Especialista alerta que dores persistentes podem ser sinal de lesões na cartilagem e início de artrose, mesmo em pessoas jovens
Sentir dor no joelho ao subir escadas, caminhar por longos períodos
ou praticar atividades físicas ainda é algo frequentemente associado ao avanço
da idade. No entanto, especialistas alertam que esse desconforto não deve ser
encarado como uma consequência natural do envelhecimento. Em muitos casos, a
dor pode indicar desgaste precoce da articulação, lesões na cartilagem ou até
os primeiros sinais de artrose.
De acordo com o ortopedista e cirurgião do joelho Dr. Ari Zekcer,
referência nacional em cirurgia do joelho e traumatologia esportiva, a dor é um
importante mecanismo de alerta do organismo e merece investigação sempre que se
torna frequente ou passa a limitar atividades do dia a dia.
"Existe uma crença de que é normal sentir dor no joelho com o
passar dos anos, mas isso não é verdade. O envelhecimento saudável não deve ser
acompanhado de dor. Quando o desconforto se torna recorrente, é fundamental
buscar avaliação especializada para identificar a causa e evitar a progressão
do problema", explica.
Embora a artrose seja mais comum após os 60 anos, o processo de
desgaste da articulação pode começar muito antes. Lesões esportivas, excesso de
peso, alterações biomecânicas, sedentarismo e até predisposição genética estão
entre os fatores que podem acelerar a deterioração da cartilagem, tecido
responsável por revestir as extremidades dos ossos e permitir movimentos sem
atrito.
Segundo o especialista, é cada vez mais comum encontrar pacientes
entre 30 e 50 anos apresentando sinais de desgaste articular. "Muitas
vezes são pessoas ativas, que praticam esportes regularmente, mas que sofreram
alguma lesão no passado ou apresentam alterações no alinhamento dos membros
inferiores. Com o tempo, essas condições podem gerar sobrecarga na articulação
e favorecer o desgaste precoce", afirma.
Além da dor, outros sintomas costumam acompanhar os problemas
articulares, como inchaço frequente, rigidez ao se levantar após longos
períodos sentado, sensação de travamento e perda gradual da mobilidade. Apesar
disso, muitos pacientes demoram a procurar ajuda médica, acreditando que o desconforto
faz parte da rotina ou que desaparecerá sozinho.
Para o especialista, o diagnóstico precoce é um dos principais
aliados na preservação da saúde do joelho. "Quanto mais cedo identificamos
alterações na cartilagem, lesões meniscais ou problemas de alinhamento, maiores
são as chances de controlar a evolução do quadro e preservar a articulação por
mais tempo. Esperar a dor se tornar incapacitante pode reduzir as opções de
tratamento disponíveis", destaca.
Os avanços da medicina também têm ampliado as possibilidades
terapêuticas para pacientes com lesões articulares. Procedimentos voltados à
preservação da cartilagem, reparo de estruturas lesionadas e técnicas
regenerativas vêm permitindo resultados cada vez mais promissores em casos
selecionados.
Além do acompanhamento médico, hábitos saudáveis desempenham papel
importante na prevenção. Manter o peso adequado, fortalecer a musculatura das
pernas e praticar atividades físicas com orientação profissional ajudam a
reduzir a sobrecarga sobre os joelhos e contribuem para a longevidade das
articulações.
"A principal mensagem é que dor no joelho não deve ser
considerada normal em nenhuma idade. Quanto antes o paciente procurar
avaliação, maiores serão as chances de preservar a mobilidade, evitar limitações
futuras e manter a qualidade de vida", conclui Dr. Ari Zekcer.
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