Empresas combinam inteligência artificial, dados comportamentais e novas formas de avaliação para tomar decisões de contratação mais completas
A imagem clássica do recrutador analisando pilhas de currículos começa a dar lugar a processos mais orientados por dados. Plataformas capazes de cruzar competências, automatizar etapas e reunir diferentes tipos de informações passaram a fazer parte da rotina das áreas de RH. O currículo continua sendo uma peça importante da seleção, mas já não é a única fonte utilizada para tomar decisões de contratação.
A mudança acontece porque as empresas perceberam que experiência profissional, formação acadêmica e conhecimentos técnicos ajudam a contar parte da história de um candidato, mas nem sempre são suficientes para prever desempenho, adaptação ao cargo ou potencial de desenvolvimento.
O desafio é que muitas das competências mais valorizadas pelas empresas atualmente não aparecem com clareza em um currículo. Segundo o relatório Future of Jobs 2025, do World Economic Forum, habilidades como pensamento analítico, resiliência, flexibilidade, liderança, criatividade e aprendizado contínuo estão entre as mais importantes para o futuro do trabalho. O cenário ajuda a explicar por que organizações passaram a buscar formas de avaliar fatores que vão além da experiência profissional e da formação acadêmica.
Ao mesmo tempo, a inteligência artificial ampliou a capacidade das empresas de processar informações e apoiar decisões ao longo do recrutamento. Mas, para especialistas, a tecnologia só gera valor quando ajuda a construir uma visão mais completa sobre as pessoas.
“O uso de inteligência artificial trouxe ganhos
importantes para o recrutamento, principalmente em eficiência e capacidade de
análise. Mas a tecnologia, sozinha, não resolve o desafio de tomar boas
decisões. O ponto central continua sendo a qualidade das informações utilizadas
para avaliar cada candidato”, afirma Patricia Suzuki, Diretora de RH da
Redarbor Brasil, detentora do Pandapé.
Segundo a executiva, o mercado começa a perceber que contratar
melhor depende de uma leitura mais ampla sobre potencial e aderência.
“Experiência anterior e conhecimento técnico continuam
relevantes, mas as empresas também buscam entender características
comportamentais, capacidade de adaptação, potencial de desenvolvimento e
aderência ao contexto da vaga. São fatores que ajudam a complementar a análise
e tornam a decisão mais consistente”, explica.
A necessidade de ampliar essa leitura acompanha mudanças
importantes no próprio mercado de trabalho. Carreiras se tornaram menos
lineares, profissionais mudam de área com mais frequência e habilidades
comportamentais ganharam peso crescente dentro das organizações.
Nesse cenário, começam a ganhar espaço soluções de inteligência
preditiva para recrutamento como o Pandapé Genoma que combinam diferentes tipos
de avaliações cognitivas, comportamentais e de conhecimentos específicos para
apoiar decisões mais completas sobre os candidatos.
Para Patricia, a evolução do recrutamento não está em abandonar
critérios tradicionais, mas em enriquecer a tomada de decisão.
“O currículo continua sendo uma parte importante da seleção. O
que mudou foi a quantidade de informações consideradas antes de contratar. É
possível combinar experiência, conhecimentos, habilidades cognitivas e
características comportamentais para construir uma visão mais completa sobre
cada candidato”, afirma.
A transformação do recrutamento reflete uma mudança mais ampla
dentro das organizações. Em um mercado cada vez mais competitivo, contratar
deixou de ser apenas uma tarefa operacional e passou a ser uma decisão
estratégica.
“O desafio do recrutamento nunca foi a falta de informação, mas
tomar boas decisões com as informações disponíveis. Hoje, as empresas têm
acesso a muito mais dados sobre experiência, comportamento, habilidades e
potencial. A oportunidade está em combinar essas evidências para contratar com
mais segurança, mais previsibilidade e menos achismo”, conclui Patricia.

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