser feita antes da
implementação. É aquela velha história: “às vezes é preciso dar um passo para
trás para dar dois para a frente”. Ou seja, antes de aderir a qualquer
ferramenta, é necessário olhar o cenário atual e compreender onde estão as
raízes dos problemas enfrentados. Sem esse conhecimento, mesmo que a solução
seja altamente potente, ela não conseguirá desempenhar o seu papel de forma
satisfatória.
Perceba que o mapeamento preenche a lacuna na hora
de encontrar as origens das dores do negócio. Por sua vez, há mais um elo de
extrema importância para avançar na gestão: as pessoas. Com certeza, em algum
momento você já ouviu a frase “a tecnologia não irá substituir a mão de obra
humana”, e é aqui que esse argumento ganha força.
Segundo a Gartner, cerca de 70% das implementações
de ERP falham em atingir seus objetivos originais justamente pela falta de
gestão de mudanças e baixa adesão dos usuários. Ainda, de acordo com o
relatório 2025 ERP Report da Panorama Consulting, a resistência cultural e a
falta de treinamento são citadas por 32% das empresas como os maiores
obstáculos para o sucesso do software após a implementação.
De nada adianta investir em softwares robustos sem
que o time esteja alinhado e acompanhando de perto cada etapa dos processos,
desde o levantamento das informações até a execução. Quanto a isso, a liderança
da alta gestão é fundamental para engajar a equipe, bem como demonstrar a
importância da participação e do envolvimento de todos em prol do sucesso do
projeto.
Certamente, essa não é uma jornada que acontece do
dia para a noite. Durante esse processo, contar com o apoio de uma consultoria
especializada é uma excelente estratégia. Ao fazer um diagnóstico prévio, a
equipe de especialistas consegue equilibrar expectativa e realidade,
direcionando o trabalho de forma ágil e eficiente.
Ao mapear a operação, a organização passa a
compreender o cenário antes de aderir a qualquer recurso, selecionando a opção
que de fato se alinha às características e especificidades do negócio. Ademais,
contar com a colaboração da equipe é fundamental para localizar onde estão os
gargalos que atrasam a gestão, garantindo que o software atue diretamente no
foco do problema.
No fim, a mensagem que deve ser sempre enfatizada é que a tecnologia é o meio, e não o fim. Como um automóvel: para que ele transporte os passageiros ao destino esperado, é necessário ter um condutor que saiba manusear cada mecanismo com segurança — o que só vem a partir do conhecimento prévio. Do contrário, continuaremos vendo muitas empresas com uma Ferrari guardada na garagem.
Simone de Carlos - consultoria de TI na ABC71.
ABC71
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